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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 14/08/2015

A biblioteca e o jardim

O cinema proposto por Jorge Furtado em Real beleza é uma referência sempre seguida por aqueles realizadores que acreditam que é na realidade captada pela câmera, no espaço permitido pela tela cinematográfica, que se encontram os sinais mais reveladores, as alegorias que só necessitam serem focalizadas com inteligência para se transformarem em instrumentos necessários à criação de vínculos entre diretor e espectador, algo essencial para que um filme não seja apenas um desfilar de imagens desprovidas de significado. Nos últimos anos, alguns cineastas brasileiros compreenderam, assim como muitos de seus colegas europeus e asiáticos, que o cinema será sempre mais importante quando povoado por seres humanos. Os grandes momentos de nossa arte, incluindo aqueles nos quais a narrativa foi enriquecida e renovada, em alguns casos recriada, foram povoados por seres humanos e não por títeres ou porta-vozes de diretores. Esta é a primeira lição emanada das imagens de Real beleza, um filme no qual também é evidente o propósito de fazer a plateia se interessar pelo que está sendo narrado. Estamos diante de um trabalho que procura encontrar público para um cinema afastado da vulgaridade, das obviedades e das grosserias.

Nos curtas-metragens que realizou, o diretor deixou claro seu apreço pelo documentário. No longa que estamos vendo a ação começa como se fosse um documentário. Na verdade, é realmente do que se trata, já que o que aparece na tela são as imagens de entrevistas com candidatas a participarem do filme e assim se transformarem em personagens interessadas em seguir a carreira de modelo. É como na abertura de All that jazz, de Bob Fosse, o que, mais uma vez, prova o interesse do cineasta pelo cinema-espetáculo. Tal tendência é evidente em todo o filme, que não tem receio algum de ser muito bonito, bem fotografado, bem editado e até mesmo exaltando as belezas naturais que servem de cenário para boa parte da narrativa. Mas não se trata de uma superficial contemplação do belo. O filme, no qual é igualmente clara a influência de As pontes de Madison, de Clint Eastwood, realça a beleza exterior para vê-la como ponto de partida para uma jornada que terá conclusão num cenário onde o pensamento predomina e as lições fundamentais estão à espera de serem descobertas. Contemplar e entender o belo é também adquirir a noção fundamental de harmonia e equilíbrio, tão necessária para a compreensão de investigações realizadas pelo ser humano nas artes e nas ciências.

O fotógrafo é o trabalhador das imagens, o fascinado pelos rostos das meninas. Quando ele descobre a biblioteca, se aproxima de um mundo para ele até então praticamente desconhecido. Este novo cenário está oculto pela exuberância da natureza e seu proprietário já está quase mergulhado na escuridão total. Esta biblioteca tem como guardião um personagem borgeano que parece tê-la quase toda na memória. E não estamos apenas diante da literatura. A fotografia, representada por Cartier-Bresson, ocupa seu espaço neste universo de livros, assim como a música. Palavra, imagem e som elaborado também se integram a este cenário. É a cultura humana que assim surge como contraponto ao culto da beleza exterior. A síntese entre o jardim cultivado pela mulher e a biblioteca guardada pelo marido e pai não chega a ser o resultado perfeito num filme que procura captar esse movimento que pode nos levar a um cenário repleto de luzes ofuscantes, como aquelas no plano final da narrativa. A solidão e a insatisfação da mulher são temas suficientemente expostos durante o relato. Falta algo na cultura humana: resolver o conflito com as forças da natureza. Quase cego, seu defensor se refugia na memória. A filha que se afasta será a personagem de um outro romance, de um outro filme - habitante de outro mundo. O novo filme de Jorge Furtado não tem receio algum de praticar um gesto de rebeldia nos quadros do atual cinema brasileiro, ao tocar em temas não abordados por outros. Certamente, qualquer cinematografia se enriquece quando são muitas as propostas e diferentes os caminhos sugeridos.

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