Os consumidores de terceira idade que transitam na Praça da Alfândega são minoria, mas diariamente marcam presença entre os estandes de livros da Feira. E sabem o que procuram. Em geral são obras literárias, poesias, livros de história e filosofia, mas também adquirem guias de viagem e livros de autoajuda. Em sua maioria são esclarecidos, gostam de conversar com o livreiro e valorizam publicações sobre a história do Rio Grande do Sul e biografias de gaúchos.
“O atendimento ao pessoal da terceira idade tem que ser qualificado, acima da média. A equipe de vendas tem de estar preparada para disponibilizar informações e fazer boas indicações para este público”, comenta Vitor Zandomeneghi, representante dos livreiros na Câmara Rio-Grandense do Livro.
Proprietário da livraria Terceiro Mundo, Zandomeneghi cita José Saramago, Gabriel García Márquez e Rubén Loza na lista de autores mais procurados por seus leitores maduros. “Os homens, de forma geral, gostam menos de ficção do que as mulheres, e para o público acima dos 60 anos isso ainda é válido”, ressalta. Ainda segundo o representante dos livreiros, a ala masculina da terceira idade é mais preocupada com a história política recente brasileira, enquanto a preferência das mulheres é por romances.
Na banca da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes (Agei), a demanda por romances e poesias chega a 50% entre os consumidores, de acordo com Vilson Quadros, presidente da entidade. Ele confirma que as mulheres são as mais interessadas pelo assunto, e garante que os livros de autoajuda não encabeçam a lista dos mais procurados. “A média de procura deste tipo de publicação na banca da Agei é de cerca de 15%”, estima Quadros.
Comprando conhecimento desde a infância
O gosto pela leitura, que leva o pecuarista Paulo de Tarso, 66 anos, a percorrer todos os pavilhões da Feira, garimpando livros de história, surgiu quando ele ainda era criança. Na biblioteca do pai (o ex-deputado Aristides Milano), ele entrou em contato com o primeiro de uma série de livros que juntos contribuíram para o conhecimento da história do Brasil e do Rio Grande do Sul. Casado, pai de dois filhos, Paulo é o único leitor “compulsivo” da casa. “Eu devoro livros”, brinca.
Nesta edição da Feira do Livro, o pecuarista já iniciou a busca pela aquisição de mais títulos, que após serem lidos, dividirão espaço com aproximadamente outras três mil obras, que descansam em sua biblioteca pessoal. Nas sacolas com logotipos de livrarias diversas, ele carregava na tarde desta segunda-feira publicações como Paulo, Apóstolo dos gentios, de Rinaldo Fabris (Paulinas) e O Integralismo no Pós-Guerra, de Gilberto Grassi Calil (EdiPucrs). “Ainda quero encontrar História da 2ª Guerra Mundial, do William Shirer. É um livro publicado entre as décadas de 50 e 60, mas que foi reeditado”, explica.
Também com a intenção de aumentar seu acervo pessoal (composto de romances, poesias, ensaios e livros de arte), a restauradora Maria Vianna, 63 anos, investiu na caminhada entre os estandes da Feira. Acabou encontrando um título com temática diferente da que está acostumada a ler: “Comprei Caminhos do Sul, de Ivan Pedro Martins (Movimento), porque minhas raízes são do interior do Estado e li que ele cita o “corredor”, o caminho por onde passavam os tropeiros para as fazendas. Isso lembra muito a minha infância”, relata.
O administrador Valdir Luzia, 61 anos, diz que não se limita a Feira do Livro para comprar novos títulos. “Gosto de ler gêneros que acrescentem, que sejam formativos”, ressalta. “Estou sempre em busca de conhecimento. É assim que me fortaleço”. Entre os volumes que adquiriu na Feira, Luzia cita O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - uma “reposição, pois o de casa já está surrado”.