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Mercado financeiro Notícia da edição impressa de 19/08/2013

Quem dá mais pelo ISE?

A única bolsa de valores brasileira criou, em 2005, um índice para medir quanto vale a sustentabilidade nas companhias. O ganho acumulado em oito anos supera vedetes do pregão. Falta agora convencer investidores e gestores de recursos a comprar a ideia

Patrícia Comunello

BM&F/Divulgação/JC
Quarto índice de sustentabilidade criado em bolsa no mundo, invenção do Brasil ainda enfrenta testes
Quarto índice de sustentabilidade criado em bolsa no mundo, invenção do Brasil ainda enfrenta testes

Imagine um investidor que tivesse de decidir entre duas opções no mercado acionário. A carteira A rendeu 130,32% em oito anos, recuou 5,32% nos primeiros sete meses de 2013 e fechou julho com alta de 2,64%. Enquanto isso, a carteira B se valorizou 51,13% desde 2005 (quase duas vezes menos que a rival A), despencou 20,86% de janeiro a julho, e no mês passado, avançou um tímido 1,64%. Salvo algum masoquismo financeiro, o dono do capital se renderia à carteira A, que detém os melhores desempenhos. E se o aplicador descobrisse que a escolhida segue o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa e a concorrente, o Ibovespa, manteria a convicção?

Uma parte da bolsa - principalmente do núcleo que elabora o ISE -, algumas companhias do port-fólio e instituições setoriais que acreditam no valor embarcado no indicador diriam que sim. Agora, o mercado, com seus investidores apegados a um benchmark e à gangorra da volatilidade, vetaria a oferta. Quarto índice de sustentabilidade criado em bolsa de valor no mundo, a invenção brasileira enfrenta os testes típicos de novatos no ramo. “Estamos no meio do caminho. A fase agora é de ajudar os investidores a entender o ISE, que sozinho não faz um verão”, pondera a diretora de sustentabilidade da bolsa e presidente do Conselho do ISE (Cise), Sonia Favaretto.

A preocupação é sintomática: pela aposta institucional e investimentos em metodologia e convencimento do mercado, um dos desafios é colar mais produtos à opção, como fundos de índice, e elevar a visibilidade ao padrão Ibovespa. Desde o fim de 2011, o mercado pode aplicar no ETF ISUS11, que exige pouco aporte do investidor. Para Sonia, o desempenho da carteira sustentável no pregão, mesmo que o impacto da crise de 2008 deva ser ponderado, mostra diferenciação positiva. “Há maior margem de segurança e proteção a riscos”, aposta a executiva da bolsa. Além disso, a divulgação de dados de questionários respondidos pelas companhias, que hoje não é obrigatória, pode se disseminar. “Hoje, 14 das 37 listadas liberam as informações. Em dois anos, isso será natural”, vislumbra a presidente do Cise.

Como provar que companhias assumidamente devotas de práticas que enlaçam condição financeira, ambiental e social merecem crédito? “Não há sacrifício de retorno financeiro ao se optar por um índice como o ISE. Deve-se levar em conta que esses fatores mitigarão riscos e aportarão mais valor no longo prazo”, argumenta o gerente no Brasil da rede de Princípios do Investimento Responsável (PRI), Pedro Gallopi. A crença básica do mundo pautado pela sustentabilidade é de que a gestão das companhias equaciona o resultado do capital com seu impacto à sociedade e a gerações futuras, como reza um dos mantras que lapidaram os conceitos de investimento sustentável e responsável (ISR) desde a década de 1990.

“Estamos tratando do presente, pois o futuro é incerto”, reforça Roberta Simonetti, coordenadora executiva do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV). A FGV elaborou a metodologia do indicador. Roberta tem cautela em encarar a valorização do ISE frente ao Ibovespa como atestado do valor do indicador, e aponta que a mudança de cultura do investidor definirá a velocidade de adesão ao ISR. A coordenadora da FGV propõe que bancos e agências de risco incluam a referência em suas carteiras e avaliações. A baixa alocação de capitais no mercado acionário no País pode ser barreira no curto prazo.

