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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

06/02/2018 - 15h26min. Alterada em 06/02 às 22h51min

Artecola entra com pedido de recuperação judicial

Holding do grupo fez o pedido na Justiça e alegou que a operação química é saudável

Holding do grupo fez o pedido na Justiça e alegou que a operação química é saudável


ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
O grupo dono da Artecola, com uma das principais operações em indústria química no Rio Grande do Sul, entrou com pedido de recuperação judicial. A medida foi tomada nessa segunda-feira (5) com ingresso do pedido na Vara de Direito Empresarial, Recuperação de Empresas e Falências em Novo Hamburgo.
Em nota, a direção do grupo, FXK, que é dono da Artecola Química, confirmou a medida por meio de nota, divulgada nesta terça-feira (6). As origens das dificuldades, que começaram em 2015 - a holding não divulgou o valor de dívidas -, estariam em uma operação que não foi exitosa em sociedade com a Marcopolo, com sede em Caxias do Sul, a MVC. As duas corporações gaúchas montaram uma empresa para atuar em projetos de construção, como de creches públicas. Também no começo de 2017, o FXK fechou a Artflex, que produzia calçados, para se concentrar na área química, que é sua origem. A Artecola foi fundada há 70 anos pela família Kunst.   
"O objetivo do pedido é proteger o negócio químico, que é saudável e capaz de oferecer resultados positivos a todas as partes interessadas, e assim seguir gerando valor. As operações, entregas e os atendimentos aos clientes seguirão em ritmo normal, não sendo afetados por este movimento", garante. 
A crise financeira também já teria gerado demissões, mas, na nota, a direção do grupo não chega a informar sobre cortes. O grupo alega que teve de buscar a recuperação devido a "bloqueios e impedimentos quase que diários" por credores, que "prejudicaram o dia a dia da companhia, inviabilizando a gestão saudável das finanças". "Alguns credores mais afoitos acenaram com pedidos de falência", registra a direção do grupo.
No fim do ano passado, a Artecola chegou a inaugurar uma nova operação industrial na Colômbia, que foi anunciada como a planta de adesivos mais moderna de toda a América Latina com planos de abastecer os mercados do Peru, Equador, Panamá, Bolívia, Caribe e a própria Colômbia. A unidade fica em Mosquera, vizinha a Bogotá. A nova fábrica, segundo a empresa, possibilitaria ampliar a participação no mercado, que é de 20% na Colômbia e 7% em nível regional (do México ao Brasil). A Artecola tem operações também no México, Chile, Argentina e Peru.
Além disso, a Artecola Química empresa foi considerada a mais internacionalizada do Brasil entre as que registram faturamento anual de até R$ 1 bilhão. A posição de liderança foi retomada - ficou em 2º no ano passado - com o crescimento no índice de internacionalização, que passou de 0,607 para 0,619. No âmbito geral, a Artecola manteve o sexto lugar. Os dados são do Ranking FDC das Multinacionais Brasileiras 2017, elaborado pela Fundação Dom Cabral e recém-divulgado.

Íntegra da nota distribuída pela Artecola nesta terça-feira:

"A FXK Adm. e Participações e suas controladas, incluindo a Artecola Química, informa que ingressou com pedido de Recuperação Judicial (RJ) junto ao Judiciário gaúcho. O objetivo é proteger o negócio químico, que é saudável e capaz de oferecer resultados positivos a todas as partes interessadas, e assim seguir gerando valor. As operações, entregas e os atendimentos aos clientes seguirão em ritmo normal, não sendo afetados por este movimento.
A origem das dificuldades que levaram ao pedido de RJ não foi o negócio químico, e sim investimentos do passado, alguns deles dependentes de contratos com o Poder Público. Apesar da crise financeira na Artecola ter se iniciado em 2015, durante dois anos mantivemos nossos pagamentos em dia, conservando nossa tradição de quase 70 anos em honrar compromissos. No entanto, recentemente, a saúde financeira da empresa teve sérios abalos em função desta situação.
Nos últimos dias, bloqueios e impedimentos quase que diários prejudicaram o dia a dia da companhia, inviabilizando a gestão saudável das finanças. Alguns credores mais afoitos acenaram com pedidos de falência. Diante disso, optamos pela manutenção dos empregos e continuidade dos negócios através da Recuperação Judicial.
Com o processo recuperacional, iremos dar continuidade à atividade empresarial e renegociar nossas dívidas, de modo a cumprir as obrigações a serem previstas no Plano de Recuperação Judicial. A RJ é uma das ferramentas, e parte de um plano maior, para recuperarmos a saúde financeira da Artecola e seguir gerando emprego e renda nos setores onde atuamos. Menos de 2% das empresas brasileiras chegam aos 70 anos, e ninguém alcança essa idade sem enfrentar percalços.
Este é mais um passo em nossa trajetória de quase 70 anos, que nos levou ao posto de uma das empresas mais internacionalizadas do Brasil, líder em inovação e destaque em sustentabilidade. Temos a convicção de que seremos uma empresa ainda mais forte depois desse período, pois somos econômica e financeiramente viáveis e temos plenas condições de superar esta fase.
A direção."
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Comentários
Anderson Ricardo de Almeida 07/02/2018 09h29min
Sou um Ex. funcionário MVC (atualmente com o nome de Gatron). Tive oportunidade de acompanhar o projeto que não foi exitoso entre as empresas Marcopolo e Artecola, e posso afirmar que ouve negligencia das acionistas e este problema poderia ter sido evitado. Atualmente a empresa MVC (GATRON), Artecola entraram em recuperação judicial afim de evitar ou adiar o pagamento de um passivo que passa de 1 bilhão. Lembrando que existe aproximadamente 1500 funcionários que não receberam seus direitos.