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Porto Alegre, quinta-feira, 12 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 13/04/2018. Alterada em 12/04 às 18h10min

Silvio Santos, o maior

Chacrinha foi criativo, genial, imortal e decretou "quem não se comunica, se trumbica". Mas Silvio Santos é, sem dúvida, o maior comunicador de todos os tempos. O "homem do baú", que até chegou a ser candidato a presidente da República, personifica a evolução da televisão no Brasil e se transformou numa das personalidades mais conhecidas da história recente do País. Admirado e amado por pessoas das mais diversas gerações, Santos construiu uma relação de proximidade com o público que, provavelmente, nenhum outro astro conseguiu.
Silvio Santos - A biografia (Universo dos Livros, 280 páginas), de Marcia Batista, professora e editora, e Anna Medeiros, publicitária e escritora, biografia não autorizada, revela, por meio de relatos e documentos exclusivos, as conquistas e dificuldades do homem que segue trabalhando aos 87 anos e impactando o cotidiano brasileiro. Generoso, simples e trabalhador, Silvio se tornou um dos empresários brasileiros mais bem-sucedidos, em inúmeros negócios, especialmente pela própria rede de televisão, que já soma mais de 36 anos.
A obra começa narrando o dramático sequestro sofrido pelo apresentador, em sua própria casa, em 2001, quando esteve algumas horas de cara com a morte. Passa pela meninice, pelo conhecido faro para negócios, pela luta para concorrer com a Globo, o sucesso do Baú da Felicidade, a relação com Hebe Camargo, os dois casamentos, as aspirações políticas, os altos voos, os muitos prêmios e homenagens; e mostra, ainda, o SBT do século XXI. O livro permite aos leitores conhecer muitas facetas desse ícone que segue se renovando.
O Silvio pai de família, apresentador, gestor de negócios, descobridor de talentos, empreendedor e o "homem que enxerga com a alma" está nos capítulos do volume. Muitos consideram Santos a maior unanimidade nacional. Apesar de ser um dos homens mais ricos do Brasil, não é de esbanjar e ostentar riquezas e, dizem, quando está com a família na residência dos Estados Unidos, faz supermercado, cozinha e lava louça. Com seis filhas e vários netos, a família cresce.
Claro que Silvio Santos não é isento de críticas. Acertou e errou. Envolveu-se em polêmicas e tomou decisões questionáveis. Sua impressionante vida segue, ainda com muitos capítulos pela frente. "Silvio Santos vem aí!", sempre com novidades e sempre imitado por mais e mais amadores e profissionais.

lançamentos

O homem de lata (Faro Editorial, 160 páginas), da atriz e escritora inglesa Sarah Winman, é seu romance de estreia, ganhou vários prêmios e tornou-se best-seller internacional. Narra a história de Ellis e Michael, dois garotos de 12 anos que, em 1963, se tornaram grandes amigos. Um dia, algo maior aconteceu entre eles. Dez anos depois, Ellis casou e Michael não está por perto. O que houve?
Conversas de Livraria & Avulsas (Livraria Palmarinca, 240 páginas), do engenheiro, poeta e articulista Jorge Alberto Benitz, apresenta, na primeira parte, histórias que giram em torno de uma livraria e frequentadores; e, na segunda, reflexões do autor sobre temas políticos e históricos contemporâneos, bem como interessantes conversas com taxistas sobre assuntos do cotidiano.
Onde está a banda The Beatles? Encontre o quarteto mais famoso de Liverpool (Ciranda Cultural, 30 páginas) com ilustrações de Moreno Chiacchiera, no estilo Onde está Wally?, mostra os cabeludos ingleses em vários locais como Cavern Club e Abbey Road, aeroporto de Nova Iorque e outros. Yoko Ono, David Bowie e muitos outros também aparecem nos divertidos e coloridos desenhos.
 

