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Porto Alegre, quarta-feira, 10 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 05/01/2018. Alterada em 04/01 às 21h35min

Fogos de artifício para 2019

Nei Rafael Filho
Poucos recordam a morte do compositor austro-húngaro Franz Joseph Haydn (1732-1809). Ocorreu na primavera de 1809, no mês de maio. Tropas napoleônicas chegaram à Viena sob o rufar de tambores e estrondos de potentes canhões, barulho forte o bastante a enfartar o velho músico, autor do primeiro hino da Áustria. O som é experiência sensorial, processado pela percepção auditiva. É o sentir exclusivo do animal superior, homem, cão, cavalo. O aparelho auditivo humano é limitado, e é antiga a iniciativa de legislar impondo regra e sanção ao descumprimento. Medimos a tolerância auditiva ao ruído ou o nível de pressão sonora na unidade decibel, calibrada num engenho chamado decibelímetro (Sound Meter). O excesso sonoro danifica componentes, somático e mental humano. A inteligência racional dispõe, afora as leis, aparatos de proteção.
É preocupante a saúde auditiva e mental do animal doméstico no exagero cometido em comemoração festiva, do campeonato de futebol, Natal e Réveillon. Sinalize, o delicado aparelho auditivo canino está à própria sorte e sem defesa, hoje. Seguramente aflição em evidência no lar brasileiro. O ouvido do cão é apurado, de complexa formação. A genética mostra o percurso recuado em milênios: lobos se aproximaram do homem nômade para oferecer proteção em troca da sobra alimentar. A parceria o fez menos selvagem e mais inteligente. Lição escrita por notáveis da ciência do comportamento animal, a exemplo de Rémy Chauvin e Konrad Lorenz, autor do controverso "On aggression" (1963). No passado o ouvido do cão primitivo alertou o humano. É patético o costume da sociedade.
É vergonhoso ver o cão, aturdido pelo ruído inútil, pulando da janela de um prédio, enlouquecido ao som brutal da festa humana. Fogo de artifício foi observado pelo português em Macau, século XVI, e trazido aos trópicos para o culto da miscigenação, diferente da cultura oriental cuja temática prima reverência.
Advogado
 
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Comentários
Marco Piffer 10/01/2018 17h38min
Não são somente os animais que sofrem em razão destes estouros absurdos. Pessoas acamadas, idosos e crianças também. Tivemos a morte de uma criança em uma praia catarinense, morte causada por rojão. Este fato foi divulgado pela mídia, mas quantos acontecem sem que ninguém saiba? Uma vizinha perdeu um cachorro de estimação, morreu do coração. Devemos estimular os tiroteios, o uso de armas de fogo em razão do desemprego?? Temos muitos trabalhadores neste segmento. Os rojões são armas poderosas.
Expedito 05/01/2018 17h18min
Os fogos fazem parte da cultura festiva dos brasileiros a séculos e geram milhares de empregos , nesse momento triste que vivemos de mais de 12 milhões de desempregados. