Porto Alegre, domingo, 11 de março de 2018.

Jornal do Comércio

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 12/03/2018. Alterada em 11/03 às 17h32min

Emater investe para ampliar a presença de abelhas na agricultura

Polinização aumenta qualidade, tamanho e amadurecimento de hortas, pomares e lavouras

Polinização aumenta qualidade, tamanho e amadurecimento de hortas, pomares e lavouras


/MARCO QUINTANA/JC
Thiago Copetti, de Não-Me-Toque
Entre os muitos espaços da Emater na Expodireto um dos mais movimentados foi um pequeno reduto entre árvores bem ao fundo do parque. É lá que a entidade divulgou os benefícios da união da agricultura com a apicultura. Ou melhor, com a meliponicultura: trabalho com meliponíneos (abelhas sem ferrão). De acordo com o engenheiro Agrônomo da Emater-RS/Ascar, Antônio Altíssimo, especializado no segmento, como as abelhas sem ferrão são menores, tendem a fazer uma melhor polinização de plantas, hortaliças e frutas. Os benefícios em produtividade e qualidade se dão em todas as culturas, garante o técnico.
"Um bom exemplo é o trabalho que fizemos voltado ao morango. Alguns produtores estavam com problemas com frutos disformes, feios, e acreditavam que era ação de fungos. Ao inserirmos colmeias na plantação, os frutos começaram a vir perfeitos", comemora Altíssimo, destacando a espécie Jataí entre as opções de inseto.
O benefício, diz o engenheiro agrônomo, se deve ao fato de que o morango precisa ser bem polinizado para que fique uniforme, e com mais abelhas entre as frutas, o problema foi resolvido. Em média, diz Altíssimo, se recomenda uma colmeia a cada 200 metros quadrados de cultivo. Unir abelhas e agricultura tem enormes benefícios e ganhos e baixo custo. O engenheiro da Emater avalia que o custo pode ser bastante reduzido, já que a colmeia pode ser feita artesanalmente ou comprada por, no máximo, R$ 200,00. "Por isso intensificamos esse trabalho de divulgação da meliponicultura em feiras e eventos há cerca de dois anos", descreve Altíssimo.
A união desses insetos e a agricultura vem sendo estimulada por diferentes empresas com forma de explorar até o benefício das sementes. É o que faz a Bayer, por exemplo, no cultivo de melancias Pingo Doce, uma variedade com alto teor de açúcar e sem sementes - e que justamente por ter menos semente, depende ainda mais da polinização para ter alto rendimento.
Basicamente a polinização aumenta o número, a qualidade, o tamanho, o formato e o peso de frutos e sementes. Além disso, encurta ciclos e uniformiza o amadurecimento das hortas, pomares e lavouras, diminuindo perdas na colheita. Na lista de variedades a Emater lista ao menos 24 espécies nativas do Estado, e ainda pouco utilizadas como estratégia de produção. Entre elas, manduri, jataí, mandaçaia, mandaguari e mirim. Ao todo seriam mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão no Brasil. O tema vem ganhando cada vez mais importância no setor e pesquisas no meio científico e agronômico em casos recentes de sumiço e mortandade de abelhas em diferentes anos e regiões do Estado. O fato estaria ligado ao impacto do uso de agrotóxicos em excesso nas lavouras, segundo alguns resultados de análises.

Biodefensivos ganham mercado e destaque em Não-Me-Toque

Em um setor dominado por multinacionais e grandes companhias que priorizam defensivos químicos, a fabricante de fungicidas Simbiose, de Cruz Alta, vem se destacando em um cenário de produção mais sustentável. É a partir de fungos e bactérias existentes no próprio solo que a empresa, criada há 10 anos no Paraná, vem ganhando mercado. "O mercado de defensivos sustentáveis cresce uma média de 20% ao ano no Brasil, muito por demanda dos consumidores que querem produtos melhores na mesa. Nós estamos crescendo o dobro", comemora Deraldo Horn, gerente de marketing da empresa.
Além de pesquisas próprias, a empresa também tem buscado parcerias com entidades como Embrapa e universidades para levar ao mercado pesquisas no segmento de insumos microbiológicos que normalmente ficariam restritos aos laboratórios acadêmicos, diz Horn. O resultado é que a empresa iniciou exportações em 2016, para o Paraguai, e está investindo R$ 10 milhões, inicialmente, na ampliação da fábrica desde 2017 para triplicar a capacidade produtiva.
De acordo com a Associação Brasileira de Controle Biológico (ABCBio), o mercado de produtos biológicos para agricultura representa apenas cerca de 2% do segmento de defensivos vendidos por aqui. Mas o setor vem em alta: de 2010 a 2016 o número de registros no Ministério da Agricultura saltou de 7% para 60% em relação aos produtos químicos. E o potencial de expansão é enorme, já que o mercado de defensivos movimenta por ano US$ 6 bilhões no Brasil, sendo que o controle biológico é responsável por apenas US$ 90 milhões, segundo a ABCBio.
"O potencial é tanto que grandes multinacionais como a Bayer vêm investindo neste segmento. E a aprovação de biodefensivos está ganhando prioridade nas aprovações do Ministério da Agricultura. Enquanto químicos podem levar até 10 anos para entrar no mercado, os biológicos estão sendo passados na frente e liberados em um prazo de dois a quatro anos", comemora Horn. 
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