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Porto Alegre, sexta-feira, 02 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Transportes

01/02/2018 - 18h44min. Alterada em 01/02 às 19h17min

MPF abre inquérito para investigar aumento da passagem da Trensurb

Sindimetrô-RS e movimentos fizeram protesto na estação Mercado em Porto Alegre

Sindimetrô-RS e movimentos fizeram protesto na estação Mercado em Porto Alegre


MARCO QUINTANA/JC
Enquanto mais de 220 mil usuários pagarão mais caro pela passagem da Trensurb a partir deste sábado (3), o Ministério Público Federal (MPF) decidiu instaurar um inquérito para investigar o nível de reajuste aplicado pela estatal. O aumento foi de 94%, passando o bilhete de R$ 1,70 para R$ 3,30. O valor estava congelado há 10 anos. O índice autorizado pelo governo federal ficou acima da inflação oficial (IPCA) do período, que foi de 79%, segundo o IBGE. Além do bilhete unitário, a correção atinge também a integração - trens e ônibus (TRI e SIM). O valor passa de R$ 5,18 para R$ 6,62. 
No fim da tarde desta quinta-feira (1º), o Sindimetrô-RS realizou ato, que atraiu movimentos sociais,  contra o aumento da passagem. O palco foi a estação Mercado, no Centro da Capital, que registra maior fluxo de usuários da malha do serviço. O sindicato informa que analisa a possibilidade de ingressar com uma ação na Justiça Federal para derrubar o reajuste.  
Para segunda-feira (5), grupos como o Juntos e outros que lideraram os protestos contra o aumento dos ônibus de Porto Alegre, em 2013, marcaram nova manifestação, às 17h30min. O evento "Não ao aumento abusivo do Trensurb" está sendo convocado pelo Facebook e soma 3,1 mil pessoas interessadas e 1,2 mil que indicaram que devem participar.   
Segundo a assessoria do MPF, o procurador Celso Antônio Tres, que atua em Novo Hamburgo, instaurou inquérito civil público nessa quarta-feira (31), quando a Trensurb oficializou o índice. Tres vai apurar se o índice está correto, já que ficou bem acima da inflação. Serão solicitadas explicações da estatal. Segundo o procurador, serão analisadas as razões de a direção da companhia não ter feito os reajuste ao longo dos dez anos - o último foi em 5 de janeiro de 2008, que pode ter contribuído para gerar dificuldades financeiras e até abrir caminho para a privatização, segundo informou a assessoria do MPF. O inquérito pode resultar em uma ação civil pública.
O diretor Jurídico do Sindicato dos Metroviários, Henrique Frozza, reforçou que o reajuste é "fora da realidade", o que já havia sido dito nessa quarta, e que, com a crise e perda de renda, não há como os passageiros suportarem a elevação. "Aí o governo vem com esse talagaço", disse Frozza, sobre o reajuste. O dirigente lembrou que o subsídio da passagem, para manter o valor mais baixo, soma R$ 100 milhões, cifra que é compensada pela redução de uso de outros transportes, como carro, e que demandaria mais investimentos em  infraestrutura.
O Sindimetrô-RS lembrou ainda que não há uso dos 15 trens novos, que são usados como razão para aumento de custos. A maior parte está parada por problemas técnico, que geraram ação na Justiça contra os fabricantes. "Trem novo economiza mais energia, o que reduziria a despesa da estatal", observa Frozza.
Uma das lideranças do Juntos Gabriel Feltrin diz que o ato de segunda é organizado por movimentos sociais, coletivos de estudantes e partidos, como o PSOL. "Vamos fazer o questionamento do aumento abusivo e inesperado", avisa Feltrin. A concentração será no saguão da estação, próximo às catracas de acesso aos trens. "Os atos podem ganhar força e repetir o que foi 2013", aposta o militante. As manifestações de quatro anos atrás contra o aumento das tarifas de ônibus eclodiram em Porto Alegre e outras capitais como os primeiros protestos que atingiram o governo federal, na época da então ainda presidente Dilma Rousseff (PT). 
"O governo age agora para privatizar a empresa. Os trens novos não rodam e até banheiros em algumas estações não funcionam", critica Feltrin. "Vamos pressionar a direção da Trensurb contra o aumento, que foi aplicado sem nenhum debate com os usuários."

Trensurb esclarece valor da integração

Em nota, a estatal informou que, por questões técnicas, a alteração de valor do bilhete da integração (ônibus e trens) entra em vigor somente na terça-feira (6). Em Canoas, a tarifa entre o metrô e os ônibus de Canoas operados pela Vicasa segue inalterada por prazo indeterminado, em R$ 5,45. A integração ônibus-metrô-ônibus entre Porto Alegre e Canoas também não muda por enquanto, permanecendo em R$ 9,10.
Para créditos adquiridos até segunda-feira (5), os valores a serem descontados seguem sendo os anteriores ao reajuste da tarifa do metrô até o dia 7 de março, tanto para a integração com os ônibus de Porto Alegre (R$ 5,18) quanto para a passagem unitária (R$ 1,70). 
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Comentários
Julia 01/02/2018 23h16min
Vocês tem como disponibilizar os links com as fontes? algum site do governo que eu possa ler algo sobre esse inquérito?