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Notícia da edição impressa de 05/11/2009

Revisto, o PIB de 2007 é o maior em 21 anos
Expansão de 6,1% só fica atrás dos 7,5% de 1986, ano do Plano Cruzado, anunciou o IBGE

A expansão da economia brasileira em 2007 foi revisada para cima pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de 5,7%, calculada anteriormente para o Produto Interno Bruto (PIB), foi recalibrada para 6,1%, e apresentou ontem o resultado definitivo. Com isso, o crescimento daquele ano passou a ser o maior do governo Lula e também a maior expansão econômica do País em 21 anos, atrás apenas do resultado de 1986, ano do Plano Cruzado, que registrou 7,5%.

Os dados revelam ainda que a valorização do real diminuiu a participação da indústria - segmento fortemente influenciado pela cotação do dólar - no PIB entre 2004 e 2007, ao mesmo tempo em que elevou a fatia dos serviços. A divulgação cumpre um cronograma oficial, que determina que os dados definitivos do PIB anual só são concluídos quase dois anos após o fechamento do ano a que se refere o indicador.

Os resultados anunciados antes desse período são considerados preliminares. O primeiro dado sobre o crescimento econômico de 2009, por exemplo, será divulgado em março do ano que vem. O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, explicou que a conta final inclui pesquisas anuais do instituto e informações consolidadas de empresas.

Com a revisão do PIB, o desempenho de 2007 que havia empatado com o de 2004 ultrapassou de longe os dados registrados durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002), cuja maior expansão do PIB foi de 4,3%, em 2000. A revisão para cima foi puxada pela indústria - que cresceu 5,3%, ante 4,7% na divulgação anterior - e pelos serviços, cuja variação do PIB em 2007 passou de 5,4% para 6,1%. Outro impacto importante foi dado pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que corresponde aos investimentos e passou, com a revisão, de um aumento anunciado de 13,5% para 13,9%.

"No geral, os novos resultados indicam que o desempenho da economia brasileira em 2007 foi ainda melhor do que o anteriormente divulgado, com maior concentração nos setores industriais e de serviços, e puxado por um maior consumo do governo e mais investimentos", observou o analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski. O consumo da administração pública passou de 4,7% para 5,1%.

Segundo Olinto, a defasagem de tempo entre o fechamento do ano e a divulgação dos resultados definitivos ocorre no mundo todo. "É uma rotina, não dá para reduzir o prazo, é um padrão que ocorre em qualquer País do mundo", explicou.

Os dados do IBGE revelaram também que a indústria caiu de uma participação no PIB de 30,1% em 2004 para 29,3% em 2005, 28,8% em 2006 e, finalmente, 27,8% em 2007. Por outro lado, os serviços, no mesmo período, tiveram uma trajetória ascendente, de uma fatia de 63% do PIB em 2004 para 66,6% em 2007.

O gerente da coordenação de contas nacionais do instituto, Cristiano Martins, atribuiu à valorização da moeda brasileira essa mudança estrutural. "Em relação a 2006 (quando tinham 65,8%) os serviços ganham quase um ponto de participação, em detrimento da indústria. Um dos motivos é a valorização do real, que leva a mais importações. As atividades que sofrem maior concorrência dos bens importados perdem participação", explicou.

Entre 2004 e 2007, o real apresentou uma valorização de cerca de 37%. Somente de 2006 para 2007, a moeda brasileira se valorizou em 10,5%. A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, disse que não é possível antever se esse movimento de ganho dos serviços e perda da indústria prosseguiu em 2008 e em 2009. "O que vimos até o segundo trimestre de 2009 é que os serviços foram menos afetados do que a indústria pela crise, mas vamos esperar os dados mais à frente para checar o que realmente ocorreu", disse.

Os dados finais do PIB de 2008 só vão ser apresentados em novembro do ano que vem. No próximo dia 10 de dezembro, será revelado o desempenho do PIB do terceiro trimestre de 2009.

Crédito é melhor forma de incentivar companhias, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita que a inauguração do escritório do Bndes, ontem em Londres, mostra que o Brasil "cansou de ser pequeno e de pensar pequeno". "Se queremos ser uma das maiores economias do mundo, não podíamos continuar agindo como se fôssemos pequenos", disse.

Segundo ele, hoje o País dispõe de uma série de vantagens competitivas e pode suprir o mundo com alimentos, biocombustíveis e, agora, também com petróleo. "Para que tudo isso aconteça, é preciso aprender a não pedir licença para nosso tamanho." Ele também citou as empresas de construção civil e os bancos brasileiros, que "não devem nada" aos estrangeiros. "Companhias como a Petrobras e a Vale podem disputar em igualdade de condições com as empresas internacionais." Lula afirmou que as empresas brasileiras não devem ter medo de se transformarem em multinacionais, pois isso seria motivo de orgulho para o País. Para ele, a melhor forma de incentivar as companhias nacionais no exterior é facilitar o financiamento, o que está sendo feito agora com o escritório do Bndes em Londres. Lula se encontrou ontem com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, quando assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação esportiva e trataram de outros temas, como as mudanças climáticas globais.

Banco Mundial prevê expansão da China de 8,4% em 2009 e 8,7% em 2010

A economia chinesa deverá crescer um pouco mais rápido em 2010, abrindo espaço para que o governo retire parte das políticas de estímulo ao crescimento, disse o Banco Mundial ontem. Na revisão trimestral de suas projeções, o Banco Mundial estimou que a economia chinesa registrará expansão de 8,7% em 2010, levemente acima da projeção revisada de expansão de 8,4% em 2009. A melhora da atividade para o próximo ano será puxada pelo desempenho positivo das exportações e do setor imobiliário, disse o banco. Em junho, o banco havia previsto crescimento de 7,2% para a economia chinesa este ano.

Analistas afirmam, entretanto, que as autoridades chinesas continuarão a resistir às pressões dos outros países para permitir a apreciação de sua moeda, o que deve ser um tema para discussão no encontro do G-20 deste final de semana na Escócia. A rápida recuperação chinesa este ano é favorável a países exportadores de commodities, como a Austrália e o Brasil, assim como ao resto da Ásia.

O Banco Mundial afirmou também que, embora o crescimento chinês tenha claramente se firmado, há risco de uma grande elevação nos empréstimos bancários esse ano conduzirem a bolhas de ativos e a investimentos malfeitos. "O estímulo chinês foi focado no curto prazo, portanto, a China provavelmente irá voltar atrás no front monetário antes de outros países", afirmou o economista-chefe para a China do Banco Mundial, Ardo Hansson.

Uma moeda forte pode ajudar e também encorajar reformas estruturais, acrescentou. "Se a China precisa aumentar a demanda doméstica e depender menos das exportações, apreciar a taxa de câmbio é provavelmente algo que está em estudo", acrescentou. Com algumas outras grandes economias já tendo dado início a retirada de estímulo - Austrália elevou o juro duas vezes - a China deve ser questionada sobre sua política nos próximos dias, no encontro do G-20.

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