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Porto Alegre, domingo, 11 de fevereiro de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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gestão

Notícia da edição impressa de 12/02/2018. Alterada em 09/02 às 20h03min

Personalidade supera técnica

Habilidades socioemocionais apareceram na frente de "se comunicar em língua estrangeira

Habilidades socioemocionais apareceram na frente de "se comunicar em língua estrangeira


JOÃO MATTOS/arquivo/JC
A relação entre a educação e o trabalho passa por uma espécie de crise existencial. Ela é evidenciada por constantes revisões do perfil profissional buscado pelas empresas, que se torna cada vez menos técnico e mais focado em traços da personalidade, como persistência e facilidade de relacionamento. Outro sintoma do distanciamento entre o universo acadêmico e o laboral é a elevada parcela de profissionais que termina em empregos fora de sua área de formação. Essas tendências - apontadas por duas pesquisas do Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para o Brasil e a África Lusófona (FGV Clear) - indicam que o País pode estar desperdiçando recursos investidos na educação que, se fossem mais bem aplicados, talvez elevassem a baixa eficiência da economia.
Um dos estudos, feito pela instituição em parceria com o JPMorgan em 2017, mostra que 85% das empresas no estado de São Paulo, nos setores de saúde, tecnologia e alimentos, reveem as necessidades de treinamento dos funcionários o tempo todo.
O percentual atinge 90% entre as grandes empresas. "O mundo do trabalho tem mudado muito, e as empresas não sabem bem o que querem. Vão na base da tentativa e do erro", afirma o economista André Portela, um dos autores da pesquisa. O esforço para adequar o perfil dos funcionários às rápidas mudanças tecnológicas esbarra em barreiras. Quase 80% das 417 empresas entrevistadas pela FGV e pelo JPMorgan relataram enfrentar problemas para contratar empregados para vagas de perfil técnico, e 36% disseram que a dificuldade é alta.
As entrevistas feitas com as empresas mostram que conhecidas deficiências do ensino ajudam a explicar seu desencontro com o trabalhador. Indagadas, por exemplo, sobre as competências que dificultam as contratações, as empresas mencionaram questões que aludem à formação acadêmica. No setor de alimentos, falta de conhecimento e escolaridade foram, respectivamente, a segunda e a quarta fragilidade mais citada. As empresas de tecnologia e de saúde também listaram problemas como escassez de conteúdo técnico e falta do domínio da escrita.
Mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi que, nos três setores, competências mais próximas de traços da personalidade do que de conteúdos técnicos foram citadas pela maioria. "As empresas não reclamam tanto de habilidades técnicas, mas da chamada 'job readiness' (prontidão para o trabalho, em tradução livre)", afirma Portela.
Entre as carências mais comuns foram mencionados pontos como postura profissional, competências comportamentais, ética, falta de comprometimento e comunicação. Já entre as características imprescindíveis, ser disciplinado e perseverante, e trabalhar em grupo foram mencionadas por quase a totalidade das empresas. As habilidades socioemocionais apareceram na frente de se comunicar em língua estrangeira até nas respostas do setor de tecnologia. A percepção da importância de característica como perseverança e autocontrole aumenta à medida que pesquisas mostram que seu impacto no desempenho acadêmico e no sucesso na vida adulta é igual ou até maior do que a inteligência medida em testes cognitivos tradicionais.
 
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