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Notícia da edição impressa de 05/11/2009

Woodhead diz na Expocargo que a recuperação vai demorar
Portos estrangeiros pretendem ampliar transações com o Brasil

Woodhead não crê em recuperação rápida na movimentação Marco Quintana/JC

Woodhead não crê em recuperação rápida na movimentação Foto: Marco Quintana/JC

As possibilidades de crescimento do comércio exterior brasileiro após a crise financeira internacional é o assunto que tem dominado as discussões da 10ª Feira de Comércio Exterior e Logística (Expocargo 2009), que acontece no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. O evento, que se encerra hoje, reúne 60 expositores, grande parte dos representantes de empresas prestadoras de serviços aos diversos segmentos importadores e exportadores.

Para a maioria dos participantes, a estimativa é de que as perdas sofridas devido à crise não deverão ser superadas em breve. "Especialmente em relação a contêineres, não há recuperação", apontou Frank Cranston Woodhead, diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs) e presidente da empresa CTIL Logística. Segundo ele, a diminuição do consumo internacional de bens e as oscilações do câmbio, que prejudicaram os exportadores brasileiros, fizeram com que a CTIL reduzisse sua quantidade de contêineres exportados de 10 mil para 7,8 mil entre outubro de 2008 e outubro deste ano. "Devemos fechar 2009 com números equivalentes a 2005, ou seja, regredimos três anos", afirmou.

A Hamburg Süd, controladora da Aliança Navegação e Logística, também sofreu os impactos da recessão, com uma redução de 25% no volume exportado em 12 meses desde outubro de 2008. Até o final de dezembro, a movimentação da empresa deve ficar em torno de um milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Parte desse número deve ser alcançado graças ao aumento das importações, que geralmente ocorre no final do ano devido ao comércio de brinquedos e alimentos gerado pelo período natalino. No entanto, a queda nas exportações, ocorrida principalmente no primeiro semestre, ainda afeta a empresa. "O ano de 2009 é para ser esquecido, e esperamos que 2010 seja um recomeço em termos de volume, recuperação de frete e mercado", afirmou Renê Wlach, gerente da empresa para a região Sul do Brasil.

A esperança de que o próximo ano reative o movimento das empresas exportadoras brasileiras é o motivo que traz à Exporcargo 2009 representantes de portos estrangeiros. "O País está cada vez mais importante no cenário econômico mundial, por isso precisamos estar aqui para procurar produtos e cargas e oferecermos nossos serviços", explica Madeleine Onclinx, representante no Brasil do Porto de Antuérpia, na Bélgica. O terminal portuário, que é o sexto maior em circulação do mundo, gera 6% do PIB belga, o qual atingiu US$ 390,5 bilhões em 2008. Do movimento gerado no porto com a América do Sul, o Brasil representa 59%.

Outro terminal que pretende aumentar seu intercâmbio com o Brasil é de Houston, no Texas, Estados Unidos. O interesse de seus administradores em incrementar negócios com empresas brasileiras se verifica já há três anos, quando foi instalado em São Paulo o primeiro escritório internacional do porto texano. "Queremos estreitar nossas relações comerciais, especialmente nas áreas de petróleo, gás, energia e construção civil", destaca John Cuttino, representante do Porto de Houston no Brasil.

A expectativa de Cuttino é retomar o crescimento no comércio binacional através do terminal texano. Em 2008, as trocas comerciais com o Brasil em Houston somaram US$ 7,19 bilhões, um crescimento de 30% em relação a 2007. No entanto, devido à crise, o representante norte-americano acredita que a queda registrada em 2009 deverá chegar a outros 30%. "Nosso objetivo é apoiar os exportadores brasileiros para que continuem enviando seus produtos aos Estados Unidos, especialmente agora que a economia norte-americana já apresenta sinais de recuperação", afirmou.

 Governadores devem formalizar Ferrosul até o final do ano

Os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul devem assinar até o final do ano um protocolo para a criação da Ferrosul. O objetivo é integrar os quatro estados com uma malha ferroviária administrada através de uma operadora pública de propriedade dessas unidades da Federação. Em outubro, a governadora Yeda Crusius já havia anunciado que iria buscar a união do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) para expandir a malha ferroviária da região.

O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, destaca que além de recursos, a implantação da Ferrosul também necessitará de apoio político. Ontem, na Assembleia Legislativa, foi instalada a Comissão de Representação Externa para debater essa questão. A cerimônia foi conduzida pelo presidente da Casa, deputado Ivar Pavan (PT). Ele ressaltou a importância da extensão de um ramal ferroviário até o porto de Rio Grande para suprir a deficiência de circulação de mercadorias entre os quatro estados do Codesul.

Outro deputado envolvido com o tema, Jerônimo Goergen (PP), já solicitou audiência com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, para discutir o projeto da nova empresa ferroviária. Este conjunto de ações, explica ele, busca acelerar os trâmites legais para viabilizar a Ferrosul. "A ideia principal é agilizarmos toda a parte protocolar, formal e legislativa em torno deste projeto", ressalta Goergen.

 

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