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Porto Alegre, terça-feira, 17 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Literatura

Notícia da edição impressa de 16/04/2018. Alterada em 17/04 às 17h39min

Feminismo em diálogo: Marcia Tiburi lança novo livro

Autora escreveu o livro com a proposta de ser lido não apenas por mulheres, mas também por homens

Autora escreveu o livro com a proposta de ser lido não apenas por mulheres, mas também por homens


SIMONE MARINHO/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Atualizada em 17 de abril, às 17h30min.
O novo livro da filósofa Marcia Tiburi, Feminismo em comum (Record, 126 p., R$ 19,90), chega às livrarias a fim de desmistificar o feminismo. Com lançamento inicialmente previsto para esta terça-feira (17), na Livraria Cultura (Túlio de Rose, 80), o evento foi transferido para o dia 11 de maio, às 19h, no mesmo local, devido a "compromissos da autora", conforme informações da editora. No formato de crônicas, a obra convida iniciados - e não iniciados - na teoria a pensar mais sobre a sociedade na qual vivemos, a compreender e a dar luz às questões feministas. 
Publicada em janeiro deste ano durante a caravana feminista, que passou por Salvador, Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, a publicação marca, também, o retorno do selo Rosa dos tempos, importante para a difusão do pensamento feminista internacional e nacional, criado por Rose Marie Muraro e Ruth Escobar na década de 1990. 
De forma didática e sem academicismos, Marcia escreveu o livro com a proposta de ser lido não apenas por mulheres, mas também por homens. "Ao meu ver, era preciso colocar as questões polêmicas, complexas e conceituais do feminismo num tom de diálogo com as pessoas para que elas possam pensar por conta própria."
Ampliar o debate sobre o tema se torna ainda mais importante quando grupos religiosos e políticos se postam contra o ensino de gênero nas escolas, o que, na verdade, busca quebrar padrões e invenções discursivas que apresentam as mulheres como "seres traidores, inferiores, incapazes e que são seres incompetentes, que tem uma natureza sensível, que tem uma natureza compreensiva e bela".
Para construir esse campo dialógico, a filósofa buscou unificar cultura, sua própria história, teorias e questionamentos sobre o tema e, assim, apresentar a sua própria visão do feminismo, que, segundo explica, leva em conta seu potencial radical e transformador. "Para mim, o feminismo é tanto uma teoria quanto uma prática, ele é uma práxis, ao mesmo tempo uma ética e uma política, ou seja, é um encontro entre a reflexão pessoal e a questão coletiva. É uma potência crítica e desconstrutiva tanto das teorias machistas quanto das práticas machistas."
Mas, afinal, quem são as feministas? De acordo com Marcia, "são as mulheres que têm a consciência de que, por serem mulheres, são seres marcados por sua sexualidade em um sistema de opressão, e essa sexualidade é inventada e forjada pelo próprio patriarcado que pretende, justamente, submeter esse ser chamado mulher aos seus interesses". 
Segundo Marcia, a presença das mais diversas vertentes feministas (negro, interseccional, radical, liberal) produz um feminismo em comum. "Não precisamos ter um consenso dizendo que o feminismo que importa é esse ou aquele." Nesse sentido, "o feminismo é uma prática política baseada na ideia de senso democrático", logo, não é preciso que todos os movimentos feministas pensem da mesma maneira, mas que se unam por algo em comum, "que é a construção de uma sociedade de respeito aos direitos fundamentais das mulheres".
Apesar de já ter escrito diversas vezes sobre o assunto, a filósofa conta que ainda não havia organizado seus textos de forma simples e comunicativa. Sua proximidade com a temática começou há pelo menos 20 anos, quando terminava o doutorado em Filosofia pela Ufrgs. Na época, ainda não havia uma discussão sobre feminismo e Filosofia no Brasil. A fim de dar início a esse debate, a autora, que também era professora na Unisinos, decidiu organizar seminários para discutir a questão das mulheres na Filosofia.
Conforme relata, eram raras as professoras no curso de Filosofia, o que limitava ainda mais a leitura sobre a temática. "Eu lia história da Filosofia tradicional e percebi que os filósofos falavam muito mal das mulheres. Quando aparecia o objeto de conhecimento designada pelo termo mulher, ele era tratado como objeto de repulsa, com um discurso misógino." A partir disso, Marcia começou a estudar filósofas feministas, como Cristina de Pizan e Mary Wollstonecraft, e a ter contato com autoras como Simone de Beauvoir e Judith Butler.  
No Brasil atual, a filósofa aponta que "o nosso desafio está na representação política das mulheres", e como o machismo está em todos os campos - seja esportivo, cultural e econômico -, de forma tanto simbólica como prática, concreta e institucional, é preciso avançar a luta, o que ocorre quando mais mulheres percebem a importância do feminismo nas suas vidas.
De mesmo modo, em seu livro, Marcia aborda a presença dos homens na luta feminista. "O feminismo faria muito bem aos homens se eles forem capazes de estudá-lo, contemplá-lo. Ao lutar pelos direitos das mulheres, eles lutarão também pelos direitos das minorias, lutarão por uma sociedade mais justa para todos e contra um sistema do qual também são vítimas", encerra. 
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