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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 07/05/2018. Alterada em 04/05 às 19h32min

Ativos na luta contra o racismo

Larisse  comemora os resultados do 
Afroativos, criado a partir das experiências dos estudantes

Larisse comemora os resultados do Afroativos, criado a partir das experiências dos estudantes


/fotos MARCELO G. RIBEIRO/JC
Dentro da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint Hilarie, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, um espaço de reconhecimento da história da cultura negra e de combate ao preconceito reúne crianças para falar de representatividade. No seu segundo ano do projeto Afroativos, a iniciativa permite aos alunos abordarem questões como racismo, empoderamento e os padrões sociais. Entretanto não é só com papel e caneta que os alunos da professora Larisse Moraes, criadora do projeto, aprendem sobre as questões raciais: "Não adianta conhecer a nossa história, embarcar na ancestralidade e ficar só no papel", conta a professora. Desse modo, a turma passou a intervir e propagar o discurso de igualdade, que faz parte do currículo complementar.
"O Afroativos começou na minha sala de aula, em 2017, e foi desencadeado por causa de uma carta de uma aluna." Kherollen Barbosa relatava situações nas quais ela sofria preconceito, principalmente por causa do cabelo crespo, e não falava a ninguém. Após a leitura do depoimento de Kherollen e de um debate proposto por outra estudante, a sala de aula tornou-se, ainda mais, um lugar para se opor à discriminação. Por causa de uma imagem recebida pela professora na internet, o projeto inicialmente se chamava "Solte o Cabelo, Prenda o Preconceito" e, a partir daí, a ideia da professora e dos seus alunos passou a ter um norte para se guiar.
O cabelo sempre foi um ponto-chave para o entendimento do preconceito dentro da escola. A aluna Emilly Alves também sofreu diretamente com essa questão: "eu andava sempre de capuz, sem importar se estava frio ou calor, só por causa do julgamento dos outros". Hoje, Emily é monitora no Afroativos e, orgulhosa, diz que não precisa mais se esconder. No entanto as mudanças não influenciaram diretamente apenas os pequenos. A própria coordenadora do projeto, Larisse, também se libertou de procedimentos estéticos forçados para se enquadrar em um padrão: "tudo mudou quando uma aluna disse 'professora, sei que os projetos são legais, mas continuo querendo ter um cabelo igual ao seu'. Nisso, decidi cortar e fazer a transição para o meu cabelo natural", conta a professora, que usou cabelo liso por 25 anos e agora confessa sentir a sensação de liberdade e de reencontro com os seus cachos.
A autoaceitação trazida graças à iniciativa da escola fez efeito não só nos alunos do projeto, mas também nas suas casas e em outros ambientes de convívio. Nesse contexto, o aluno Rafael Santos explica que, na sua residência, a sua libertação visual veio acompanhada da de sua irmã. Quando Santos decidiu deixar o cabelo crescer, isso acabou influenciando no visual da sua irmã também, que passou a utilizar o cabelo natural. "Ela disse que tinha chegado a hora de parar de se esconder e assumir a verdadeira identidade", conta Santos - que declama o poema O Pequeno Príncipe Negro, do carioca Marcelo Serralva, nas atividades e intervenções que o projeto realiza.
Para o diretor da escola, Ângelo Barbosa, a direção tem o dever de fomentar os projetos, que trazem melhoria para o funcionamento do convívio escolar. "Alguns programas mantemos em sala de aula, dependendo das características, mas outros percebemos que podem beneficiar mais alunos se não ficarem restritos à sala", explica o diretor, que ocupa o cargo há um ano e seis meses. O Afroativos é um desses projetos que transbordaram da sala de aula para outros ambientes. Atualmente, o projeto conta com cinco turmas, com um total de 125 alunos, do 1º ao 9º ano - aumento de 150% no número de alunos em relação ao ano anterior, que contava com duas turmas. Pelo trabalho com os mais diversos programas educativos, a escola estuda viabilizar a exclusividade de um professor para manter os projetos em tempo integral. "É muito difícil a gente convencer o ente público da relevância dos projetos. Nas administrações anteriores, algumas tinham uma sensibilidade maior; mas, ano passado, a postura era outra e que, aos poucos, vem voltando a ser mais presente", explica.
A formação desses outros tipos de ensino dentro de uma escola é um fator que aproxima a comunidade do papel que a instituição representa. Segundo Barbosa, as administrações das escolas têm que acreditar mais na função exercida por projetos como esse, uma vez que elas, além de aproximarem os pais e moradores do entorno, por abordar temas que atendem a uma demanda deles, também melhoram os laços entre os estudantes e o corpo docente. 
 
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Comentários
Larisse Silva de Moraes 07/05/2018 05h58min
Em nome do Afroativos, gostaria de agradecer pela sensibilidade, em captar a nossa mensagem. Eduardo Lesina, gratidão! Mostrarei a reportagem para as crianças. Saiba que a visita de vocês a nossa escola, trouxe inspiração para os alunos. Dois deles, manifestaram o desejo de criação de um Canal de notícias e conteúdo antirracismo.