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Porto Alegre, terça-feira, 13 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 14/02/2018. Alterada em 13/02 às 23h49min

Candidato ao Oscar, Três anúncios para um crime entra em cartaz esta semana no Brasil

Três anúncios para um crime concorre em sete categorias do Oscar

Três anúncios para um crime concorre em sete categorias do Oscar


FOX FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Grandes histórias, frequentemente, trazem protagonistas que possuem fraquezas ou desvios de caráter, elementos com que precisam lidar em meio a jornadas pessoais ou coletivas. Três anúncios para um crime é um desses exemplos, se passando todo em uma zona cinzenta, longe de simplificações e evitando lições morais. Com uma narrativa despreocupada com respostas e soluções definitivas, o filme tem sete indicações ao Oscar. O título entra no circuito comercial amanhã, em horários regulares, após uma semana em sessões de pré-estreia.
Novo longa-metragem do cineasta britânico Martin McDonagh (Na mira do chefe), o título pode ser resumido como um conto que aborda o sentimento de raiva. Mas como nem tudo é preto ou branco neste enredo, o roteiro tem até espaço para doses de humor, embora de teor um tanto ácido.
A atriz Frances McDormand (premiada com o Oscar por Fargo, de 1996) tem uma daquelas atuações capazes de definir uma carreira. Ela interpreta Mildred Hayes, uma mãe inconformada com a inoperância da polícia em sua cidade. Há meses, sua filha foi morta, e o responsável pelo crime não foi descoberto. A protagonista crê que manter o caso em evidência na mídia vai resultar em mais empenho por parte dos oficiais. Resolve, então, alugar três outdoors em uma estrada, nos quais escreve algumas mensagens: "estuprada enquanto assassinada", "ainda sem nenhuma prisão?" e "como assim, xerife Willoughby?". A iniciativa afeta a rotina da comunidade local.
O roteiro, também desenvolvido por Martin McDonagh, não desperdiça personagens. Todos têm algo relevante a dizer, em um panorama de ânimos exaltados - a partir do qual o diretor faz também um comentário sobre hipocrisia. Ao longo da narrativa, o que alguns moradores da cidade fazem não dialoga com aquilo que pregam ou desejam.
Além de Mildred, o eixo principal da história inclui o próprio xerife (papel de Woody Harrelson) e um de seus comandados, Dixon (Sam Rockwell). Enquanto o primeiro passa por um momento pessoal delicado quando os anúncios vêm à tona, o segundo é conhecido como um policial racista. Mas, assim como a protagonista, eles também possuem suas nuances. Cada um joga com frustrações de maneira própria, em um recorte que desconstrói idealizações do espectador.
A dinâmica entre Mildred e Dixon ainda traz um contraste. A mãe em luto apresenta toda sua raiva canalizada e estudada - porque, quando sua filha morre, o culpado precisa pagar e, se ele não é encontrado, a responsabilidade pelo fracasso é do sistema. Mildred tem as palavras calculadas e a frieza para dizê-las na hora correta, eloquentemente, mesmo que por dentro esteja queimando. Mas, quando a personagem está sozinha, a vulnerabilidade aparece nos detalhes - como em um pouco de terra desleixadamente esquecido em sua testa. Magnética, Frances McDormand rouba o filme para si sempre que enquadrada.
Dixon, ao contrário da protagonista, não consegue conter sua violência. Quando pressionado, gagueja. É um homem de ações ríspidas, não de palavras, talvez como contraponto a uma sensação de macho fragilizado. Como marca registrada, toma atitudes erradas com uma assiduidade nada invejável, seja por ignorância (no pior sentido do termo) ou inconsequência.
O título, no entanto, não se vale de heróis ou vilões em estado puro. O que interessa é o que está no meio de um ciclo de pequenas e grandes agressões - e por que está no meio. Culpa, trauma, luto, injustiça: tudo entra em pauta para reflexão, já que Martin McDonagh não entrega mensagens fáceis. Quando a protagonista escancara a ineficácia de uma instituição, pouco a pouco ocorre a revelação de uma miséria coletiva.
A produção concorre aos Oscar de melhor filme, atriz (Frances McDormand é a favorita deste ano), roteiro original, ator coadjuvante (categoria à qual Sam Rockwell e Woody Harrelson foram indicados) e ainda aos prêmios de montagem e trilha sonora. Na temporada, o longa-metragem já ganhou quatro destaques no Globo de Ouro (incluindo melhor filme de drama), além de outras distinções importantes, como melhor elenco de acordo com o sindicado de atores de Hollywood.
Completam o elenco nomes como Lucas Hedges (jovem indicado ao Oscar no ano passado por Manchester à beira-mar) e Peter Dinklage (famoso por Game of Thrones).
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