Porto Alegre, terça-feira, 19 de setembro de 2017.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
17°C
32°C
16°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 3,1340 3,1360 0,64%
Turismo/SP 3,1000 3,2800 0,60%
Paralelo/SP 3,1000 3,2800 0,60%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  | 
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
899689
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
899689
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
899689
Repita o código
neste campo
 
 
imprimir IMPRIMIR

Energia Notícia da edição impressa de 26/02/2015

Empresas estão de olho no seu telhado

Geração distribuída de energia começou a se desenhar no Brasil como negócio em 2012
STR/divulgação/jc
Com a crise energética e a expectatica de aumento da conta de luz, segmento vem chamando a atenção
Com a crise energética e a expectatica de aumento da conta de luz, segmento vem chamando a atenção

O fundador da Natura, um jovem investidor brasileiro que vive em Miami e administra mais de US$ 500 milhões e um grupo de ex-sócios da corretora XP Investimentos. Embora não pareça à primeira vista, eles têm algo em comum: querem ganhar dinheiro com geração de energia solar, um negócio que ainda não deslanchou no Brasil por causa do preço, mas começa a se mostrar interessante. Em tempos de crise energética e com a expectativa de aumento da conta de luz em mais de 40%, esse é um segmento que vem chamando a atenção de investidores.

Há basicamente duas formas de atuar neste mercado. Uma delas é construindo grandes usinas para vender energia no mercado livre ou para o governo, como aconteceu em setembro do ano passado, no primeiro leilão de energia solar do País. A outra é investindo na chamada geração distribuída, em que o sistema é instalado no local onde a energia será consumida, como residências, indústrias e shoppings. É essa segunda possibilidade que mais tem atraído novatos para este setor.

A geração distribuída de energia começou a se desenhar no Brasil como negócio em 2012, quando uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permitiu que o sistema solar de uma casa, por exemplo, fosse interligado à rede das concessionárias. "Foi um marco, mas a falta de financiamento e a questão tributária impediram um avanço maior desde então", diz Rodrigo Sauaia, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Na semana passada, a agência reguladora disse que estava estudando medidas com o governo federal para incentivar famílias e empresas a terem seus próprios geradores solares.

Uma das pioneiras do País, a Empresa Brasileira de Energia Solar (Ebes) foi criada com foco nas usinas, mas no ano passado se reestruturou para atrair principalmente o cliente corporativo. A mudança veio com a entrada do Texas Pacific Group (TPG), gestor americano de fundos, no capital da empresa. "Fizemos uma revisão nos planos da companhia e vimos que essa seria uma área mais interessante, porque elimina os custos de distribuição e transmissão", diz Adilson Liebsch, presidente da Ebes. "O tamanho do mercado corporativo é de R$ 40 bilhões por ano."

A empresa, criada por dois engenheiros, também tem como um dos sócios a companhia suíça ECOSolar e a Mov Investimentos, fundo do trio da Natura, Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos. Eles fizeram um aumento de capital no ano passado, mas os valores não são divulgados. Liebsch garante que o recurso é suficiente para brigar pela liderança.

A Ebes vai disputar clientes com duas recém-chegadas: a carioca SolarGrid, de quatro sócios da XP, e a Conergy, uma empresa alemã de energia solar cuja massa falida foi adquirida em 2013 por um dos fundos do brasileiro Daniel Ades, dono de uma gestora com sede em Miami. Primeiro negócio de Ades no Brasil, a Conergy acabou de se instalar em São Paulo.

Entre os fatores que esses investidores levaram em conta para apostar no incipiente mercado de energia solar brasileiro está a comparação com outros países. No Brasil, a geração distribuída representa 0,003% da matriz energética total, com apenas 409 sistemas em funcionamento. "Nos EUA, o número de telhados com painéis passa de 500 mil, e na Alemanha, de 1 milhão", diz Mauro Passos, presidente do Instituto Ideal, que desenvolve projetos na área.

Foi a experiência lá fora que fez a GLP, empresa de logística com sede em Cingapura, avaliar a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de seus galpões industriais no Brasil. No Japão, a companhia cobriu 305 mil m² de telhados com sistemas solares e gera energia para abastecer 5,3 mil casas por ano.

