Servidores públicos aposentados e pensionistas de
todo o
país promoveram nesta terça-feira (7) na Câmara dos Deputados um ato em favor da
aprovação
da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a cobrança da
contribuição previdenciária de 11% que incide sobre o benefício de
inativos que
recebem acima o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
atualmente
em R$ 3.916,00.
O mecanismo é considerado injusto por associações
de classe
que defendem os direitos dos aposentados. "A cobrança fere a lógica. É
um
atentado aos direitos dos aposentados", disse Carlos Mota, autor da PEC
na
época em que era parlamentar.
Preste a completar 93 anos, a presidente da
Associação de
Pensionistas da Previdência de São Paulo, Laura Martinez, disse que a
taxação
dos benefícios dificulta a vida dos aposentados. "Estamos pagando a
Previdência
pela segunda vez. Temos que lutar, é um direito nosso", ressaltou.
Apesar da falta de apoio parlamentar, o presidente
do
Movimento dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas (Mosap),
Edison
Guilherme Haubert, disse que a ideia é aproveitar o período de eleições
municipais para pressionar os deputados a votarem a PEC. 'Essa é a
continuação
de um trabalho. Precisamos pressionar o Congresso. Vamos ir de gabinete
em
gabinete cobrando dos deputados uma posição', disse Haubert à Agência
Brasil.
"O argumento do governo de que a Previdência será
prejudicada com o fim da taxação não procede. Abrimos mão do pagamento
retroativo do que já foi descontado, mas é preciso acabar com essa
taxação",
acrescentou o presidente do Mosap. Na proposta reapresentada pelo
deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), o fim da contribuição ocorrerá de maneira
progressiva.
Pelo texto aprovado na comissão especial que
analisou a
matéria, a contribuição teria um desconto de 20 pontos percentuais ao
ano a
partir dos 61 anos de idade até ser zerada aos 65 anos. O texto prevê
ainda que
contribuição não será cobrada na hipótese de invalidez permanente do
titular do
benefício.
A PEC está pronta para ser votada pelo plenário da
Câmara,
mas ainda não há acordo para votação. Ela precisa ser aprovada em dois
turnos e
depois seguir para a análise e votação dos senadores.