O ISE reúne, na versão de 2013, 37 empresas ligadas a 16 setores da economia. Seu valor no fim de julho era de R$ 1,04 bilhão. Estão no portfólio os maiores bancos do País - BB, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander, além de players em seus quintais - Vale, Gerdau, BRF, sistema Eletrobras, teles e papeleiras. A influência de algumas integrantes, com maior fatia das ações, para cima ou para baixo, pode ter pesado na trajetória. A maior fatia é da Vale (14%), seguida por Ultrapar (10%) e BRF (9,3%). “O limite é de 15% da carteira por setor, o que reduz a concentração e abre caminho a papéis menos líquidos”, acredita Roberta.

A rede de PRI, com 68 instituições associadas entre fundos de pensão, gestores de investimento e agências de risco, busca emplacar o olhar do mercado para fatores sociais, ambientais e de governança, o que mitigaria riscos. “Esses fatores têm impacto relevante sobre os ativos e na performance financeira no longo prazo”, observa Gallopi. O gerente da rede aponta que o setor busca formar os potenciais investidores, com grupos técnicos que aprofundam a correlação entre as metas financeiras e os quesitos de sustentabilidade.

Mundo sustentável na bolsa

Os precursores
1999 - Dow Jones Sustainability Indexes (Nova Iorque)
2001 - FTSE - The Indexes Company (Londres)
2003 - FTSE/JSE - Africa Index Series (Joanesburgo)
2005 - ISE/BM&FBovespa - São Paulo

O que é o ISE
O Índice de Sustentabilidade Empresarial pode ter até 40 companhias listadas, selecionadas entre as detentoras das 200 ações mais negociadas na BM&FBovespa. A composição da carteira é renovada todos os anos, a partir da pontuação obtida pelas empresas nas  respostas aos questionários das sete dimensões de sustentabilidade: geral, produto/serviço, econômico-financeira, social, ambiental, mudanças climáticas e governança corporativa. O fundo de índice ETF ISUS 11 reflete a variação da carteira. O processo é auditado pela KPMG.

Empresas da carteira em 2013
AES Tietê, Anhanguera, Bic Banco, Bradesco, Banco do Brasil, Braskem, BRF Foods, CCR Rodovias, Cemig, Cesp, Coelce, Copasa, Copel, CPFL Energia, Duratex, Ecodovias, Eletrobras, Eletropaulo, Embraer, Energias BR, Even, Fibria, Gerdau, Gerdau MET, Itausa, Itau-Unibanco, Light, Natura, Sabesp, Santander, Sulmerica, Susano Papel, Telefonica Brasil, Telemar, TIM, Tractebel, Ultrapar, Vale e Weg.
As empresas marcadas em itálico liberaram as respostas do questionário

Raio X


Fonte BM&FBovespa


Entidades buscam apoiar e acelerar práticas sustentáveis

O conselho do ISE reúne pelo menos 10 instituições setoriais que operam como balizadoras dos conceitos nas sete dimensões de sustentabilidade. A superintendente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que está no conselho desde 2005, Heloisa Bedicks, avalia que o índice segue a evolução da própria inserção do tema nas empresas. Heloisa cita que as exigências na área de atuação do IBGC se elevam ano a ano, de acordo com o próprio desenvolvimento da área e à medida que o instituto edita novos parâmetros. Duas publicações abordaram a relação de companhias e conselhos de administração com o tema. Depoimentos de executivos e conselheiros reforçam que é preciso avançar na percepção do lugar da sustentabilidade na gestão do negócio.

A divulgação de informação por todas as companhias pode acrescentar maior transparência, mas a preocupação da executiva recai no crescimento da participação. Depois de registrar maior presença entre as 200 ações mais negociadas que são alvo do indicador, houve recuo nos últimos anos. Para a gestora do IBGC, há muitas grifes que deveriam estar preocupadas em figurar no índice. Heloisa prefere não citar nomes. A Petrobras integrou a carteira por dois anos e não voltou mais. “Muitas empresas dizem que não vão entrar, pois avaliam que não é o momento. Elas deveriam atentar para a importância de mostrar aos seus investidores que são socialmente responsáveis.”

