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Enviado da ONU disse ser “impossível” abrir processo político
Kofi Annan renunciou nesta quinta-feira ao cargo de enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria. O anúncio foi feito por meio de um comunicado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em meio ao aumento da violência no país.
Ban anunciou “com profundo pesar” a renúncia de Annan, que foi nomeado para o posto no dia 23 de fevereiro.
“O senhor Annan informou a mim e ao secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, a intenção de não renovar seu mandato, que expira em 31 de agosto de 2012”, informa Ban no texto, acrescentando que ele e Elaraby agora dialogam para escolher um sucessor para Annan. “Kofi Annan merece nossa profunda admiração pela forma altruísta com que usa suas habilidades formidáveis”, escreveu ainda.
Annan havia proposto em abril, mês da chegada dos observadores internacionais à Síria, um plano de cessar-fogo para dar fim ao conflito. No entanto, nem o governo nem a oposição respeitaram o acordo.
Na segunda-feira, Ban afirmou que ao menos dois milhões de pessoas já foram afetadas pelo conflito sírio entre o governo e a oposição desde março de 2011. Segundo ele, caso não haja uma ação rápida, os enfrentamentos poderão ser expandidos para os países vizinhos.
“Uma guerra sectária poderia afetar gravemente os vizinhos da Síria, Turquia, Iraque, Líbano, Jordânia e Israel. A resposta não deve ser com mais combates. A militarização desse conflito só aumentaria a devastação e prolongará o sofrimento.”
Annan disse que deixou o posto por considerar “impossível” dar os passos necessários para um acordo político que ponha um fim ao conflito no país árabe. “É impossível, para mim ou para qualquer outra pessoa, convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político”, disse ele em entrevista coletiva em Genebra, na qual voltou a denunciar a falta de unidade na comunidade internacional para pôr fim a 17 meses de conflito armado. “Por esta razão, informei ao secretário-geral da ONU que não tenho intenção de manter minha missão quando ela terminar, no final de agosto”, explicou. Annan considera, no entanto, que a “Síria ainda pode ser salva da pior das calamidades”, embora, para isso, precise que “a comunidade internacional mostre a liderança necessária”.
Pelo menos 60 pessoas morreram nesta quinta na Síria em confrontos entre as tropas do regime de Bashar al-Assad e opositores, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos. A entidade informa que a maioria das mortes aconteceu nos subúrbios de Damasco. As estimativas do grupo, sediado em Londres, são menores do que o cálculo dos Comitês de Coordenação Local, sediados na Síria, que registram 77 óbitos, sendo 50 em combates em Artouze, próximo à capital.
Mais cedo, rebeldes bombardearam com um tanque roubado das forças de Assad uma base aérea do regime em Menagh, próximo a Aleppo, segunda maior cidade do país, onde os combates são intensos desde a semana passada.