O mensalão que está em julgamento no Supremo Tribunal Federal foi o causador de profundas mudanças políticas no governo Lula, e poderá trazer alterações políticas para o futuro do PT e do País. Depois do mensalão, “nada do que foi será”. Por ironia do destino, o escândalo está irremediavelmente ligado à ascensão política de Dilma Rousseff (PT) e deverá influir positiva ou negativamente no futuro da presidente da República. Dona Dilma, no entanto, nada fez para que isso acontecesse. Ela era uma pacata ministra de Minas e Energia do governo Lula quando surgiu o escândalo, envolvendo o homem forte de seu governo: o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Pressionado pela base política do Congresso, Lula sugeriu a Zé Dirceu - acusado de formação de quadrilha - que pedisse demissão. Naquele momento, era insustentável a sua permanência como o verdadeiro primeiro-ministro de Lula. Assim foi feito. Sem ter o plano B - o substituto de José Dirceu, Lula foi buscar Dilma, a menos de dois quilômetros do Palácio do Planalto, no Ministério de Minas e Energia. Tida como boa gestora, Dilma foi convocada para assumir a vaga e nela se impôs até ser escolhida como candidata à sucessão do chefe. Foi um processo meteórico.
Dizem que, hoje na presidência, Dilma não quer nem ouvir falar do mensalão. Isso, não é absolutamente verdadeiro. Ninguém desconhece - nem Dilma - que, dependendo do resultado do processo que se iniciou na quinta-feira, o PT se manterá hegemônico na política brasileira. Ou não. Se José Dirceu for condenado, Lula possivelmente não será candidato à presidência da República em 2014. Nesse caso, Dona Dilma terá a seu favor todas as condições para tentar a reeleição. Explico: hoje, quem domina – em números – o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores é a facção liderada por José Dirceu, que pretende - em 2014 - aprovar o nome de Lula como candidato à sucessão de La Rousseff.
Em caso de condenação de José Dirceu, os petistas que apoiam a reeleição de Dilmaconquistarão a maioria do diretório e a farão candidata. Isso é previsível e factível. Então na verdade, o julgamento do mensalão não pode ser visto isoladamente. Ele precisa ser visto com uma lente grande angular para ser analisado por todos os níveis. Seu resultado poderá acarretar consequências marcantes na sociedade brasileira. Durante todo o mês, o julgamento do mensalão ocupará o tempo de políticos, de juristas e do povo em geral. Ontem, apenas iniciou. Muita coisa está por vir. Aguardemos ansiosos que o julgamento aconteça sem acidentes de percurso. É melhor para todos e para a Democracia.
Recesso prolongado
O peemedebista Sebastião Melo quer dedicar mais tempo à campanha para a prefeitura. Ao contrário de seu companheiro de chapa José Fortunati, o candidato a vice-prefeito preferiu se licenciar e deixou as atividades na Câmara de Vereadores. Quatro suplentes assumirão a vaga em rodízio até sua volta: Doutor Raul, João Pancinha, Paulo Marques dos Reis e André Carús.