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Porto Alegre, terça-feira, 06 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 07/02/2018. Alterada em 06/02 às 21h56min

Liberdade de opinião e intolerância nas redes sociais

Se antes os ringues eram os locais apropriados para pancadaria, as redes sociais, virtualmente, assumem com êxito este papel na atualidade. Mascarada por um pretenso direito de opinião, a intolerância (racial, política, de gênero, para citar algumas) é uma marca visível em muitos posts, imagens e vídeos espalhados pela internet.
As redes sociais são, provavelmente, o elemento mais poderoso da era atual em termos de comunicação. Em menos de duas décadas, a massificação da internet uniu pessoas em diferentes cidades, diferentes estados, em longínquos países. A distância foi abreviada a poucos cliques no computador ou a um deslizar de dedos no smartphone.
Com isso, apps de relacionamento e sites como Facebook e Twitter criaram imensas comunidades virtuais - em que o tema, inevitavelmente, vem do mundo real -, nas quais a informação percorre telas na velocidade da luz.
Esta mudança de paradigma acelerou o processo de sociabilização das pessoas na última década. Conhecemos mais indivíduos, tornamo-nos parte de um coletivo, mas permanecemos obedientes ao individualismo.
É precisamente no apego à opinião individual que o ser humano incorre no paradoxo atual da sociabilidade contemporânea: as redes sociais têm o propósito de agregar diferentes correntes de pensamento, que teoricamente encontram no ambiente digital um espaço para discussão. Todavia, esse debate nem sempre é saudável: linhas e mais linhas de comentários carregados de preconceitos aparecem sorrateiros nas timelines.
Não gosta da cantora Anitta? Muita gente concorda, assim como não curte música sertaneja ou samba. É um direito individual, ninguém questiona. Agora, por que atacar a imagem do artista, com xingamentos, apenas por ele representar um movimento ou estilo musical diferente? O mesmo ocorre com outros fenômenos pop contemporâneos, como Pabllo Vittar. Rotular de lixo humano um artista apenas por não concordar com seu estilo musical é rasteiro e preconceituoso.
Em outro exemplo, os escândalos diários envolvendo esquemas de corrupção monopolizam o debate político neste início de 2018. Nunca o Congresso Nacional foi tão criticado pela condescendência com seus parlamentares corruptos, ou o sistema judiciário esteve tão em evidência em posts diários no Facebook. O debate seria saudável se a razão não perdesse espaço para a ignorância.
Cabe, aqui, uma divagação sobre solidariedade social, conceito muito estudado pelo sociólogo francês Émile Durkheim. Para ele, os laços que unem os indivíduos em sociedade derivam, necessariamente, da aceitação da consciência coletiva de todos. Essa consciência, conforme Durkheim, é responsável por valores morais e sentimentos comuns, mais ainda: define aquilo que temos como certo ou errado.
Todavia, o discurso amplificado das redes sociais distorce essa dualidade entre sim e não. O negativo, mais do que nunca, surge como algo ruim, péssimo, capaz de destruir reputações. Obviamente que algumas calúnias terminam em processos na justiça, mas muita coisa continua impune.
A internet, com a diversidade de vetores sociais que contém, é o ambiente ideal para a pluralidade de conceitos, ideias e valores. O problema reside na incapacidade que temos de conter as emoções e manter a razão. Afinal, a perfeição é um conceito inatingível para o ser humano.
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