O Grupo de Instituto, Fundações e Empresas (Gife), que reúne 140 associados com atuação em projetos sociais e ambientais, está desde 2012 no conselho do índice e tenta colaborar na precisão de dados e qualidade do que é gerado nas dimensões do ISE. Para o secretário-geral da entidade, Andre Degenszajn, o funcionamento do índice da BM&FBovespa tem muito impacto ao expor dados das empresas. “Dá mais transparência à atuação nas áreas, considerando que a adesão é voluntária”, observa Degenszajn.

Prestar contas é tarefa junto a acionistas, e um dos temas que alimentou recentemente debates no conselho foi o uso de incentivos fiscais. “O Gife entende que esses recursos são investimento social privado. A questão é como tratá-los no questionário. Nossa sugestão é que devem ser considerados nas dimensões social e ambiental”, esclarece o secretário-geral da entidade.

O dirigente cita que a estimativa no Brasil é de que a cada R$ 1,00 investido pela empresa outro R$ 1,00 seja aplicado na área social, desde compensação ambiental até social. “É preciso deixar claro a destinação desse recurso é aplicado, diferenciando o que é verba voluntária da compulsória, e qual é o resultado do uso do recurso público”, defende Degenszajn. O secretário-geral do Gife considera que mais empresas deveriam aderir ao ISE para eliminar a visão de que rentabilidade não combina com performance social mais responsável. Vale a ideia de que empresas sustentáveis duram mais, pois têm relação mais adequada com governo, meio ambiente e sociedade.

Maiores bancos estão na família do índice

As bicicletas custeadas pelo banco Itaú-Unibanco e que circulam em Porto Alegre são um exemplo de como a sustentabilidade que povoa a bolsa de valores está muito mais perto do cotidiano. Esses elementos, que se inserem em ações de promoção de alternativas para mobilidade e qualidade de vida, são citados nos questionários do ISE. A instituição, que também figura no índice de sustentabilidade da bolsa de Nova Iorque, acaba de ser escolhida líder do setor bancário internacional em três quesitos do Dow Jones Sustainability World Index (DJSI), criado em 1999.

O superintendente de Relações com investidores do Itaú-Unibanco, Geraldo Soares, antecipa que o banco abrirá as respostas dos questionários do ISE ao mercado na seleção em andamento. O DJSI não torna público, pois realiza análises sobre as companhias listadas sob encomenda. “O ISE é o único que tem esta ação de divulgação.” Soares contrasta as culturas de cada mercado e cita que investidores institucionais estrangeiros chegam a enviar questionários para ampliar informações. Entre questões de americanos, despontam temas como existência de linhas de crédito para clientes de países como Sudão e Irã.

“Eles querem saber se concedemos empréstimos. Os fundos europeus questionam sobre governança corporativa. Cada público de interesse do investidor precisa dar informação segmentada”, explica o executivo do Itaú-Unibanco. “Os dois índices ajudam e geram selo de qualidade. Quem está no ISE passou pelo crivo e deu avaliação de suas práticas”, valida Soares. Por isso, a crença é que a empresa que sai do índice da BM&FBovespa acaba perdendo pontos no mercado. “É um índice de longo prazo. E o mundo está olhando muito curto prazo”, lamenta o executivo do Itaú.

O Banco do Brasil (BB) também figura no índice de sustentabilidade da bolsa nova-iorquina e adota acesso aos dados relatados nas dimensões do ISE para o mercado local. Wagner de Siqueira Pinto, gerente executivo de sustentabilidade do BB, cita que a ampliação do chamado free float (quantidade de ações negociadas no mercado) gerou condições de ascender no DJSI. Na gestão da participação nos dois indicadores, o BB adotou a referência da Agenda 21, que concentra metas de sustentabilidade no País. “Desde 2003, o banco tem um processo sistemático de coleta de demanda de percepção de públicos no tema. Isso permitiu que a instituição avançasse em processos, desde o mercado à área administrativa”, detalha Pinto.

Foram quatro grandes atualizações dos seus princípios nas equipes, com rodadas de oficinas para preparar os staffs do banco. Para o gerente executivo de sustentabilidade, o ISE é o conjunto da obra. “Estar listado significa reconhecimento de terceiros do desempenho”, aposta o gestor do BB. Pinto identifica que crescem a cada ano as consultas de investidores institucionais do exterior sobre as práticas.

