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08/11/2012 - 20h21min

Novos poetas na Praça da Alfândega

Deborah Cattani

João Mattos/JC
Afonso e Tárik trocam ideias e poesias
Afonso e Tárik trocam ideias e poesias

Eles não têm medo da página em branco. Adolescentes, porém com a mente à frente de seu tempo. Os jovens escritores Tárik Matthes e Afonso Antunes não se assustam com seus sentimentos e suas ânsias de expô-los no papel. Ambos lançaram sua primeira obra este ano e autografam na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Tárik é um menino simples, gosta de andar na rua, observar as coisas e divagar. Por isso, sua obra carrega o título de Pré-devaneio (AGE). “O pré-devaneio é como se fosse a preparação para a mente do indivíduo, sobre o que vai vir. No devaneio, aparecem essas figuras do amor”, explica ele, que completou 16 anos em abril. 

O livro de 109 páginas – com capa exclusivamente desenhada pela namorada de Tárik, Gabriela Cunha – aborda assuntos como paixão e sexo. “Tem muitas partes autobiográficas”, afirma Tárik. Curiosamente, ele esclarece que a idade não o impede de conhecer certas sensações da vida, cuja experiência é fundamental. 

“O que abriu as portas para eu entender a existência foi uma leitura que fiz tempos atrás. O livro A brisa da manhã, do Charles Morgan, explica que o amor dos jovens é o mais puro. Por isso, as pessoas não deveriam achar que isso não é nada, afinal, esse amor jovem é aquele que não conheceu o trabalho, as dificuldades do dinheiro e as aparências”, conta.

Aos 15 anos, ele desenvolveu o texto em dez meses sem falar nada para ninguém. Com o intuito de relatar uma coisa do momento, antes que se acabasse, Tárik esclarece que começou a escrever sem a ideia de ser um livro: “Na verdade, na época, eu era um pouco inocente. Eu não sabia ainda o que estava fazendo, só sabia que tinha composto um poema.”  Depois da experiência, o jovem que não era muito de ler e não tinha boas notas passou a prestar atenção nas aulas, principalmente as de literatura. A percepção aguçou a vontade dele de buscar novas fontes. “Eu já tinha escrito algumas coisas, mas não do mesmo jeito, nem com a mesma importância”, afirma.

A inspiração para tudo isso não vem de um lugar, é metafísica, ele explica. O convívio com os pais sempre foi bom, eles não o obrigaram a ler e escrever mais do que qualquer outra família normal. A mãe de Tárik também publicou um livro, porém não o ensinou a arte da poesia, ele conta que aprendeu sozinho: “E mesmo que tivesse influenciado, eu acho que isso surgiu de mim.”

Afonso, que é amigo de Tárik, partilha de uma vivência parecida. “Eu sempre gostei mais da literatura do que das outras matérias. Foi nela que eu comecei a me interessar por poesia em si”, ele diz. Autor de Poesia de domingo (AGE), Afonso aponta que o gênero é sua terapia. “Toda a minha infância está no livro. Tem um capítulo chamado Ressaca, e o subtítulo é Trago da infância. E, pelo viés da psicanálise, esse período da vida é muito importante na nossa formação”, afirma. 

Ele completa 18 anos em dezembro, mas escreve desde os seis. Mais tímido e introspectivo, Afonso lembra de ter começado a colocar no papel histórias e poemas avulsos desde bem pequeno. Foi o pai que o convenceu a juntar os recortes e tentar montar um livro. “Com o tempo eu fui construindo uma ideia em comum entre os poemas, dei o título e dividi a partir das ideias que eu tinha”, ele ilustra que foi assim que nasceu Poesias de domingo.

A figura paterna foi de grande influência e inspiração, afinal o pai de Afonso que idealizou o trabalho. “Meu pai escreve desde que eu me conheço por gente, só que ele nunca publicou. Ele tem medo da crítica e de se expor, que é uma coisa que eu nunca tive”, revela.

Agora, ele faz faculdade de letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e anseia a carreira de professor, assim como Tárik. “Eu até pensei em fazer jornalismo, mas acabei indo para as letras, porque me dá mais liberdade de criação”, diz. “A escolha foi nos 45 minutos do segundo tempo”, brinca. A idade não é fronteira para ele: “Muita gente escreve, mas a maioria não tem coragem de publicar, ou não tem quantidade razoável”, esclarece.

Tárik e Afonso estrearam nessa Feira do Livro. “Quando eu entrei, botei o pé na praça, tomei um choque e até me emocionei”, revela Tárik, que autografou no segundo dia do evento, no sábado (27). Afonso dará autógrafos nesta sexta-feira (9), e sua expectativa é grande. “Eu espero que os meus amigos estejam lá e que eles gostem. Esse livro foi importante para mim e eu quero que seja para os outros também”, diz.

Questionados sobre a continuidade na poesia, os dois são da mesma opinião. “O poeta tem uma liberdade absurda de formas e a poesia é a melhor forma de se expressar”, comenta Afonso. “A poesia é como um patrimônio histórico, tu tiras uma pedra e pode cair a qualquer instante. Ou seja, não sei se eu vou ficar com ela para sempre. No momento, ela está em chamas, sabe? E dentro de mim eu não quero que ela pare”, explica Tárik.

COMENTÁRIOS
Telmo Padilha Cesar - 08/11/2012 - 20h40
São esses os jovens que podem salvar o futuro desses velhos. Antes a gente preparava o mundo para eles, agora eles o preparam para nós.
Ari - 09/11/2012 - 16h40
Atentos ao novo mundo, esses guris assimilam a poesia dos grandes mestres e renovam o caldo poético que, desta forma, humaniza a escrita com métrica e rimas próprias. Parabéns!
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