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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 11/05/2018. Alterada em 10/05 às 18h04min

Tropicália

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Jaime Cimenti
Neste ano que lembramos, analisamos e comemoramos os acontecimentos de 1968, o importantíssimo movimento cultural Tropicália, que surgiu entre 1967 e 1968, deve ser visto como um de seus protagonistas. A Tropicália se iniciou com músicos criativos como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Capinam e outros, e contou com cantoras do porte de Gal Costa, artistas plásticos como Hélio Oiticica e cineastas como Glauber Rocha. O legado da Tropicália, que criou novos padrões, mas respeitou algumas tradições, se faz sentir até hoje.
Tropicália - Gêneros, identidades, repertórios e linguagens (Educs, 344 páginas), segunda edição ampliada e atualizada, traz 14 textos de vários autores, organizados pelas professoras-doutoras Ana Mery Sehbe De Carli e Flávia Brocchetto Ramos e também dois trabalhos delas. O hibridismo semiótico da Tropicália, a relação com a Bossa Nova, a suprassensorialidade da arte, Gil e Caetano, arquitetura e contracultura, o antropofagismo musical no Rio Grande do Sul e outros tópicos estão na obra.
Mesclando aspectos arcaicos e modernos, os músicos baianos a partir de 1967 buscavam inserção no mercado da produção cultural e na sociedade de massa, sem, contudo, deixar de criticá-los. Questionavam a direita reinante e ao mesmo tempo uma estética de esquerda que menosprezava a forma artística surgida.
Escreveu Lúcia Santaella, na contracapa: "Além da evidente herança antropofágica do tropicalismo, lembrada por muitos dos seus teóricos e críticos, um dos seus traços mais marcantes encontra-se na mistura de gêneros, identidades, repertórios e linguagens. Essa mistura é tratada neste livro como manifestação criativa de um hibridismo semiótico, capaz de amalgamar o popular e o erudito, a criação e a crítica, o deboche e a festa, a música e sua teatralização. Opondo-se aos preconceitos de que só há redundância nos meios de massa, a Tropicália soube trazer para o meio televisivo o 'biscoito fino' de um enredo sonoro novo: corrosivo, risível, mas, sobretudo, inventivo".
Tropicália - Gêneros, identidades, repertórios e linguagens apresenta diversos olhares sobre o movimento, a partir de vários ângulos, através de ensaios apresentados no colóquio sobre o movimento, realizado na Universidade de Caxias do Sul em 2007. A obra inspira novos estudos e mostra que a Tropicália vive.

lançamentos

Alcides Cruz: perfil parlamentar (14º volume da Série Perfis, organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, edição da Assembleia Legislativa do RS), homenageia o homem negro nascido em 1867 em Porto Alegre, onde faleceu em 1916. Foi jurista, jornalista, professor universitário e deputado estadual por várias legislaturas com grande brilho, num cenário contrário aos negros. Importantíssimo resgate para todos.
Enfeitiçados todos nós (Editora Insular, 120 páginas), do consagrado romancista e contista gaúcho Lourenço Cazarré, é a nova edição da coletânea de contos que venceu o importante Prêmio Nestlé da Literatura Brasileira em 1984, acrescida de três contos. Vidas sofridas de moradores de vilas humildes são narradas em prosa forte, clara e envolvente. Cazarré tem o que contar e sabe como.
Nina - Desvendando Chernobyl (Editora AGE, 160 páginas), contos da psicanalista, romancista e contista Ariane Severo, retoma a temática de Svetlana Aleksiévitch, Nobel de Literatura de 2015, sobre os que sofreram com a terrível catástrofe de Chernobyl, ocorrida em 1986 e que matou mais de cem mil pessoas. Nina, psicanalista brasileira nascida em Moscou volta à União Soviética para ajudar pessoas e entender o desastre de sua própria vida.

Feliz Mãe do Brasil!

