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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

17/05/2018 - 16h04min. Alterada em 18/05 às 09h38min

China apresenta plano para liderar desenvolvimento de Inteligência Artificial

Jack Ma, do Alibaba, alerta para mudanças no mercado de trabalho provocadas pela inteligência artificial

Jack Ma, do Alibaba, alerta para mudanças no mercado de trabalho provocadas pela inteligência artificial


THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC
Thiago Copetti, de Tianjin
Governos estrangeiros que gostariam de saber o que a China está preparando no campo de pesquisas em alta tecnologia poderiam poupar muito trabalho de investigação se estivessem presentes no II Congresso de Mundial de Inteligência, encerrado nesta quarta-feira (17) em Tianjin. A cidade, localizada a cerca de 150 quilômetros de Pequim, serviu de palco para debates sobre Inteligência Artificial (IA) e como vitrine para a estratégia do governo de Xi Jinping de assumir a liderança global na área em menos de uma década. Pela opinião dos palestrantes levados à cidade de 15 milhões de habitantes e pelas explanações dos próprios representantes do governo, se pode apostar que, no mínimo, a China irá influenciar e interferir significativamente nos rumos dessa tecnologia, nos impactos sociais que ela trará e na inserção da IA na economia e na vida real.
Na abertura do congresso, Wan Gang, vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês (CPPCC, importante órgão do Partido Comunista Chinês), lembrou ao público que já estava em curso o plano anunciado pelo governo de investimentos que impulsionarão o desenvolvimento de Inteligência Artificial, começando pelas universidades, abarcando empresas e disseminando os conhecimentos científicos para o setor privado. Recentemente, o governo de Pequim revelou que apenas em um parque de desenvolvimento na área deverá ser investido cerca de 13,8 bilhões de yuans (US$ 2,2 bilhões), em uma das ações para se tornarlíder mundial em IA até 2025. O parque deverá reunir cerca de 400 empresas.
A consistência e a credibilidade do plano está no investimento na base do conhecimento e do amplo apoio do poder público. Segundo o Diário de Ciência e Tecnologia da China, 19 universidades abriram cursos de ciência e tecnologia inteligentes em 2017 e, em abril deste ano, teve início um programa do Ministério da Educação e parceiros privados para formação de talentos em IA. Em cinco anos, de acordo com a agência de notícias Xinhua, a projeção é formar 500 professores universitários e 5 mil alunos. A abrangência do plano também é reveladora. O projeto prevê ligações de IA com disciplinas como ciências da computação, matemática, física, psicologia e sociologia.
“Daremos importância ao tema desde a base, desde o ensino primário. A Era da Inteligência Artificial vai mudar a economia, os modelos de produção, criará uma sociedade inteligência, com novas modelos de consumir, transportar, cuidar da saúde e trabalhar”, resumiu Gang, antes de listar os cinco passos que a China adotará para alcançar a almejada liderança do setor.
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Smoot apresentou aplicações da IA que poderão mudar hábitos

Na sequência do discurso de Wang na abertura do Congresso, um nome de peso deu ao ouvintes um impressionante panorama do que virá à reboque do desenvolvimento da IA: o norte-americano George Smoot III, físico, cosmologista e vencedor do prêmio Nobel de Física em 2006. Smoot se preocupou em mostrar em números e exemplos práticos como o desenvolvimento e a expansão se da IA devem mudar os hábitos das pessoas, a rotina das empresas e reduzir custos.
“Sensores e chips inteligentes poderão personalizar dietas, a partir do DNA de cada um ou de problemas de saúde, por exemplo, encomendar os melhores alimentos para cada caso, enviar o pagamentos e pedir pra entregá-los em sua casa. Com isso, reduzirá custos com remédios e despesas médicas”, descreveu o físico.
Outro exemplo citado por Smoot é aquele mais temido, em geral, por milhares de pessoas mundo afora: a substituição de humanos por máquinas, em diferentes atividades. Isso poderá ocorrer, e deverá ocorrer, diz físico. Algumas funções irão desaparecer, outras serão criadas, e esta coisas ocorrerão simultaneamente, avalia Smoot. Um das possibilidades é a duplicação do pensamento de uma pessoa para uma máquina, em um sistema híbrido. “Com a Inteligência Artificial será possível replicar o que um trabalhador pensa e executa em larga escala, ao mesmo tempo e em diferentes partes”, afirmou.
O problema do desemprego, das mudanças no mercado de trabalho e da qualificação profissional para o futuro foi abordado por um ícone chinês: Jack Ma, co-fundador e presidente do conglomerado de tecnologia Alibaba. Para o executivo, o temor é algo que não deverá ser uma realidade plena. “Assim como houve esse pânico com o desenvolvimento da energia elétrica, que o trabalho terminaria, ele apenas se transformou. Mas será necessário mais educação para os novos profissionais. E isso precisa começar urgentemente, do contrário, os mais jovens e nossas crianças enfrentarão problemas”, alertou.
Ainda sobre mercado de trabalho, o empresário afirmou que não acredita existir hoje, na China, nenhum profissional realmente “expert” em Inteligência Artificial, e talvez em nenhum lugar do mundo. Isso porque, na sua avaliação, ainda vivemos na “infância” da IA, e que por isso mesmo a China deve desenvolvê-la de forma autônoma e com ineditismo. “Neste caminho, não devemos seguir nem os passos dos americanos, russos ou japoneses. Há algo que eles já sabem, mas muito mais que nem eles nem ninguém ainda sabe. Por isso temos de criar um caminho próprio para a Inteligência Artificial chinesa”, defendeu Jack Ma.

Empresas mostram aplicações para a IA

Apesar de ainda distante da alta tecnologia e do futurismo apresentado pelos palestrantes ao longo do congresso, a exibição de equipamentos e softwares durante o evento foram uma mostra do que está por vir.
  • Robôs com habilidades “humanas”: Entre as atrações, uma das que mais atraiu o público foi um palco formado por robôs, que dançavam em sincronia ao som músicas de Michael Jackson.
  • Reconhecimento facial: Diferentes empresas estão apostando em softwares de reconhecimento facial, com utilidades diversas. Um dos sistemas apresentados é mais direcionado ao do comércio. Câmara instaladas em vitrines ou próximo de prateleiras de lojas ou gôndolas de supermercado captam a imagem do cliente, fornecem a idade aproximada e o sexo, o tempo que observou o local e que reações teve (surpresa, alegria, raiva, etc). Outro sistema em exibição era voltado à segurança pública. Em caso de algum ocorrer roubo, por exemplo, a vítima relatará à polícia as características do criminoso (idade aproximada, sexo, altura, peso, roupa) e sistema faz buscas na região, identifica e monitora os passos dos suspeitos. O mesmo pode ser feito com veículo, em tempo real ou em cenas gravadas por câmaras.
  • Limpeza autônoma: máquinas, com formas robóticas ou não, fazem a limpeza de diferentes espaços sem a necessidade de intervenção humana, da aspiração do pó a limpeza mais pesada, com produtos químicos, para uso empresarial e doméstico.
  • Espelho virtual: Outra atração do evento foi o espelho virtual instalado pelo Alibaba. Apesar de não ser uma tecnologia entre as mais novas, desperta curiosidade. O software interage com uma grande tela onde o “cliente” pode provar roupas rapidamente e, se quiser, até mesmo testar novos cortes e cores de cabelo.
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