Um dia depois de ver sepultada pela base aliada na Assembleia Legislativa o pedido de impeachment que tramitava contra ela, a governadora Yeda Crusius (PSDB) voltou a “enfrentar” a imprensa, ontem pela manhã, no Palácio Piratini.
Dona Yeda justificou seu retorno à mídia como solução para resolver todas as dúvidas dos gaúchos com relação a sua atuação na chefia do governo do Estado: “segmentos radicais da oposição tem conseguido lançar dúvidas quanto à honradez da governadora, eleita pelo voto popular. Mesmo que não haja uma única prova, sei que eles não vão parar”.
A governadora disse que há solidariedade enorme do povo para com ela. Dizendo-se candidata à reeleição, dona Yeda reconhece que cometeu dois erros graves: escolher Paulo Feijó (DEM) como candidato a vice-governador e comprar uma casa para morar, tão logo se elegeu.
Ela reiterou que foi uma compra legal, limpa e transparente, ainda que tenha provocado desconfiança na população. A governadora, emocionada durante o desabafo e na presença do secretariado, declarou-se vítima de ataques infundados e injustos: “sofri na pele a dor da injustiça”, reclamou.
Ao falar sobre o Detran, Yeda Crusius disse que não errou, relatando detalhes de suas decisões, tão logo soube do escândalo. Durante a entrevista coletiva à imprensa, dona Yeda também falou sobre a compra de móveis, feitas pelo governo para mobiliar a sua residência.
Livre das acusações, Yeda Crusius anunciou que “vai andar pelo Rio Grande e conversar com os gaúchos, desfazendo às dúvidas que por ventura ainda existam”.
De olho na reeleição.
Articulações
Orestes Quércia (PMDB), ex-governador de São Paulo, anda articulando pelo Rio Grande com vistas a buscar apoio do PMDB regional para a candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República. Sem ter procurado a governadora Yeda Crusius, correligionária de Serra, Quércia já falou com o ex-governador Germano Rigotto (PMDB) e com o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), dois prováveis candidatos ao governo do Estado. O deputado federal Eliseu Padilha, secretário geral do diretório é favorável à articulação. Não se sabe ainda qual é a posição do senador Pedro Simon, presidente do PMDB gaúcho. Depois de algumas brigas internas é possível pensar que o que é bom para Padilha, talvez não seja bom para Simon.
Aliança
Tudo acertado: o PMDB nacional apóia a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) à presidência da República e garante participação na chapa, com o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), como candidato à vice. Ciro Gomes, do PSB, que almeja concorrer, descontente com o acordo, saiu-se com essa: “espero que o PMDB entregue o que está prometendo. Espero também que os termos da aliança, sejam confessáveis”. Amigo, hein!!! Vem chumbo grosso, aí.
Obras e comícios
Sem precedentes as críticas do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, à visita feita pelo presidente Lula, Dilma Rousseff, Ciro Gomes, Aécio Neves e comitiva às obras de transposição do rio São Francisco. Mendes qualificou a visita como um “vale-tudo”. “É lícito transformar um evento rotineiro de governo num comício? Se houver desigualdade na disputa eleitoral, o órgão competente da Justiça tem que ser chamado para evitar esse tipo de vale-tudo. Pelas descrições que vimos na mídia, está havendo sorteio, entrega, festas, cantores. Em suma, isto é o modo de fiscalizar tecnicamente uma obra?” Bah!!! Me caíram os butiás dos bolsos!!!