Sim, claro, a gente sabe que amor de mãe só é menor, menos incondicional e eterno que o amor-próprio. Há quem diga que amor de mãe é o maior e incomparável. Uns dizem que o importante é o amor em si, que é maior do que as mães e filhos mortais. Acontece que se eu sou a mãe do Brasil e aí a coisa é ainda mais complicada. Ser a mãe da pátria amada, idolatrada, salve! Salve!, que é mãe gentil dos brasileiros, não é brinquedo não. Pois é, sou tipo vó dos brasileiros.
Agradeço pelas flores, pelos cartões, pelos chocolates, mantinhas e meinhas de lã, camisolas de pelúcia, joias e bijuterias, DVDs e tudo mais, vocês são uns amores, filhos da pátria amada Brasil, que é minha filha querida. Tenho pensado neste rebento Brasil e por vezes me conformo refletindo que é melhor gostar dele do que tentar entendê-lo. O João Cabral de Melo Neto dizia que o parto do Brasil é demorado, mas a criança já nasceu ou será que não? Tom Jobim dizia que o Brasil não é para amadores.
E eu, que sou a mãe do Brasil, o que posso dizer neste Dia das Mães? Que posso dizer neste momento de crise econômica, política, ética, de costumes e de outras crises? Que posso desejar nesse momento em que os filhos do Brasil fazem parte de uma família dividida, com vinte e poucos candidatos a presidente, trocentas divisões e brigas sem fim? Rezo pelo aparecimento de alguém ou de um grupo que consiga unir ao menos uma boa parte. Não está fácil. Quem sabe Nossa Senhora Aparecida tire de seu manto uma solução. Acima de tudo precisamos de uma reza bem forte, a maior de todas da História.
Como mãe do Brasil eu claro que amo todos os meus filhos, de modo diferente, como todas as mães, mas amo a todos e espero que baixe um entendimento. Os brasileiros que eu quero são os cidadãos que pensem, ao menos um pouco, mais no interesse coletivo do que só nos interesses de sua tribo. Os filhos brasileiros do meu filho Brasil que eu desejo são as pessoas que respeitem a liberdade, a democracia, a honestidade e o que for melhor para o todo. Nem todos podem ter seus interesses atendidos tão rápido e tão completamente como querem. Precisamos conversar, nos unir e ver o que é possível. Não podemos nos dispersar, dizia o Tancredo Neves, que muita falta nos faz.
Brigas e divisões são piores para todos e na real não são boas nem para os poucos que acham que se beneficiam do caos. Brigas e divisões muitas vezes interessam aos de fora, nesse mundinho globalizado em que o globo, desigual, é mais de uns que de outros.
Como mãe do Brasil, tenho fé que nas eleições os filhos da pátria mãe gentil escolham bem, escolhendo os irmãos que corporifiquem melhor nossas virtudes. No Dia das Mães de 2019 espero encontrar uma família mais forte e unida, que deixe o coração da mãe mais leve e tranquilo. Uma família que consiga conviver com suas diferenças, dividindo melhor as expressões, as palavras, o trabalho e o pão e o sonho de construir uma verdadeira nação neste País de mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados.

a propósito...

A construção de uma sociedade e de um País toma tempo, diálogo, paciência, ética, valores e bons interesses coletivos. É obra pública, não é demais repetir. Cada um colocando seu tijolinho e seu esforço diário no edifício. Cada um pensando que com liberdade, democracia, transparência, honestidade, harmonia e desenvolvimento é possível melhorar o que está aí. Como dizia a linda canção do Ivan Lins: "Desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos, afinal de contas, não tem cabimento, entregar o jogo no primeiro tempo". Eu, mãe do Brasil, conto com vocês e alguma coisa me diz que coração de mãe não se engana. Parem de brigar, meus filhos, que se não a mãe vai ter que tomar umas providências. É melhor vocês se comportarem, se não vão ficar de castigo. Viva a mãe e os filhos do Brasil! (Jaime Cimenti)
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