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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Petróleo

Notícia da edição impressa de 09/02/2018. Alterada em 08/02 às 23h44min

Venda da Triunfo gerou prejuízos à Petrobras

Braskem adquiriu a petroquímica em 2009 por cerca de R$ 250 milhões, valor bem abaixo de outra oferta

Braskem adquiriu a petroquímica em 2009 por cerca de R$ 250 milhões, valor bem abaixo de outra oferta


/BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC
Um laudo preparado pela Polícia Federal (PF), no Paraná, levanta suspeita sobre o valor de venda da Petroquímica Triunfo, da Petrobras, para a Braskem, do grupo Odebrecht, em 2009. De acordo com o documento, a negociação teria provocado um prejuízo para a estatal entre R$ 144,4 milhões e R$ 191,2 milhões. O relatório, feito por um perito criminal federal, foi incorporado à investigação que corre em segredo de Justiça e está no âmbito da Operação Lava Jato.
Segundo fontes, o inquérito começou em 2014, com denúncias dos ex-sócios da Petrobras na Triunfo. A estatal detinha na companhia, localizada no Rio Grande do Sul, uma fatia de 84,4%, por meio da sua subsidiária Petroquisa. O restante pertencia à Petroplastic, companhia da família Gorentzvaig.
Em 2008, antes do negócio com a Braskem, a Petrobras tinha recebido uma oferta da Petroplastic para comprar a Triunfo por
R$ 355 milhões. Mas a venda não foi fechada, porque a estatal justificou que a sócia teria perdido o prazo para concluir a transação. O argumento da família era que o processo de avaliação da empresa ainda não tinha sido concluído. O caso foi parar na Justiça e, logo em seguida, a estatal iniciou conversas com a Braskem, de quem também era sócia, para fazer a incorporação da Triunfo por cerca de
R$ 250 milhões, valor bem abaixo da oferta dos Gorentzvaig.
A diferença entre as propostas levou os peritos da PF a recalcular o valor da empresa com base em relatórios de bancos. Foram usadas as análises do UBS Pactual, contratado pela Petrobras para o negócio, e do Bradesco BBI, por parte da Braskem. O laudo incorpora ainda relatório do Santander, de 2007, encomendado pela Petrobrás na negociação com a Petroplastic, que avaliava em Triunfo em R$ 355 milhões.
O resultado do laudo é que houve subvalorização dos ativos da Triunfo. Os peritos dizem que a Petrobras teria negligenciado relatórios de avaliação feitos pelo banco que ela própria contratou em benefício do relatório emitido pelo Bradesco BBI, que fez o cálculo para o comprador.
Segundo os peritos, com base num fluxo de caixa reduzido, o Bradesco BBI chegou num valor da empresa de R$ 249 milhões, enquanto os cálculos da perícia apontam para valores entre
R$ 393 milhões e R$ 440 milhões. Em nota, o Bradesco BBI disse que "prestou serviço de avaliação técnica à parte interessada na compra", no caso, a Braskem. Isso significa que o banco não participou de toda a negociação, mas só fez os cálculos de preço da empresa.
A Braskem, por sua vez, explicou que, em razão do acordo de leniência, assumiu o compromisso de cooperar com as autoridades. "Em relação especificamente a esse assunto (Triunfo), a empresa já se manifestou no processo de investigação, que corre sob segredo de Justiça. Com base em avaliações societárias e econômico-financeiras juntadas ao processo, a Braskem não identificou nenhuma irregularidade."
Fontes do setor afirmam que a Braskem contratou relatório do economista Gustavo Franco para comprovar que não houve nenhuma irregularidade na incorporação da Triunfo e nos cálculos de preços dos ativos.
A Petrobras disse, também por meio de nota, que as autoridades públicas que conduzem as investigações da Operação Lava Jato e o Supremo Tribunal Federal reconhecem que a empresa é vítima de todos os fatos revelados pela operação. "A Petrobras segue colaborando com as autoridades e buscará o ressarcimento de todos os prejuízos causados em função dos atos ilícitos cometidos contra a companhia." Ao contrário do passado, hoje a estatal segue o caminho inverso e tenta vender sua participação na Braskem.
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