Carlos Nomoto, diretor de desenvolvimento sustentável do Santander, que está desde 2008 no ISE, admite que a instituição deverá liberar as informações na próxima edição. Dos grandes bancos listados, apenas o BB adota a prática. “Já publicamos as informações em outros canais. O próximo passo será abrir as respostas”, revela o diretor do Santander. Segundo Nomoto, a cada ano ocorrem melhorias nas dimensões incluídas no ISE. A instituição deve intensificar  ações que impulsionem atitudes para minimizar ou compensar o impacto ambiental, como conceder financiamento de veículos ligados a créditos de carbono para mitigar a emissão de gases de efeito estufa.

Disseminação de dados busca atrair investidores 

JONATHAN HECKLER/JC
Segundo Débora, cada vez mais os aplicadores sofisticados aprovam investimentos socialmente responsáveis

Entender a cabeça do investidor e fisgá-lo em atributos como longevidade dos negócios e segurança ao capital é condição básica ao avanço da adesão às carteiras e aos índices de sustentabilidade. Os fundos de pensão, que integram a seleção de investidores institucionais do mercado de ações no País e somavam investimento de R$ 641,7 bilhões em fim de 2012, são considerados o grande alvo dos chamados investimentos sustentáveis e responsáveis (ISR). Neste time, os maiores fundos de pensão – como Previ, Petros e Funcef, com quase a metade do poder de fogo financeiro do setor, são apontados como potenciais alavancadores desse ramo emergente.

Para colocar esse fluxo de investidores no caminho do ISE, será preciso alterar a proporção de alocação dos recursos. Dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp) apontam que 61,7% do capital em dezembro do ano passado estava aplicado em renda fixa; e menos de 30% no mercado acionário. A realidade se altera conforme o porte da entidade. Os maiores fundos chegam a colocar 40% de seus ativos financeiros em renda variável, mas as instituições de pequeno e médio porte alcançam 12% oi 13%. O diretor executivo da Abrapp, Álvaro Camassarí, aponta que encontros e oficinas buscam disseminar as práticas entre os fundos menores.

Em recente seminário do setor, o tema envolveu a busca de alternativas de investimentos que rompam a dependência à renda fixa. Um dos empurrões virá com menor retorno de títulos balizados pela Selic, taxa básica de juros. “Por essas peculiaridades, o ISE não entra no radar das entidades, o que não é indicativo de que não o setor não dê importância”, ressalta o executivo. A medida tenta qualificar a informação aos dirigentes das fundações. Na bolsa, o setor já foi criticado por não recomendar que os administradores de recursos adotem a referência na alocação de recursos. “Temos de mostrar que cada vez mais os fundos de pensão querem investir na carteira”, condiciona Camassarí. “O assunto ganhará mais espaço. Ainda é marolinha, mas vai virar tsunami”, ilustra o dirigente. Um dos aspectos que poderá ajudar nessa escalada é a divulgação por todas as integrantes do índice das respostas aos questionários.

A diretora da Zenith Asset Management, de Porto Alegre, Débora Morsch, diz que cada vez mais os aplicadores mais sofisticados aprovam investimentos socialmente responsáveis. Débora admite que o cliente pessoa física geralmente não conhece o ISE. “Já o institucional, sim, pois considera o horizonte de investimento de longo prazo”, diferencia a gestora. Quanto mais informações para o gestor melhor, sinaliza Débora, citando a transparência das respostas aos questionários do ISE. A diretora da Zenith avalia que cada vez mais os conceitos de sustentabilidade serão absorvidos. “Essas empresas é que se perpetuarão no futuro.”

