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Porto Alegre, domingo, 15 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Consumo

Notícia da edição impressa de 16/04/2018. Alterada em 15/04 às 21h07min

Despesas básicas sobem mais que a inflação

Segundo levantamento da Tendências Consultoria, item que mais avançou em três anos foi a gasolina

Segundo levantamento da Tendências Consultoria, item que mais avançou em três anos foi a gasolina


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
A escalada dos preços da energia elétrica e da gasolina, acima da inflação, tem corroído o orçamento das famílias brasileiras, apesar do aumento da massa salarial. De janeiro de 2015 para cá, o porcentual de renda disponível - depois do pagamento de despesas essenciais - caiu quase dois pontos porcentuais, de 45,6% para 43,76%. É o menor patamar desde 2009. Isso significa que o brasileiro poderia estar consumindo, a mais, algo em torno de R$ 14,5 bilhões.
Levantamento da Tendências Consultoria Integrada mostra que a despesa que mais avançou sobre o orçamento do brasileiro foi a gasolina, que subiu de 4,86% para 5,6% no período. O resultado é reflexo especialmente da nova política de preços da Petrobrás, que agora repassa de forma imediata o sobe e desce do petróleo no mercado internacional.
De meados do ano passado até o início deste ano, o preço do combustível na bomba subiu 19,5%. Em janeiro de 2015, o litro da gasolina era vendido a um preço médio de R$ 3,032 no País; neste mês, o valor está em R$ 4,219, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
A conta de luz seguiu a mesma trajetória. O peso na renda das famílias subiu de 2,94% para 3,44%. O agravante é que até o fim do ano a participação no orçamento vai aumentar ainda mais, segundo projeções da Tendências: deve subir para 3,89%. A explicação está nas estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que prevê reajuste médio acima de 10% nas contas neste ano. Em alguns casos, a alta deve superar a casa dos 20% por causa da entrada em operação de usinas térmicas para compensar os reservatórios baixos das hidrelétricas.
O orçamento das famílias, segundo a Tendências, só não está mais apertado porque o arrefecimento dos preços dos alimentos tem compensado parte do aumento da conta de luz, da gasolina, do gás de cozinha, dos planos de saúde e da educação. Além disso, a renda do trabalho voltou a crescer em 2017 e continua ascendente, diz a analista da Tendências, Isabela Tavares.
Na prática, a queda dos porcentuais representa um freio para a retomada da economia. O ritmo do avanço do consumo poderia estar maior, diz o economista Adriano Pitoli, sócio da Tendências. Ele destaca que, para ajustar os aumentos à renda, o brasileiro acaba reduzindo o consumo de bens e serviços considerados supérfluos, como vestuário e bens duráveis. Em fevereiro, as vendas do varejo caíram 0,2% - o pior resultado para o mês desde 2015 -, e um sinal de que a recuperação será mais lenta do que se esperava.
Em três anos, o peso de quase todos os itens essenciais aumentou no orçamento das famílias. As exceções foram alimentos, cuja participação caiu de 16,15% para 15,8%, e telecomunicações, de 4,20% para 3,64%.

Queda da renda reflete endividamento dos consumidores durante tempo de bonança

A queda da renda disponível, depois de descontados os itens essenciais, ocorre em um momento de inflação comportada e uma lenta retomada da massa salarial. "Mas o que percebemos é que essa melhora não tem sido linear", afirma o economista da Federação do Comércio de São Paulo
(Fecomércio-SP), Guilherme Almeida. Ele destaca que o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) mostra que, para as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, a situação é pior do que para quem tem um rendimento maior. "Nesses casos, ainda há dificuldade de aumento de consumo."
O professor Fernando Ribeiro Leite, do Insper, diz que isso é reflexo do endividamento do brasileiro nos anos de bonança. Depois de descontados os itens essenciais, a renda disponível do brasileiro é usada para pagar as dívidas. Até janeiro, o nível de endividamento das famílias estava em 41,1%, segundo dados do Banco Central (BC). "O País tem uma baixa poupança, uma vez que as famílias alocam um percentual maior da renda para desalavancagem. Isso reduz a renda para consumo."
Outro dado que reforça essa tese é que o crescimento da massa salarial no primeiro trimestre deste ano foi puxado pelo aumento do número de pessoas que entrou no mercado de trabalho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, uma das prioridades desses trabalhadores que arrumam emprego depois de passar um tempo desempregados é pagar as dívidas em atraso, e não consumir.
A professora Rina Pereira, do Instituto Brasil de Mercado de Capitais (Ibmec), alerta, ainda, que, apesar de a inflação estar comportada, é preciso tomar cuidado com alguns itens que têm subido bastante, o que pode achatar mais o orçamento dos brasileiros. Além da gasolina e da energia, o valor dos aluguéis voltou a aumentar em março. Pelos dados da Tendências, a participação dessa despesa subiu de 7,19% para 7,4% entre 2015 e agora. "Na média, o brasileiro voltou a consumir alguns produtos que tinha deixado de lado durante a crise. Mas o consumo poderia estar maior." Além do aumento do peso de alguns itens essenciais, diz ela, o número de brasileiros que desistiu de procurar emprego subiu. No total, são cerca de 4 milhões de pessoas que estão incluídas no grupo de desalentados.
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