Por 30 votos a 17, a base governista na Assembleia Legislativa garantiu com folga o arquivamento do processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB), protocolado pelo Fórum de Servidores Públicos Estaduais.
A votação de ontem aprovou o parecer da relatora, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), que não encontrou razões para dar seguimento à denúncia de participação da governadora na fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran devido à falta de “justa causa” nos fatos examinados.
A oposição, que previa a derrota diante da maioria aliada, não abriu mão de utilizar o tempo de tribuna para contestar o documento produzido pela tucana e considerado “chapa-branca”.
A polarização entre base governista e oposição também se reproduziu na ocupação das galerias do plenário: de um lado, perto da bancada do PSDB, os apoiadores do governo; de outro, na área próxima à bancada do PT, os integrantes dos sindicatos que compõem o Fórum de Servidores. A manifestação dos grupos alternava vaias e aplausos.
Em dois momentos, os ânimos se acirraram entre os ocupantes das galerias. Um apoiador de Yeda foi acusado de ter ameaçado e agredido um estudante que defendia o impeachment da governadora.
Outra situação foi provocada por um estudante que lançou um tomate no plenário em direção aos deputados da base. As duas ocorrências foram registradas pela segurança da Casa.
Por aproximadamente três horas, apenas os parlamentares da oposição ocuparam a tribuna. O primeiro a falar, em nome do PCdoB, foi Raul Carrion. O tempo da bancada do PT foi dividido entre os deputados Raul Pont, Adão Villaverde, Stela Farias, Elvino Bohn Gass, Ronaldo Zülke e Marisa Formolo. Pelo PDT, manifestaram-se Gilmar Sossela e Paulo Azeredo. Também fizeram uso da palavra os deputados Miki Breier (PSB) e Marquinho Lang (DEM).
Na maior parte da sessão, a base aliada deixou os oposicionistas falando sozinhos. Eles ficaram concentrados no salão Júlio de Castilhos, na entrada do plenário, e optaram por não usar a tribuna.
De acordo com a deputada Zilá Breitenbach, a estratégia teve como objetivo agilizar a votação.
“Vamos falar em outras oportunidades. Já apresentamos o nosso parecer e seria repetitivo. A decisão de instituir a comissão foi técnica e política, assim como a de arquivar o pedido de impeachment”, justificou Zilá, que até domingo presidia o PSDB estadual.
“Para segurar o pessoal aqui até agora foi um problema, imagina se começássemos a falar. Seriam mais três horas”, completou o líder do governo, Pedro Westphalen (PP), ao exaltar a vitória: “A questão está encerrada. Ficamos muito satisfeitos com o resultado.”
Antes mesmo de confirmados os números finais da votação, os apoiadores do governo que ocupavam parte das galerias começaram a comemoração. Depois do anúncio, a festa tomou conta do plenário.
Eles gritaram entusiasmados o nome de Yeda e também parabenizaram Zilá e Westphalen pela atuação em favor do governo. Neste momento, do lado de fora foram ouvidos fogos de artifícios, que teriam partido de um caminhão estacionado ao lado da Assembleia.
Ao final, eles foram até a frente do Palácio Piratini festejar, com cartazes que diziam: “Enquanto eles atacam... Yeda faz o Rio Grande crescer”.
O grupo que defendia o impeachment chamou os governistas de “quadrilha” e seguiu entoando “Yeda, pode esperar, a tua hora vai chegar”, enquanto deixava o plenário.

Oposição aposta nos desdobramentos da CPI da Corrupção
Diante da derrota na votação do parecer que pedia o arquivamento do processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB), os deputados da oposição apresentaram, minutos antes, um voto em separado - o que na prática não irá alterar o resultado.
Os oposicionistas apostam agora nos desdobramentos da CPI da Corrupção, que segue até o final de dezembro na Assembleia Legislativa. Em especial, pretendem se concentrar na análise dos documentos que integram a Operação Solidária, disponibilizados pela Justiça Federal à comissão.
A Solidária foi instaurada pela Polícia Federal para apurar fraude em licitações e na compra de merenda escolar em municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre - e posteriormente desdobrada em pelo menos 14 inquéritos, alguns deles envolvem agentes ligados ao governo do Estado.
Como o processo segue em sigilo, o material repassado à CPI começará a ser examinado em reunião fechada na manhã de hoje. “A partir de uma avaliação preliminar, observamos que há grande discrepância nas operações financeiras. São informações bombásticas”, antecipa Elvino Bohn Gass (PT). “Aqui a matéria está encerrada, mas na CPI vamos seguir a investigação. E, se tiver fato novo, não descartamos um novo pedido de impeachment”, avisa o líder petista.