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Porto Alegre, domingo, 20 de maio de 2018.

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Notícia da edição impressa de 14/05/2018. Alterada em 20/05 às 17h15min

Existem tainhas no Dilúvio

Türck e Têmis acreditam que pequenas ações podem fazer a diferença

Türck e Têmis acreditam que pequenas ações podem fazer a diferença


LUIZA PRADO/JC
Pedro Carrizo
As pessoas se distanciam cada vez mais de uma possível Porto Alegre sustentável quando o sentimento de estranheza determina sua relação com o meio ambiente. Exemplo disso é o fato de não conceber a ideia de que há vida no arroio Dilúvio, e sim apenas sua poluição. Em contrapartida à teoria desenvolvimentista, o Coletivo Catarse e o Grupo Cinehibisco lançam a websérie Tainhas no Dilúvio, com a proposta de explorar iniciativas de preservação ambiental e discutir o papel da comunidade nos grandes centros urbanos. A websérie mistura ficção e documentario para contar uma história dividida em nove episódios, nos quais são protagonistas a cidade e a personagem Janaína.
Antagônica à lógica imposta e integrada ao meio ambiente, Janaína, interpretada pela atriz Ana Rodrigues, é uma personagem com um estilo de vida comum a muitas pessoas. A protagonista da websérie Tainhas no Dilúvio representa uma cidadã em busca de novas alternativas para a vida urbana e, de acordo com os realizadores do projeto, podemos encontrar gente como ela em qualquer lugar da cidade. É aquele tipo de pessoa que faz sua parte, não busca se impor a ninguém e tem papel fundamental no estímulo para a vida sustentável.
"Uma entre as muitas mensagens que gostaríamos de passar com o projeto é que não são necessários somente grandes acordos ambientais para mudar a realidade imposta, pequenas ações também têm grande impacto", explica Têmis Nicolaidis, diretora de produção da websérie. Ela acrescenta que as ações ambientais de Janaína não eliminam o sujeito que só anda de carro ou os grandes empreendimentos imobiliários, mas busca valorizar quem contribui para um lugar mais saudável.
Somadas aos conteúdos audiovisuais, que já estão disponíveis no site projetotainhasnodiluvio.wordpress.com e no YouTube, diversas iniciativas viáveis e em andamento acompanham cada episódio, dialogando com os mesmos. Links para confecção de cisternas, hortas urbanas, uso de plantas como inseticida e formas de despoluição dos rios complementam-se ao enredo da história e provam que as iniciativas propostas vão além do discurso ambientalista.
"Toda a série é uma mistura de ficção e realidade, por isso a importância desses projetos reais disponíveis como material complementar. Eles provam que, mesmo se tratando de uma obra ficcional, os temas abordados existem e podem ser contrapontos à lógica imposta nas cidades", diz Gustavo Türck, responsável pela direção, edição e finalização de som do conteúdo.
Para além da poluição do arroio Dilúvio, questões como a impermeabilidade dos solos urbanos, o caos no trânsito e o sufocamento das áreas verdes norteiam a relação dos personagens da websérie. Porém uma das grandes inspirações do projeto foi o temporal de 29 de janeiro de 2016, que assolou Porto Alegre com ventos de 120 km/h e deixou milhares sem água e luz. "Aquela situação serviu para pensar na insustentabilidade da cidade. É muito contraditório, na minha opinião, cair tanta água, e mesmo assim as pessoas não conseguirem tomar banho por falta de abastecimento", coloca Têmis.
Para Türck, existem determinados diálogos ao longo da série que representam, justamente, as discussões políticas e de gestão fomentadas após a grande tempestade de 2016, enquanto muitos cidadãos estavam sem água e sem luz. Ele lembra que, naquela época, os meios de comunicação fomentaram discussões sobre a resiliência da cidade, muitos políticos se comprometeram com a preservação da flor e com o estudos das possíveis prevenções contra acidentes naturais.
"O assunto simplesmente morreu quando a luz e a água voltaram. Nada foi implementado, e ficou meramente no discurso político. A sociedade não seguiu cobrando medidas para a sustentabilidade de Porto Alegre, e o assunto caiu no esquecimento", diz Türck. O Tainhas no Dilúvio teve o apoio financeiro do Fundo Socioambiental Casa, que custeou um ano e meio de gravações, os 14 integrantes que compõem a equipe e a pós-produção, com recurso de R$ 18,5 mil.
Outra importante contribuição para o Projeto Tainhas no Dilúvio veio da Companhia de Teatro Lumbra, que, através do teatro de sombras, trouxe uma linguagem mais lúdica para websérie e possibilitou cenas que não poderiam ser feitas da maneira convencional. "Cada vez mais, vamos buscar fazer essa parceria. Usar a projeção das sombras como fio condutor da história pode trazer novos públicos, além de também dar outro tom à narrativa", diz Têmis, que também atuou como sombrista.
O novo público são as crianças. Através das sombras, os pequenos têm uma melhor compreensão de como a realidade imposta nas cidades influência no esgotamento de nossos recursos naturais. "Funcionou bem com os públicos menores, já ouvimos relatos de professoras que passaram os vídeos em sala de aula e que as crianças entenderam tudo", diz Türck. De acordo com o diretor, se houver o entendimento desde cedo de que nossa qualidade de vida está diretamente atrelada ao ambiente onde vivemos, caminharemos mais esperançosos rumo a uma cidade mais sustentável e consciente.
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