No mercado brasileiro, a empresa administra uma área de 2,4 milhões de m². "Estamos estudando os fornecedores e, até o fim do ano, instalaremos nos nossos telhados também", diz Mauro Dias, presidente da GLP Brasil. "Não é só uma questão de sustentabilidade. Acreditamos que o preço vai remunerar o investimento."

Energia solar fez País valer a pena para investimento

Aos 34 anos, o paulistano Daniel Ades já foi destaque do prestigiado Financial Times por causa do desempenho de sua gestora de investimentos, a Kawa, de Miami. Ele administra US$ 500 milhões de 200 investidores do mundo inteiro e entrega retornos anuais perto dos 16%.

Chegou aos EUA em 2007, para trabalhar na butique de investimentos de um primo, vendeu sua participação na sociedade e montou seu negócio. Por aqui, ele é um desconhecido. Até pouco tempo, nem as ações de empresas brasileiras chamavam sua atenção: o país natal sempre foi considerado caro demais em sua estratégia de investimento.

Foi a energia solar que atraiu Daniel Ades ao Brasil. No final do ano passado, ele abriu em São Paulo um escritório da Conergy, empresa alemã com subsidiárias em 13 países e que já instalou mais de 300 usinas solares no mundo. O Kawa comprou a massa falida da companhia em 2013 e reestruturou a operação: parou de fabricar equipamentos, vendeu todas as fábricas e se concentrou no desenvolvimento de projetos de geração distribuída de energia solar em residências e empreendimentos comerciais. A americana Macy's é uma das clientes da Conergy.

"É na geração distribuída que enxergamos oportunidade. Chegamos a olhar o leilão, mas o preço não é economicamente viável e não queremos entrar em jogo político."

Inspiração veio de visitaa Hannover na Alemanha

Foi numa viagem para a Alemanha que o empresário Henrique Loyola descobriu seu novo negócio. Ele havia acabado de deixar a sociedade na corretora XP Investimentos e ainda não sabia que rumo tomar na carreira profissional. Antes de decidir, resolveu fazer uma viagem com o avô, que queria conhecer a Feira de Hannover, na Alemanha, sobre eficiência na indústria.

"A primeira coisa que me chamou a atenção foram os painéis solares em praticamente todos os telhados da cidade. Percebi que era algo que estava difundido em vários locais menos no Brasil", diz Loyola, de 32 anos. De volta ao País, ele começou a estudar o assunto e percebeu que havia um espaço enorme para oferecer o produto aos brasileiros.

Em 2013, juntou mais três ex-sócios da XP Investimentos e dois engenheiros ambientais e montou, com R$ 20 milhões de investimentos, a SolarGrid, empresa de geração distribuída de energia solar. A companhia oferece serviço completo para instalação de sistemas de energia solar, inicialmente com foco em São Paulo, Rio e Minas.

Os primeiros projetos foram desenvolvidos em residências, mas a empresa já negocia alguns com empresas privadas. "Há um potencial enorme no País. A vantagem desse modelo é que se gera e consume a energia no mesmo lugar.", conta.

Apesar de praticamente todos os equipamentos serem importados, o empresário afirma que ainda continua vantajoso construir um sistema solar em casa, capaz de bancar 60% do consumo de uma residência. Mas, assim como todos os outros empresários do setor, ele defende a necessidade de incentivos para fazer o segmento crescer.

Enel se instala no Nordeste 

O grupo italiano Enel deu início à construção de duas usinas fotovoltaicas no município de Tacaratu, em Pernambuco. A capacidade instalada do complexo, composto pelas usinas Fontes Solar I e II, será de 11 MW. O investimento total está estimado em aproximadamente US$ 18 milhões, de acordo com nota publicada pela Enel Green Power. A produção estimada das duas usinas soma 17 GWh por ano, o equivalente ao consumo de aproximadamente 90 mil residências. No mesmo município pernambucano, a EGP opera o parque eólico Fontes dos Ventos, que tem capacidade instalada de 80 MW.

