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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 06/02/2018. Alterada em 05/02 às 21h39min

Polêmicas alimentadas pelo governo agravam a crise

O presidente Michel Temer (PMDB) tem demonstrado que pouco se importa com a opinião pública. A face mais visível de seu flerte com a polêmica foi a nomeação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho, a quem tenta dar posse há mais de um mês.
Filha do deputado Roberto Jefferson, também do PTB do Rio de Janeiro, Cristiane está impedida por liminares de assumir o posto de ministra em razão de uma condenação pela Justiça do Trabalho, por não ter assinado a carteira de um motorista particular, e de um acordo trabalhista com outro profissional do volante, pelo mesmo motivo.
Temer não desiste. Para o presidente, mais valem os votos da bancada do PTB para conseguir maioria em uma eventual votação da reforma da Previdência do que atentar para o significado da nomeação de uma parlamentar obscura, cuja única credencial é ser filha do personagem símbolo do mensalão do PT.
Temer também deu guarida a uma portaria polêmica que mudava o conceito de trabalho escravo ou análogo à escravidão. A reação da sociedade foi tamanha que a portaria acabou sendo revogada. Não sem antes causar um enorme desgaste a um governo que já é impopular.
A própria procuradora-geral da República, Raquel Dodge, veio a público condenar com veemência o conteúdo da norma, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e organizações de direitos humanos. De quebra, o Brasil foi expressamente censurado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Consta que o gesto buscava agradar a bancada ruralista, porque é no campo que a prática do trabalho escravo é mais difundida. Neste caso, também para angariar votos à reforma da Previdência.
Não contente, Temer mexeu em outro abelheiro: a liberação à exploração de minérios em áreas protegidas da Amazônia.Mais de três décadas depois de um decreto proibir a exploração mineral na chamada Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), o governo resolveu reabrir a área, sem qualquer debate com a sociedade.
O decreto assinado por Temer entregava a Renca, uma área de quase 47 mil quilômetros quadrados, à exploração privada de riquezas minerais. Novamente, Temer teve que enfrentar a opinião pública. Grupos de ambientalistas, indigenistas e parlamentares contrários fizeram o governo arquivar a medida. Para um presidente com popularidade de um dígito, tocar em questões tabus sem ouvir a população é gostar de flertar com a polêmica, o que só enfraquece um governo que já é frágil.
Quanto a Cristiane Brasil, já passou da hora de Temer desistir de empossá-la no Ministério do Trabalho. Sua tentativa de buscar apoio à reforma da Previdência é compreensível, afinal adequar o regime previdenciário à realidade das finanças públicas se faz necessário.
O Ministério do Trabalho, no entanto, é de extrema importância, principalmente no momento em que o Brasil precisa gerar empregos, portanto deve ser entregue a alguém com capacidade para formular políticas públicas que favoreçam a criação de vagas, e não para a filha de um amigo.
A sociedade está à espera de um gesto de grandeza do presidente Michel Temer. Assim como reconheceu o erro e revogou a portaria do trabalho escravo e a exploração mineral na Renca, desistir de Cristiane Brasil colocaria um fim a mais uma das tantas polêmicas gratuitas e desnecessárias, que em nada contribuem para serenar os ânimos no campo político. O Brasil precisa caminhar.
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