O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira um balanço sobre os casos de Aids no País. Dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes que apresentaram maior taxa de incidência da doença, os 20 primeiros estão na região Sul. Em primeiro lugar no ranking está a cidade de Porto Alegre, com taxa de incidência de 111,5 por 100 mil habitantes, seguida por Camboriú, em Santa Catarina, com 91,3.
Entre as capitais, a taxa de Porto Alegre (111,5) é quase o dobro da segunda colocada, Florianópolis (SC), que tem um índice de 57,4.
A análise foi feita com base em casos registrados em 4.867 cidades onde foi notificada pelo menos uma ocorrência da enfermidade (87,5% do total de municípios no País).
O Rio Grande do Sul também se mantém como o estado com maior número de casos: 43,8 para cada 100 mil pessoas. O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 2008 apontava 36,5 casos a cada 100 mil habitantes no Estado.
A diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, diz que os casos de HIV no Brasil diminuíram nos grandes centros urbanos, mas aumentaram em cidades do Interior do País. Dados indicam que, de 1997 a 2007, a taxa de incidência da doença dobrou em municípios com menos de 50 mil habitantes. A tendência de crescimento da Aids em cidades menores e a queda nos grandes centros, de acordo com o balanço, também foram confirmadas nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Já Norte e Nordeste apresentam aumento da taxa de incidência tanto em municípios grandes quanto em pequenos.
De acordo com Mariângela, os dados do ministério indicam que, de 1980 até junho deste ano, foram registrados 544.846 casos de Aids no Brasil, além de 217.091 mortes provocadas pela enfermidade. "Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos. A estimativa é que 630 mil brasileiros já foram infectados pelo HIV em todo o País", destaca.
De acordo com o balanço, o Brasil registrava 15 casos da doença em homens para cada ocorrência em mulheres em 1986. A partir de 2003, a proporção passou a ser de 15 casos em brasileiros do sexo masculino para dez casos em pessoas do sexo feminino. Em 2007, a taxa de incidência foi de 22 notificações para cada 100 mil homens e de 13,9 para cada 100 mil mulheres.
Um dos destaques da pesquisa, de acordo com Mariângela, é o grupo de 13 a 19 anos de idade, em que o número de casos da doença é maior entre as meninas. Desde 1998, essa faixa etária registra a proporção de oito casos entre meninos para cada dez em meninas.
Em 2007, a transmissão por relações sexuais em homens adultos foi maior entre heterossexuais (45,1%). Na categoria sanguínea, foi maior entre os usuários de drogas injetáveis (7,4%). No caso das mulheres, a transmissão por relações sexuais entre heterossexuais sempre predominou em toda a série histórica. Em 1997, a infecção por meio do sexo desprotegido foi responsável por 88,7% dos casos. Em 2007, esse percentual alcançou 96,9%.