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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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investigação

08/02/2018 - 20h38min. Alterada em 08/02 às 20h39min

Rabello acusa Postalis de abrir mão das garantias e provocar rombo

Rabello diz que sua empresa teria cumprido seu papel ao avaliar operação do fundo de pensão

Rabello diz que sua empresa teria cumprido seu papel ao avaliar operação do fundo de pensão


FERNANDO FRAZÃO/ABR/JC
Folhapress
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Paulo Rabello de Castro, disse nesta quinta (8) que a SR Rating, de sua propriedade, cumpriu rigorosamente seu papel ao avaliar operação que deu prejuízo de R$ 109 milhões à Postalis, fundo de pensão dos empregados do correio, investigada pela Polícia Federal. 
Ele acusou ainda o fundo de pensão de abrir mão das garantias pelo financiamento, ao aceitar a troca de imóveis concedidos inicialmente por uma hipoteca, e de perdoar o devedor de penalidades previstas em contrato. O negócio é alvo da Operação Pausare, da Polícia Federal, que realizou na última quinta (1°) busca e apreensão na casa de Rabello e na SR Rating, da qual o executivo está afastado para comandar o banco.
Relatório da operação Pausare obtido pela Folha de S.Paulo diz que o fundo perdeu os R$ 109 milhões aplicados em CCIs (cédulas de crédito imobiliário) emitidas pela Mudar Master II Participações, entre 2010 e 2011.
Para fazer essa aplicação, o Postalis considerou pareceres produzidos pela empresa de classificação de risco SR Rating. Rabello era um dos integrantes do comitê responsável pela avaliação dos investimentos.
A gente tem certeza absoluta que cumpriu rigorosamente nossa obrigação, afirmou Paulo Rabello, em entrevista concedida nesta quinta para defender a atuação de sua empresa.
A agência deu nota brA (satisfatória ou boa, no âmbito local e no prazo analisado) aos títulos. O executivo defende que, na classificação global, usada pela SR, essa nota é equivalente a BB+, abaixo do grau de investimento, que representaria risco mediano.
Segundo ele, a análise da SR Rating considerou que as debêntures eram garantidas por imóveis da Mudar Investimentos Imobiliários, do empresário Augusto Martinez Almeida, também investigado pela Pausare.
Em novembro de 2012, porém, a Postalis teria feito uma repactuação no contrato, aceitando a troca dos imóveis por uma segunda hipoteca de um outro empreendimento, ampliando o risco de calote.
Dois meses antes, diz Rabello, a SR já havia rebaixado a nota dos títulos para BB-, o que daria à Postalis o direito de pedir o pagamento antecipado da dívida, segundo cláusula contratual. Apesar disso, continua ele, a fundação concedeu o waiver (perdão) dessa cláusula no momento da repactuação do contrato.
A investigação concluiu que nenhuma parcela de juros ou amortização dos títulos foi paga e, sem garantias, a Postalis não pode recuperar os recursos.
"As empresas investidas [que receberam investimento] não fizeram nenhum pagamento ao Postalis, tendo todo o dinheiro do fundo de pensão simplesmente desaparecido", escreveram o procurador da República Ivan Marx e o delegado Luiz Flávio Zampronha. O valor seria aplicado em empreendimentos da Mudar Investimentos Imobiliários, que já havia passado por uma crise financeira em 2009.
Rabello questionou afirmação do MPF sobre elogios da SR à Mudar nas análises técnicas e diz que os riscos e garantias foram incluídos no documento. Nenhuma empresa de classificação de risco encoraja ou desencoraja investimentos, defendeu o executivo. O comitê de investimentos de um fundo de pensão é quem decide se vai fazer ou não.
Ele informou que irá à Polícia Federal na semana após o carnaval levar documentos que comprovariam suas alegações e que de jeito nenhum chegou a pensar em se afastar do BNDES devido às investigações.
Procurada, a Postalis ainda não se manifestou sobre as afirmações de Rabello. A fundação está sob intervenção da Previc, o órgão regulador do segmento de previdência complementar, desde outubro de 2017.
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