O Guaíba, o porto e o Butiá

Tudo começou às margens do Guaíba. Acho que estamos voltando ao começo, que já não era sem tempo. Depois de "discutirmos a relação" com o Guaíba, acho que bom tempo de convívio vem aí. Boa parte do rio está debaixo da Rua da Praia, rua que está enterrada, aliás, no belo livro do Nilo Ruschel, como disse o Carlos Reverbel. Aterramos e poluímos bastante nosso Guaíba e colocamos um muro à beira dele, que, um dia, quem sabe, nos servirá de proteção se suas águas se enfurecerem. A maior parte dos navios e embarcações do porto de Porto Alegre navegaram para Rio Grande e nós seguimos calados com nosso pequeno calado. Mas nosso cais não deve ser apenas "uma saudade de pedra", como disse o poeta Fernando Pessoa. O projeto Cais Mauá está andando. Dessa vez tomara que desencalhe de vez.
As construções na Edvaldo Pereira Paiva e as obras da Usina do Gasômetro vão nos ajudar a abraçar, de novo, o Guaíba. O projeto previsto para a antiga área do Estaleiro Só, Parque do Pontal, está por receber a licença de instalação e há quem pense na revitalização das margens da Vila Assunção, Tristeza e Ipanema. Ipanema, por sinal, uma das caminhadas mais bonitas da cidade.
Das proximidades da ponte do Guaíba até a praia das Pombas, temos aproximadamente 72 quilômetros de costa, um grande potencial cultural e turístico que precisa ser bem aproveitado pelos habitantes e pelos visitantes. O Parque de Itapuã pode e deve ser mais visitado, claro que com os cuidados ambientais devidos.
Em Itapuã, logo depois da praia do Lami, que vem sendo bem aproveitada, se estabeleceu o Restaurante Butiá, à beira do Guaíba. Na sede da antiga fazenda, a apenas uma hora de Porto Alegre, tem almoço, piquenique e lanches feitos, em sua maior parte, com insumos locais e frescos. Boa parte da alimentação é orgânica. Não é apenas um restaurante. Passeios de barco e trilhas no Parque Estadual de Itapuã estão disponíveis, para as pessoas redescobrirem o Guaíba, a flora e a fauna da região. Quem quiser ir de barco pode até pernoitar por lá. Quem quiser ficar apenas relaxando nas espreguiçadeiras, curtindo a companhia da família, filhos, netos, amigos e cachorros e contemplando o Guaíba estará bem à vontade, na sombra ou no sol.
Nos finais de tarde de domingo, espetáculos musicais acontecem no Butiá. A Orquestra Jovem e João Maldonado e trio já se apresentaram e outros eventos já estão agendados. O Butiá é um bom exemplo de aproveitamento adequado do potencial turístico da região e serve como inspiração para o poder público e privado. Henrique Theo Möller, proprietário, e família recebem as pessoas.
Em passeios de barco, os visitantes podem vislumbrar o encontro das águas do Guaíba com a Lagoa dos Patos e ver a construção do belo Farol de Itapuã, erguido em 1860. Dá para ver alguns animais da região e observar os últimos resquícios de mata atlântica da região metropolitana e, ainda, relembrar fatos históricos relacionados à Guerra dos Farrapos.

a propósito...

Num momento municipal, estadual e federal cheio de agruras políticas, econômicas e éticas de doer, ao menos temos estas notícias boas sobre o que ocorre na beira das águas atuais do Guaíba. Águas que devem mover os moinhos que nos dão farinha para fazer sonhos, pães e seguir adiante. Falando nisso, peço aqui que não dificultem o acesso das pessoas à Ilha do Pavão e ao uso do Catamarã que leva passageiros para Guaíba com competência, pontualidade e utilidade. Nosso casamento e nossa relação com o Guaíba estão em boa fase. Tomara que continue, que melhore ainda mais pois, afinal, a vida é a arte do encontro. Com as águas do Guaíba, assim como com as águas do mar e da vida, precisamos nos reencontrar sempre. (Jaime Cimenti)
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