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PRÊMIO O FUTURO DA TERRA Notícia da edição impressa de 20/08/2012

Sílvia Miotto: Forrageiras nativas são grandes aliadas da pecuária

FREDY VIEIRA/JC
Estudo de Sílvia Miotto destaca 16 leguminosas endêmicas com potencial econômico
Estudo de Sílvia Miotto destaca 16 leguminosas endêmicas com potencial econômico

A produção rural na região Sul do Brasil está a um passo de uma mudança drástica, com a introdução de espécies nativas de forrageiras como alternativas economicamente viáveis ao produtor rural. Quem faz essa previsão é a professora Sílvia Miotto, do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e responsável por diversas pesquisas voltadas à descrição de plantas nativas.

No ano passado foi publicado, pelo Ministério do Meio Ambiente, o livro Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial, Plantas para o Futuro - Região Sul. Nesse volume, a pesquisadora gaúcha assina um capítulo sobre forrageiras (Fabaceae), n qual descreve 16 leguminosas endêmicas da região, que podem ser de grande importância na diversificação dos cultivos, sobretudo para a agricultura familiar.

“O inverno no Rio Grande do Sul é mortal para a pecuária. Sem o cultivo de forrageiras, não tem como garantir alimentação para o gado. Porém, se um agricultor resolve plantar uma espécie nativa, esbarra na falta de oferta comercial de sementes. Todas as sementes à venda são exóticas. Com a descrição das plantas nativas com maior potencial, é possível que os pesquisadores da área da Agronomia consigam avançar a ponto de essas plantas se tornarem alternativas reais para o produtor”, explicou a pesquisadora, que é professora de disciplinas como a Botânica Agrícola.

Esse trabalho, que ganhou destaque na publicação do último ano, está baseado em uma trajetória de aproximadamente 40 anos de estudos florísticos e taxonômicos. Sílvia concluiu seu doutorado em 1991 e, desde então, orienta pesquisas no Programa de Pós-Graduação em Botânica. “São pesquisas básicas. O que fazemos é descrever as plantas, identificamos sua família, seu gênero e sua espécie. Muitas vezes, quando percebemos que aquela planta ainda não foi descrita pela ciência, damos um nome a ela”, contou a professora da Ufrgs.

E é, segundo a pesquisadora, a falta desse conhecimento mais básico que vem travando o avanço do uso comercial das espécies nativas na agropecuária brasileira. Conhecer a planta, o microclima a que ela se adapta, como é feita a polinização e qual é seu ciclo de vida é essencial para que os técnicos possam olhar as espécies com mais atenção e interesse comercial. Apesar dos esforços para ampliar o conhecimento, Sílvia pondera que os alunos de Botânica, Ecologia e, sobretudo, Agronomia, recebem muito mais informação sobre espécies exóticas.

“Cerca de 90% das espécies apresentadas aos alunos em sala de aula são exóticas, porque já se conhecem todas as características dessas plantas. A alfafa, por exemplo, é uma forrageira simples de cultivar, pois se sabe exatamente como ela funciona, quando se deve plantar, quanto ela produz e a que tipo de clima ela se adapta melhor. Com as plantas nativas é preciso avançar nessa segunda etapa da pesquisa, onde eu já não me  envolvo”, explicou. 

Degradação extingue espécie desconhecida

O avanço das pesquisas taxonômicas (de descrição das plantas) tem mostrado que ainda é muito grande o universo de espécies nativas do bioma Pampa desconhecidas pela ciência. Além da satisfação de lançar luz sobre herbáceas desconhecidas, o trabalho dos cientistas tem ganhado outro propulsor: o receio de perder espécies para a degradação. Conforme a pesquisadora da Ufrgs Sílvia Miotto, a destruição desse ambiente típico do Sul do Brasil é uma ameaça constante.

Ela afirma que é grande o número de plantas raras em situação de risco. “Com o levantamento de dados sobre a biodiversidade, aliado ao conhecimento dos padrões de distribuição geográfica e dos habitats preferenciais das plantas, é possível a indicação de espécies ou de ecossistemas prioritários para a preservação e conservação no Estado”, disse Sílvia. As pesquisas partem de expedições científicas e de levantamento florístico em diferentes regiões, que ampliam o conhecimento sobre as espécies nativas. Dessa forma, a professora da pós-graduação afirma que é possível preencher a lacuna de conhecimento da biodiversidade do Rio Grande do Sul para, depois, fortalecer os estudos de conservação, manejo e utilização de recursos genéticos vegetais. Entretanto, Sílvia argumenta faltam especialistas em taxonomia vegetal, o que impacta na habilidade de conservação.

PRÊMIO ESPECIAL

João Mielniczuk: Revista Ciência Rural - Professor Titular Aposentado do Depto. de Solos da Ufrgs.
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
Ilsi Boldrini: Professora associada da UFRGS/ Instituto de Biociências.

Silvia Terezinha Sfoggia Miotto: Professora Associada da UFRGS do Instituto de Biociência, Departamento de Botânica
CADEIAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Algenor da Silva Gomes, Pesquisador Aposentado da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS).

David Driemeir, Professor da Veterinária da Ufrgs.
TECNOLOGIA RURAL
Ronaldo Matzenauer, Fepagro.

César Valmor Rombaldi, Professor Titular da Ufpel, Departamento de Agronomia.
NOVAS ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS
Sérgio Francisco Schwarz, professor adjunto da Ufrgs, departamento de horticultura e silvicultura.

Celso Aita, Professor Associado da UFSM/Depto. Solos.
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