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Porto Alegre, domingo, 08 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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mercado imobiliário

Notícia da edição impressa de 09/04/2018. Alterada em 06/04 às 21h12min

Crédito para imóveis em baixa

FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
O volume de crédito destinado ao financiamento de imóveis com dinheiro da poupança caiu pela metade no último ano, na comparação com 2014, antes da crise econômica e quando esses recursos atingiram patamar recorde. O montante acumulado para financiar a compra e a construção da casa própria em 2017 foi de R$ 83 bilhões, ante os R$ 168 bilhões de três anos antes, segundo dados do Banco Central, em valores reais, já considerado o IPCA (índice oficial de inflação). Os números de 2017 representam a terceira queda seguida do volume de financiamento.
"Com a queda recente dos juros, seria razoável que começasse a ter uma recuperação do crédito imobiliário em 2017, em relação a 2016. É surpreendente que tenha continuado caindo", analisa o economista Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O consumidor só deve recuperar aos poucos a disposição para comprar um imóvel, e a tendência, segundo analistas, é que os bancos fiquem menos retraídos para emprestar em 2018 do que estavam no ano passado.
Parte importante da explicação para o recuo do crédito imobiliário está na situação da Caixa Econômica Federal, o banco da habitação. Sem capital para cumprir regras internacionais de proteção, o banco estatal reduziu os financiamentos e aumentou os juros. "Ela tem 70% do mercado, mas não tem capital para continuar no ritmo pré-crise", diz José Carlos Martins, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Para Miguel Oliveira, da Anefac (associação de executivos de finanças), as dificuldades pelas quais a Caixa tem passado devem limitar a oferta de juros menores para o consumidor.
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o banco estatal foi ultrapassado pelos concorrentes na concessão de crédito com recursos da poupança. Em nota, a Caixa diz que estuda diminuir a taxa de juros do financiamento. O desemprego, ainda em dois dígitos, é apontado como um dos fatores que mais atrapalham a alta do crédito.
A desaceleração do financiamento acompanhou a alta do desemprego, que subiu da casa dos 6% para mais de 13%. Nos anos recentes, quem estava empregado tinha receio de embarcar em uma dívida que pode se estender por mais de 30 anos. Quem perdeu o emprego não conseguia mais financiar.
Também pesou a perda de recursos da caderneta de poupança, que havia ficado menos atrativa para o investidor com a alta dos juros no fim do governo Dilma Rousseff, diz Martins, da Cbic. Para analistas, porém, a tendência é que muitas famílias que não conseguiam contratar um financiamento agora sejam atraídas pelos juros básicos em seu nível mais baixo.
Fantasmas das incorporadoras, sobretudo durante a crise econômica, os distratos - como são chamadas as desistências de compra de um imóvel - recuaram no ano passado, mas ainda preocupam. Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que o número de unidades residenciais distratadas foi de 40,5 mil, entre janeiro e outubro 2015, para 29,2 mil no acumulado do ano passado até o mesmo mês. Esse é o patamar mais baixo em três anos, quase 28% menor que no mesmo período de três anos atrás, quando os cancelamentos fizeram com que o setor ligasse o sinal de alerta.
Para facilitar as vendas, as incorporadoras costumam oferecer condições que cabem no bolso do cliente. Quando o edifício fica pronto e o mutuário tem de assinar o contrato com o banco, no entanto, muitas vezes, descobre que não terá condições de arcar com os custos do financiamento. Com a crise, os bancos ficaram ainda mais rigorosos na concessão de crédito para financiamento imobiliário.
Apesar de a ocorrência de distratos em 2017 ter sido menos grave que nos anos anteriores, ainda é um assunto que preocupa, sobretudo pelas inseguranças jurídicas que a falta de regulação gera, diz o presidente do Secovi-SP, entidade do setor, Fabio Amary. "Para o nosso segmento, resolver essa questão é mais importante do que qualquer outra reforma que o governo ficou de fazer."
Ele diz que o setor aguarda o andamento de um projeto de resolução dos distratos que está em discussão em Brasília. A proposta foi incluída na chamada "Agenda 15", um conjunto de medidas consideradas prioritárias para votação pelos parlamentares, anunciadas pelo governo após a interrupção da reforma da Previdência.
A expectativa do setor é de que o tema volte a ser discutido nas próximas semanas. Ainda que a passos tímidos, o mercado tem tido resultados melhores. No ano passado, houve um aumento de 6,1% no total de unidades residenciais vendidas e de 18,2% nos lançamentos, em relação a 2016, de acordo com a Abrainc.
Segundo Amary, o estoque de imóveis das incorporadoras está hoje em um patamar aceitável e o lançamento de empreendimentos, compatível com as vendas. "Nesses últimos três anos, teve o consumidor que perdeu a renda e o que teve receio de perder. O que a gente percebe é que, com a melhora dos indicadores econômicos, as famílias vão continuar diminuindo o endividamento e poupar para poder dar uma entrada maior", diz Leandro Diniz, do Bradesco.
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