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Síria Notícia da edição impressa de 15/08/2012

ONU tenta ampliar ajuda humanitária na Síria
Segundo o Acnur, número de refugiados nos países vizinhos chega a 157 mil pessoas

STR/AFP/JC
Chefe de Assuntos Humanitários, Valerie Amos se reuniu com representantes do governo em Damasco
Chefe de Assuntos Humanitários, Valerie Amos se reuniu com representantes do governo em Damasco

A chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos, chegou ontem à Síria em busca de um acordo para ampliar a ajuda a moradores retidos ou desabrigados por causa dos combates entre rebeldes e forças governamentais.

Centenas de civis chegam diariamente a países vizinhos como refugiados, muitos deles feridos ou contando terem sido alvejados em regiões fronteiriças, segundo o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

Valerie, que chegou à Síria num comboio vindo do Líbano, se reuniu em Damasco com autoridades locais, inclusive o vice-chanceler Faisal Medad, e com funcionários da ONG Crescente Vermelho.

“Ela está lá para expressar sua gravíssima preocupação com a situação”, disse seu porta-voz, Jens Laerke, em entrevista coletiva. “Valerie irá examinar a situação no terreno e discutirá com o governo e os parceiros humanitários sobre como ampliar a reação na Síria.”

A crise humanitária se agravou no último mês no país, com a escalada dos combates em Damasco e Aleppo, as duas principais cidades sírias. Cerca de dois milhões de habitantes já foram afetados pela crise dos últimos 17 meses, e estima-se que haja cerca de um milhão de deslocados internos. Valerie discute formas de ampliar a ajuda emergencial aos civis, mas diplomatas dizem que isso só poderá efetivamente ocorrer quando os combates recuarem.

A burocracia e a insegurança dificultam, nos últimos meses, os esforços da ONU para montar uma ampla operação humanitária. Além disso, segundo Laerke, apenas 40% dos US$ 180 milhões solicitados neste ano pela instituição para ações humanitárias na Síria foram supridos até agora.

A ONU assegurou ainda que redobrou os esforços para aumentar a capacidade de registros de refugiados sírios nos países vizinhos. “O registro é importante porque sem ele as pessoas podem encontrar dificuldades para receber assistência e serviços básicos”, disse em Genebra o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards. As estatísticas oficiais elaboradas até agora pelo organismo indicam 157 mil refugiados registrados na Jordânia, Líbano, Iraque e Turquia.

A Turquia, localizada a 50 quilômetros de Aleppo, uma das principais cidades sírias, recebeu dez mil refugiados só nos últimos quatro dias, chegando a 60 mil o número de sírios no país vizinho, segundo o Acnur.

Metade deste número é composto por crianças, e algumas delas já estão provisoriamente na escola. A Turquia planeja abrir mais dois acampamentos nos próximos dias.

No Iraque, os refugiados sírios são cerca de 14 mil, e no Líbano chegam a 40 mil, sendo que 57% deste número se concentra no Norte do país, região próxima à cidade síria de Homs, uma das mais atingidas pelo conflito.

Diante do grande número de sírios no Líbano, o Acnur abriu nesta semana um centro de registro em Trípoli com capacidade para atender a 700 pessoas diariamente, o que permitirá que os refugiados possam contar com assistência médica e que as crianças comecem o ano letivo em colégios locais no próximo mês.

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