A capitalização da Petrobras e o financiamento à infraestrutura estão entre os principais motivos para o novo aporte do Tesouro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou, em Londres, que o governo terá disponível mais R$ 100 bilhões, a mesma cifra da última capitalização. Hoje, o presidente do banco, Luciano Coutinho, não confirmou o valor, mas informou que discutirá o assunto na próxima quarta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Durante uma entrevista coletiva no escritório da subsidiária do BNDES recém-criada em Londres, Coutinho disse apenas que o número solicitado pelo banco ao governo é "grande" e ainda precisa ser discutido. "Temos as nossas necessidades para 2010, mas precisamos entender que também há outras demandas para o governo federal", afirmou Coutinho.
No Rio, o diretor de Finanças e Operações Indiretas do BNDES, Maurício Lemos, disse ao Grupo Estado que, depois de desempenhar um forte papel na oferta de crédito no auge da crise econômica, o banco se prepara para enfrentar algumas demandas especiais em 2010. A principal delas é a capitalização da Petrobras, prevista no projeto de lei do novo marco regulatório do petróleo.
Para manter a posição da BNDESpar (empresa de participações do banco) na composição acionária da Petrobras, que é de 7,7%, o banco poderá ter de desembolsar cifras entre US$ 20 bilhões ou US$ 30 bilhões. No entanto, ressaltou, a decisão do BNDES de seguir a capitalização será submetida à orientação do governo.
O fortalecimento de outra estatal também poderá demandar recursos do BNDES. O governo tem planos de transformar a Eletrobrás numa Petrobras do setor elétrico e o caminho também pode ser uma capitalização.
"Temos as chamadas necessidades excepcionais", definiu Lemos. "Estamos ainda mapeando e aí vamos ver o que precisa ter. O BNDES não vai pegar (do Tesouro) nada que não precise. Vamos fazer o que o governo orientar." De acordo com Lemos, outro desafio do banco é manter investimentos pesados em infraestrutura, área que tem mais dificuldades de atrair crédito privado. Até setembro deste ano, o BNDES destinou R$ 31,5 bilhões para projetos de infraestrutura, 33% do total de desembolsos do banco no período. Segundo o diretor, cerca de R$ 75 bilhões do aporte de R$ 100 bilhões em títulos do Tesouro este ano já foram convertidos para o caixa do banco, que deve fechar o ano com ativos em torno de R$ 300 bilhões. Ele disse não temer um excesso de endividamento com o Tesouro. "Na medida em que ele é o nosso único acionista, somos um agente do Tesouro", afirmou.
Coutinho também defendeu que o BNDES precisa estar presente em algumas áreas onde o setor privado não teria disponibilidade e citou o caso do financiamento da Transnordestina. "Mas uma medida de sucesso para o Brasil não é que o BNDES fique maior, mas que o mercado se desenvolva mais rápido para dividir a formação de crédito", disse.