Na tentativa de solucionar impasses nos estados para a aliança entre PT e PMDB para as eleições de 2010, integrantes dos dois partidos se reuniram ontem no início de uma série de conversas que têm como objetivo firmar o apoio dos peemedebistas à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto.
A comissão integrada por cerca de dez petistas e dez peemedebistas vai discutir, em vários encontros, possíveis soluções para os impasses estaduais à aliança nacional entre as duas legendas.
"Os dois lados assumiram a responsabilidade de, até a próxima reunião, no dia 25, apresentar um conjunto de possíveis soluções para estados onde a relação PT-PMDB não está equacionada. Nos estados que a gente avalia essa parceria como necessária, vamos conversar", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).
Os participantes da reunião afirmam que há estados, como São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul onde a aliança nacional dificilmente vai se repetir nas disputas aos governos estaduais.
"Há estados em que o quadro é muito difícil. O restante, vamos avaliar em conjunto. Coletamos informações de ambos os lados. Nada é difícil quando se tem boa-vontade", afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Ricardo Berzoini disse acreditar que, apesar dos impasses, não haverá recuo no pré-acordo firmado pela cúpula do PMDB para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto.
"Dos dois lados não há risco de recuo, mas a convicção de que o pré-acordo é apenas o primeiro passo. Estou otimista, há um clima de muita cooperação e entendimento mútuo", disse o presidente do PT.
O grupo do PMDB contrário à aliança do partido com o PT trabalha nos bastidores para aumentar o número de dissidências dentro da legenda.
Em São Paulo, o presidente do PMDB estadual, Orestes Quércia, oficializou o apoio de parte da bancada à candidatura do governador José Serra (PSDB-SP) ao Palácio do Planalto. Assim como Quércia, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) manifestou publicamente posição contrária à aliança do PMDB com os petistas, o que dificulta o acordo em Pernambuco.
O grupo pró-Serra aposta na queda da ministra Dilma nas pesquisas de intenção de voto, o que poderia rachar a legenda em 2010 em diversos estados. O grupo pró-Dilma, por outro lado, diz ter apoio suficiente dentro do partido para avalizar a chapa com a petista.
O presidente licenciado do PMDB, Michel Temer (SP), é cotado para disputar a vice-presidência na chapa da ministra.
O PT e o PMDB trabalham para solucionar impasses em estados como o Rio Grande do Sul, onde os dois partidos têm pré-candidatos ao governo estadual: Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB).
No plano nacional, os peemedebistas do Estado estão mais próximos de Serra do que de Dilma Rousseff, o que pode rachar a legenda no Rio Grande do Sul.
Em Minas Gerais, também há impasses para que a aliança nacional se repita. O ministro Hélio Costa (PMDB) pode disputar o governo estadual com o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT) caso a comissão designada para pacificar as duas legendas não consiga reverter a dupla candidatura. No Rio de Janeiro, há o esperado impasse entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), que diz contar com o apoio da maioria da legenda no estado.
Outro exemplo é o Pará, onde o atual presidente estadual do PT, João Batista, concorre à reeleição com o discurso de apoio ao PMDB do deputado federal Jader Barbalho.
Nesses estados, mas principalmente no Rio, o PMDB exige uma composição com o PT para honrar o "pré-compromisso" firmado de apoio à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff.
Dilma é a melhor opção, diz Alencar
O vice-presidente José Alencar manifestou pela primeira vez apoio à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto em 2010. "Dilma é a melhor opção entre os possíveis candidatos à eleição de 2010 para assumir a presidência". Para ele, o Brasil vive um ótimo momento e quem quer que seja eleito em 2010 terá que dar continuidade ao programa de governo.
"É natural que haja quem prossiga o trabalho que Lula iniciou, especialmente Dilma", disse Alencar, durante a gravação do programa 3 a 1, da TV Brasil. Segundo Alencar, Dilma conhece e acompanha todos os programas do atual governo.
"Como chefe da Casa Civil, que é como se fosse uma superintendência, ela está a par de tudo e está preparada para dar continuidade a todos esses programas que o Brasil precisa".
Sobre uma possível candidatura para as próximas eleições, Alencar afirmou apenas que, se não tiver condições, não vai "levar seu nome ao palanque". "Já tinha planejado minha morte porque esse tumor é recorrente. Com esse negócio de que Deus está me curando, tenho que começar tudo de novo, reprogramar minha vida."