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Porto Alegre, terça-feira, 10 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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bancos

Notícia da edição impressa de 10/04/2018. Alterada em 10/04 às 13h49min

Governo decide vender hoje ações do Banrisul

Preço-base definido para as BRSR6 ofertadas pelo banco é de R$ 18,00

Preço-base definido para as BRSR6 ofertadas pelo banco é de R$ 18,00


/ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
Thiago Copetti
Depois de cancelar a venda de ações do Banrisul, na última sexta-feira, o governo do Estado surpreendeu o mercado ontem divulgando nova operação para hoje. Em comunicado feito sem alarde, o Palácio Piratini informou que negociará em pregão, entre 12h15min e 12h30min, 26 milhões de ações preferenciais.
O aviso pegou de surpresa operadores do mercado, investidores, sindicalistas e políticos. Também causou estranheza o fato de o governo ter estipulado valor mínimo de R$ 18,00 por ação, abaixo dos mais de R$ 19,00 que eram negociados ontem.
De acordo com o comunicado, a negociação será feita com intermédio do BTG Pactual e envolve praticamente tudo que o governo pode vender sem precisar de aprovação da Assembleia Legislativa ou da população: 12,75% do capital social das ações preferenciais e 6,35% do capital total. Com isso, restaria ao Estado 50,6% do capital total do banco.
Ao desvalorizar antecipadamente a cotação das ações, o governo acabou determinando a queda nas cotações do banco no dia de ontem. As ações negociados sob o código BRSR6 começaram o dia valendo R$ 19,85 e encerraram em R$ 19,15 (queda de quase 3%).
Um analista de mercado, que prefere não se identificar, avalia que alguns investidores podem ter vendido ações ontem na faixa dos R$ 19,00 e devem tentar recomprá-las hoje por R$ 18,00 ou pouco mais do que isso. “A operação é muito estranha. Parece ter um comprador previamente acertado. Chama a atenção a falta de transparência e a pressa com que o negócio está sendo feito”, avalia.
Se fechar o negócio pelo valor mínimo, o banco terá em caixa cerca de R$ 500 milhões extras, valor que o analista acredita será direcionado para fechar a folha de pagamento. Considerando o cerca de R$ 1,2 bilhão necessário para pagar o funcionalismo todos os meses, a quantia se esvairá sem ter impacto nas finanças do Estado, avaliam especialistas e críticos da operação.
A rapidez da operação, a falta de transparência e o valor da ação abaixo do negociado pelo mercado também chamaram a atenção do presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec-Sul), José Junior de Oliveira.
“Aparentemente, não há irregularidade na operação, mas o ideal e normal é anunciar com mais tempo, até para que os investidores possam fazer seus cálculos, analisar a compra. Isso restringirá muito os interessados. E, pelo pouco prazo dado para o pregão (15 minutos), o governo já deve ter algum comprador em vista”, diz Oliveira.
Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, o deputado estadual Zé Nunes (PT) critica a falta de informações no negócio. “É um patrimônio do Estado. O governo deveria informar a sociedade previamente e adequadamente sobre a venda e o destino dos recursos”, sustenta Nunes.
O líder do governo na Assembleia, deputado Gabriel Souza (PMDB), argumenta que a rapidez na realização da oferta e o curto prazo de negociação ajuda a combater a especulação em torno dos papéis. “O que o mercado quer é comprar o patrimônio do banco por preço baixo. Reduzir essa janela de negociação ajuda a diminuir a especulação durante a venda, preservando o valor das ações, que tende a cair”, explica.
O diretor de política sindical da Federação dos Trabalhadores nas Instituições Financeiras do Estado (Fetrafi-RS), Carlos Augusto Rocha, critica a operação. “O Estado abre mão de dividendos que o banco tem pago. Além disso, o comprador estará pagando menos do que as ações valiam hoje (segunda-feira) e pela participação que terá no Banrisul Cartões, que também será vendido. O comprador ganha duas vezes, e o Estado perde duas vezes”, diz Rocha.
Procurado, o Banrisul não se pronunciou devido a imposições legais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Idas e vindas

Em outubro de 2017, o governo de José Ivo Sartori anunciou que faria a venda de 49% das ações ordinárias do Banrisul de propriedade do Estado. A operação, que deveria ser concluída em dezembro, porém, foi suspensa devido à queda nas cotações.
Após o anúncio, a queda das ações do banco chegou a um limite insustentável para venda: R$ 12,80, ante mais de R$ 17,00 na véspera do anúncio. A retração levou o governo a retroceder e suspender, na época temporariamente, a oferta de ações e o road show internacional que estava previsto. A proposta só foi oficialmente suspensa na sexta-feira, dia 6 de abril.
No final de março, em fato relevante publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banrisul anunciou que pretende abrir o capital do seu braço de cartões. A proposta deverá ser submetida a uma Assembleia Geral Extraordinária, que deverá ser realizada hoje.
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