Para consumidor, motivação é ambiental

Os sistemas de geração solar no Brasil estão restritos, em grande parte, aos telhados de gente entusiasmada com fontes renováveis de energia, como o contador Marcelo Colle, de Videira (SC). "O assunto sempre foi um hobby para mim", conta. "Quando saiu a resolução da Aneel, em 2012, eu já tinha pesquisado muito e fui um dos primeiros a instalar painéis fotovoltaicos em casa."

Na época, ele pagou cerca de R$ 18 mil para colocar os painéis no telhado da residência, onde vive com a mulher. Não precisou de financiamento porque já tinha reservado um dinheiro para este fim. "Minha decisão foi mais motivada pela questão ambiental do que pela econômica." Ele e a mulher consomem em média 140 quilowatts de energia, o que resultaria numa conta de R$ 80,00. Hoje, Colle paga uma tarifa de R$ 10,00 por causa dos impostos.

Quem instalou o sistema na casa do contador foi a Solar Energy, empresa com sede em Curitiba (PR) que está entre as mais antigas do País na geração distribuída de energia solar. A companhia foi fundada em 2011 por Hewerton Martins, formado em automação industrial, e por seu irmão, que é engenheiro eletricista. Os dois enxergaram na geração fotovoltaica uma possibilidade de empreender, largaram seus empregos (numa usina de cana-de-açúcar e numa empresa de cosméticos) e foram viajar pelo mundo, por um ano, para pesquisar tecnologia e se familiarizar com esse mercado. Hoje, a Solar Energy tem 150 sistemas instalados no País. Montar toda a estrutura, segundo Martins, leva em média três dias. O demorado é conectá-la à rede elétrica. Dependendo da distribuidora, pode levar quatro meses. O preço, segundo ele, já foi um obstáculo maior. Os primeiros sistemas vendidos pela empresa para residências custavam R$ 35 mil. Atualmente, a mesma estrutura sai por R$ 22 mil. "Mas não acredito que caia muito mais que isso por dois motivos: dólar e China", diz.

Como boa parte das peças usadas na montagem dos módulos é importada, a alta do câmbio prejudica o setor. Soma-se a isso o fato de o governo chinês ter adotado nos últimos dois anos uma política de incentivo à instalação de painéis solares nos telhados de casas e empresas do país, que é o maior produtor das peças para a montagem dos módulos. A expectativa do setor é que, com os projetos vencedores do leilão de energia solar, realizado em setembro do ano passado, os fornecedores, aos poucos, instalem-se no Brasil.

O empresário Eduardo Taniguchi não quis esperar o cenário mais favorável para gerar eletricidade. Dono de uma empresa de instalação e manutenção de ar-condicionado, em Palmas (TO), ele decidiu aproveitar o telhado de 1,3 mil m² para produzir energia. "Queria aproveitar o nível de insolação da região, que me impressionou desde que transferi a empresa de São Paulo para Palmas em 2000."

A conta de luz da Industec girava em torno de R$ 2 mil. Taniguchi investiu R$ 250 mil no sistema, financiado em dez anos, com dois de carência. Ele vai começar a pagar as parcelas, de R$ 3,4 mil, nos próximos meses. "Não é barato, mas sei exatamente quanto vou gastar com energia daqui para frente."

COMENTÁRIOS
Nenhum comentário encontrado.

imprimir IMPRIMIR
TEXTOS RELACIONADOS
Sartori visita o parque eólico de Osório
Para Eletrobras, integração regional de éolicas é irreversível
Empresas interessadas terão de pagar outorga e comprovar experiência. Expectativa é de R$ 17 bilhões
Governo vai leiloar 29 usinas que não renovaram concessão
País já tem 534 sistemas conectados às redes de eletricidade
Em 20 anos, serão investidos R$ 7 bilhões em placas fotovoltaicas
Redução da tributação deve ampliar o uso das células fotovoltaicas
Aneel quer incentivar autogeração por consumidores

 EDIÇÃO IMPRESSA

Clique aqui
para ler a edição
do dia e acessar
o arquivo do JC.


 
para folhear | modo texto