O gerente de relações com investidores da Natura, Fábio Cefal, admite que é difícil mensurar o fator ISE no resultado na bolsa. Desde 2005 na carteira do índice e um dos ícones da tradição em sustentabilidade no País, a companhia tem certeza de que há vantagem em figurar no grupo. “Cresce a cobrança nessa área, mas a exigência dos investidores ainda é maior nas dimensões econômico-financeira e de governança corporativa, e menos pela avaliação sobre o impacto da área socioambiental”, contrasta Cefal. Mas o investidor que tem papéis da Natura cobra o compromisso e as ações na área. Dos mais de 10 mil detentores de partes da empresa, 84,8% são pessoas físicas. Mesmo observando governança mais robusta, as questões sociais e ambientais vêm juntas, acredita o executivo da empresa de cosméticos, desde 2004 na bolsa.

“A proposta de entrega é mais consistente, mas só o selo ISE não traz mais valor de mercado”, previne o gerente de RI da Natura. A experiência da companhia, que costuma desfilar os trunfos de produtos feitos a partir da riqueza da botânica brasileira, indica que os investidores estrangeiros estão mais atentos a diferenciais de sustentabilidade. “Olham o papel do triple botton – aspecto econômico, social e ambiental”, detalha Cefal. “O investidor pergunta sobre programas de melhorias nos vários níveis hierárquicos”, exemplifica o gerente de RI.

Companhias investem para figurar na carteira

ANTONIO PAZ/JC
Marta desenvolve as metas com o grupo estratégico de gestão socioambiental do banco

O Banrisul quer figurar na elite da carteira de ações sustentáveis da BM&FBovespa. Para a empreitada, tem a seu favor a meta do conselho deliberativo do indicador de elevar a presença de mais companhias até 2015. O Banrisul chegou a fazer um teste em 2011, figurando na categoria de treineira. A companhia não participa para valer da seleção, responde ao questionário e recebe um feedback do desempenho. “Precisamos melhorar em mudanças climáticas”, observou Marta Neves, gerente executiva do grupo estratégico de gestão socioambiental do banco.

Para pulverizar a consciência e iniciativas práticas, entram em ação os agentes de sustentabilidade, que têm o papel de popularizar as atividades e até gerar projetos nas comunidades. Marta lembra que a participação é voluntária. Uma das inciativas mais badaladas e que busca envolvimento das comunidades é o programa de coleta de pilhas. Foram sete toneladas depositadas desde 2008, usando locais que seguem padrões de regulação ambiental. Segundo Marta, o programa virou exemplo para outros estabelecimentos.

Outra medida que pesa na pontuação é inserir as ações que atingem cuidados com área social e ambiental como política do banco. “Já tínhamos as medidas desde 2001, mas não estava inscrita como política, o que faz toda a diferença”, assinala Marta. Na pontuação do ISE, não basta apenas indicar o conjunto de ações. O arsenal precisa estar formalizado. Hoje está. Além disso, o banco também elabora o Relatório de Sustentabilidade, que teve recentemente a segunda edição, dentro do padrão do Global Reporting Initiative (GRI).

No quesito climático, o banco passou a fazer o inventário das emissões de gases de efeito estufa, seguindo o programa brasileiro GHC Protocol. Este é um aspecto, mas os programas de geração de valor na área e que envolvem também criação de produtos para diferenciar clientes que observam temas ligados à sustentabilidade superam itens de resposta do ISE.

Marta ressalta que o envolvimento de todas as áreas de gestão do negócio é decisivo. Na estrutura de gestão, o tema ganhou lugar vinculado diretamente ao comando da instituição, com a instalação do comitê de responsabilidade corporativa. “É preciso identificar  as ações que fazem mais sentido dentro da própria instituição”, ressalta a gerente executiva. Entre  os potenciais alvos estão desde as gerações mais novas de clientes que primam pelos valores de sustentabilidade (este segmento deve ganhar cada vez mais atenção das áreas comerciais e de produtos) a medidas voltadas a empresas que podem implicar taxas mais em conta na concessão de crédito. Um destes ramos é a tarifa econômica Banrisul verde.

A instituição passa a fazer parte de comitês existentes na sociedade e que envolvem temáticas como educação, segurança, ações de ONGs e mulheres. Para a executiva, a atuação do banco preenche papel de inserção social como banco público, que abrange ainda modalidades de promoção de desenvolvimento regional. Na pesquisa do índice de sustentabilidade da BM&FBovespa, este atributo gera pontos em favor da marca.

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