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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 12/01/2018. Alterada em 11/01 às 22h04min

A nova velha Rússia

João Roberto A. Neves
Em seu livro The grand failure, o saudoso Zbigniew Brzezinski reporta-se a uma obra de Astolphe de Custine (1790-1857), intitulada Cartas da Rússia, publicada em 1839, em que as entranhas do czarismo são dissecadas, com ênfase à burocracia estatal, "baseada em minúcias, sujeira e corrupção", salientando que "o único domínio no qual a tirania demonstra inventividade é na maneira de perpetuar seu poder". Intelectos esclarecidos transcendem realidades forjadas pelo poder. Com efeito, em um ensaio intitulado Will the Soviet Union Survive until 1984?, escrito originalmente em russo, em 1969, o finado dissidente russo Andrei Alexeievich Amalrik, impedido de conhecer o orbe que o cercava, expressa que algumas das condições que o povo vivenciou antes das revoluções de 1905 e 1917, "provavelmente existem de novo: uma sociedade estratificada dominada por castas, um rígido sistema governamental que abertamente se choca com a necessidade de desenvolvimento econômico, a burocratização geral e a existência de uma classe privilegiadas dos funcionários". Registre-se que a revolta de 1917 a que se refere Amalrik é a liderada por Lenin, que derrubou o governo Kerensky, partícipe do movimento revolucionário que nesse mesmo ano depôs o czar Nicolau II. A tomada do poder pelos bolcheviques fez ressurgir novos falsos-sóis, com seus fiéis seguidores, sans-culottes de ocasião.
A refundação do Estado com o fim de servir ao novel sistema, na condição de órgão supremo da ação coletiva, determinou a continuação da sociedade civil como simples expectadora do destino do país, condição essa que se aprofundou acentuadamente com a ascensão ao poder de Stalin, militante ativo, especialista em violentos assaltos a bancos, extorsões, assassinatos etc., inspirador de oportunistas russos e de outras nacionalidades. Karl Marx, nos Grundrisse, expressa que "uma nação pode e deve aprender com as outras". A Rússia, no entanto, continua aprendendo apenas consigo mesma.
Advogado
 
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