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Porto Alegre, domingo, 08 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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tecnologia

Notícia da edição impressa de 09/04/2018. Alterada em 06/04 às 21h12min

Startup extrapola fronteiras

KJPARGETER/FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Uma série de empresas criadas no Brasil quer deixar para trás a ideia de que o País tem uma economia fechada e produz poucos negócios internacionais. Ainda não há uma pesquisa que quantifique quantas são as startups buscando clientes fora do Brasil, mas, em conversas com profissionais do setor, foram identificados 52 casos.
A internacionalização precoce é favorecida pelo fato de muitas delas não dependerem da venda de produtos e serviços entregues fisicamente, diz Juarez Leal, coordenador de internacionalização da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações).
Conforme as startups brasileiras amadurecem e mais empreendedores percebem que é possível competir no mercado internacional, está se tornando mais comum que se criem empresas pensando em como um dia atuar globalmente, afirma Rafael Ribeiro, diretor executivo da ABStartups (associação do setor).
A Pipefy (de software para gerir rotinas de empresas) nasceu em 2014 com site em inglês e mirando o exterior. Impulsionada por avaliações positivas em sites especializados internacionais, a empresa conquistou cerca de 8 mil clientes em 150 países.
Alessio Alionco, 31, fundador da empresa, diz que ser internacional desde o início aumenta o mercado da startup. Também a força a buscar o mesmo nível de qualidade de serviço de seus concorrentes globais e, com isso, ser mais competitiva. A companhia recebeu US$ 16 milhões em investimentos dos fundos OpenView e Trinity, ambos dos EUA.
É comum que a decisão de ir para fora do País ocorra quando a empresa atinge estabilidade no mercado brasileiro. Nesse momento, avançar para o exterior traz a chance de uma nova aceleração do crescimento.
É assim com a RankMyApp, que oferece serviços e tecnologias para ajudar na divulgação de aplicativos. A companhia deve aumentar investimentos para atrair clientes fora do Brasil neste ano. "Conseguimos quase tudo o que poderíamos por aqui e precisávamos de novos mercados para crescer", diz a sócia Juliana Assunção, 29. A startup está testando o retorno de investimentos de vendas para conquistar clientes na Colômbia, na Inglaterra, na Austrália e na Espanha.
As experiências são feitas principalmente a partir de contato por telefone e e-mail. Os mercados onde a iniciativa der mais resultado serão priorizados, afirma Juliana. No caso do Gympass, que vende planos de descontos em academias credenciadas para empresas, o impulso para ir para fora veio após a startup se tornar fornecedora de subsidiárias brasileiras de companhias multinacionais.
As matrizes dessas empresas se interessaram pelo serviço e incentivaram a expansão, diz Leandro Caldeira, diretor da empresa no Brasil. A startup, aberta em 2013, já atende clientes em 14 países, incluindo Argentina, México, Alemanha, Espanha, França e Estados Unidos. 
Apesar de a digitalização dos negócios ter facilitado a internacionalização de startups, tentar conquistar o mundo precocemente pode esvaziar o caixa da empresa e, por isso, a decisão depende de análise criteriosa. Rodolfo Pinotti, diretor de Operações para o Brasil da aceleradora americana 500 Startups, diz que dar mais atenção ao País pode ser melhor, porque, em geral, conquistar clientes aqui é mais barato do que fora. "É uma discussão difícil, mas, em muitos casos, é importante ganhar musculatura antes de expandir."
O desafio, explica Alan Leite, sócio da aceleradora de negócios Startup Farm, é que buscar clientes fora do País envolve custos como adaptação do produto, treinamento de equipe, pesquisas de mercado e manutenção de estrutura de atendimento.
Depois de levar, em pouco mais de dois anos, a Easy Taxi para 35 países, Tallis Gomes, 30, agora diz acreditar que dominar o mercado local primeiro é melhor. A Singu, sua empresa de contratação de profissionais de beleza via app, atende apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. "O mercado de beleza é tão grande onde estamos. Para que sair agora se há tanto para ser conquistado?"
O problema de internacionalizar muito rápido, segundo ele, é que será preciso vender uma participação grande na empresa para investidores para ter dinheiro para a expansão. "Quando você levanta capital muito cedo, dilui muito sua participação", diz.
Em 2014, Tallis deixou a Easy Taxi, da qual tinha uma participação minoritária. Àquela altura, a companhia tinha captado US$ 77 milhões com investidores. Sem dar números exatos, Tallis diz que a Singu cresceu sete vezes no ano passado. A startup levantou R$ 10 milhões em investimentos nas últimas semanas.
 
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