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Porto Alegre, terça-feira, 06 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 07/02/2018. Alterada em 06/02 às 22h51min

Colapso rápido pode ter sido causado por robôs de investimento, acreditam analistas

As bolsas americanas despencaram tão rapidamente na última segunda-feira que o consenso, nesta terça-feira, em Wall Street era de que aquilo não podia ser coisa de gente. Segundo analistas, apenas "robôs" de investimento poderiam fazer com que o Dow Jones perdesse mais de 820 pontos em intervalo de apenas seis minutos. Surgida no fim dos anos 1980, a tecnologia que delega a algoritmos decisões de investimento se popularizou nos últimos anos e já responde por metade do volume negociado no mercado americano. Sua autonomia, porém, ainda desperta desconfiança.
Uma das características dos robôs é o fato de poderem movimentar ativos em alta frequência - ou seja, comprar e vender papéis em milissegundos, a milésima parte do segundo - seguindo parâmetros pré-estabelecidos pelo gestor. Isso permite aos investidores, por exemplo, arbitrar o preço de uma ação negociada em dois mercados distintos. Exemplo: ao "verem" o papel se desvalorizar em Wall Street, os robôs conseguem vendê-la antes que a Bolsa de São Paulo registre a mudança.
A disputa por tempo é tamanha que as companhias que operam em alta frequência pagam fortunas para instalar seus computadores apenas alguns centímetros mais próximos aos servidores da Bolsa de NY. Em "Flash Boys", o escritor Michael Lewis acusou essa tecnologia de roubar investidores comuns ao "enxergar" as cotações antes deles.
O problema é que, se algo der errado, dificilmente alguém conseguirá agir antes de um estrago milionário. Em 2010, robôs fizeram com que o Dow Jones perdesse e recuperasse 600 pontos em pouquíssimos minutos, no chamado "flash crash". Em 2012, um "bug" no algoritmo da firma americana Knight Capital fez com que ela perdesse US$ 440 milhões em apenas 45 minutos.
A decisão de um grupo de robôs pode desencadear a de outro antes que qualquer humano entenda o que está acontecendo. Eles podem executar o chamado "stop loss", que vende determinado papel caso ele caia abaixo de uma cotação mínima determinada pelo investidor. Na segunda-feira, quem aplicava em títulos que apostavam na baixa volatilidade do mercado se viram forçados a levantar dinheiro rapidamente para cobrir suas posições nesses papéis assim que as oscilações de mercado se acentuaram. Os algoritmos podem ter desencadeado a venda de ações para fazer frente àquele revés.
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