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Repórter Brasília Edgar Lisboa | edgarlisboa@jornaldocomercio.com.br

Repórter Brasília

Notícia da edição impressa de 03/08/2012

Rádio digital até o fim do ano

O sistema de rádio digital que o Brasil irá adotar será anunciado no segundo semestre de 2012. O relator da subcomissão da Câmara dos Deputados que irá fazer uma indicação do melhor sistema para o Ministério das Comunicações, deputado Sandro Alex (PPS-PR), quer fazer o anúncio no dia 25 de setembro. Ainda se discute qual o sistema que o País adotará, mas já se sabe que a briga é entre o americano (HD) e o europeu (DRM). No caso, o dos Estados Unidos coloca as bandas AM e FM no mesmo sistema, enquanto o europeu trata cada uma com um sistema diferente. O sistema japonês não se qualificou porque ainda não foi implantado no país de origem. Já outro sistema europeu, o DAB, foi deixado de fora porque separava o produtor de conteúdo do transmissor em duas entidades diferentes. Segundo Alex, a decisão irá beneficiar o sistema que for melhor para a banda AM. “Se contemplarmos o AM, contemplaremos todos”, comentou. A decisão em torno do sistema de rádio digital está sendo monitorada de perto pelas mais de 10 mil emissoras brasileiras, mas Sandro Alex está mais atento ao ouvinte. “Quero uma decisão benéfica para os ouvintes, radiodifusores, etc. Mas, principalmente, quero contemplar o ouvinte. O brasileiro ama rádio. E essa tecnologia vai viver uma nova fase nos próximos anos.”

Sistema com dados abertos

A presidente do consórcio europeu DRM, Ruxandra Obreja, afirma em e-mail enviado à coluna que o sistema é “perfeito para o AM, já sendo utilizado sem apresentar falhas em todo o mundo por cerca de 10 anos”. Ruxandra defende que o “DRM é um sistema global, aprovado pelas principais organizações de telecomunicações do mundo. Aberto e transparente, permite fácil acesso a qualquer pessoa que queira implementar, melhorar ou simplesmente compreendê-lo”.

Mais produtos no rádio

Para o empresário gaúcho, Marcelo Goedert, que atua há 25 anos no mercado de rádio, em Brasília, “com o rádio digital, o ouvinte terá mais produtos em seu rádio, além de mais qualidade sonora, isso será igual para os dois sistemas. O que os dois sistemas oferecem, em termos técnicos, não varia muito, e, para o ouvinte, não vai fazer muita diferença. O único custo que o ouvinte terá será a compra do novo aparelho receptor de rádio digital, o que realmente importará pra ele é o preço deste aparelho. No caso do DRM, o preço tende a ser menor porque a tecnologia é aberta, e a indústria não terá que pagar eternos royalties”.

Outra diferença para o ouvinte será a evolução do sistema nas próximas décadas, pois esse desenvolvimento pode aumentar ou não a quantidade de produtos e serviços oferecidos pelo rádio digital. O DRM leva vantagem novamente, pois já tem universidades brasileiras desenvolvendo softwares para rodarem juntamente com o DRM. Isso só acontece pelo sistema não ter “caixas-pretas” dentro dele, como o HD Rádio tem. O DRM permite termos no futuro um sistema brasileiro, como acontece atualmente com a TV.

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