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Porto Alegre, domingo, 11 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Policia Federal

10/02/2018 - 13h23min. Alterada em 11/02 às 22h00min

Declarações de Segovia ferem autonomia de delegado, diz associação

Segovia disse em entrevista que não há provas de crime contra Temer em decreto de portos

Segovia disse em entrevista que não há provas de crime contra Temer em decreto de portos


WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL/JC
Folhapress
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, disse que as declarações do diretor-geral da PF, Fernando Segovia, ferem a prerrogativa dos delegados de terem autonomia na presidência de um inquérito policial.
Nesta sexta-feira (9), em entrevista à agência de notícias Reuters, Segovia disse que não há provas de crime contra o presidente da República, Michel Temer, no inquérito que trata de um decreto para a área portuária. Disse ainda que, se a Presidência da República acionar formalmente a PF a propósito do tom de perguntas feitas por escrito a Temer pelo presidente do inquérito, Cleyber Lopes, poderá ser aberto um procedimento administrativo disciplinar contra o delegado.
Paiva afirmou que a repercussão da entrevista foi horrorosa, causou um mal-estar enorme entre os delegados da PF e também chamou algumas frases de Segovia de inacreditáveis. "Se ficarem confirmados os termos dessa entrevista, aliás queremos que a direção da Polícia Federal explique, o diretor-geral está ferindo prerrogativas do nosso cargo de delegado. Coloca a Polícia Federal numa situação muito ruim", disse Paiva.
Paiva afirmou que o delegado tem a prerrogativa de fazer as perguntas que entender necessárias para a sua investigação. Ele não fez perguntas ao presidente da República, fez perguntas a um investigado. O diretor deveria ter dito que, se alguém fizer uma representação contra o Cleyber por essas perguntas, será imediatamente arquivada, disse Paiva.
Segundo ele, Cleyber Lopes é um dos delegados mais respeitados na instituição, uma pessoa muito séria. O delegado, no inquérito, é livre para fazer a pergunta que entender necessária para esclarecer os fatos, disse Paiva.
Sobre a suposta fraqueza das provas coletadas até agora no inquérito, o presidente da ADPF disse que Segovia cometeu outra impropriedade. O delegado Cleyber ainda está fazendo a investigação. A palavra do diretor-geral de que não há provas coloca o delegado sob uma pressão muito grande. Se, ao final do inquérito, ele disser que não há provas, as pessoas vão dizer que ele cedeu às pressões do diretor-geral.
Se, ao contrário, decidir pedir o indiciamento do presidente da República, quem fica mal é o diretor-geral. De toda maneira, coloca a investigação numa situação que não deveria estar, disse Paiva.
Um diretor-geral de Polícia Federal não deve se manifestar sobre inquéritos em andamento, muito menos um que envolve o presidente da República. Sabemos a sensibilidade desse assunto, disse Paiva.
Tecnicamente, o delegado Cleyber tem total respaldo na lei para fazer as investigações que entender necessárias. Não tem que concordar nem seguir nenhum tipo de manifestação extra-inquérito. O que ele decidir no inquérito será avaliado pelo Ministério Público Federal e pelo Judiciário. É assim que funciona.
Paiva disse ainda que, uma vez confirmadas as declarações do diretor-geral, a entidade vai avaliar que medidas poderão ser tomadas para defender o delegado Cleyber Lopes de pressões indevidas.
Procurada neste sábado (10), a direção-geral da PF não havia se manifestado até o fechamento deste texto. Na noite desta sexta-feira (9), a direção não negou o conteúdo da entrevista publicada pela Reuters, apenas ponderou que Segovia não disse diretamente que o caso deverá ser arquivado.
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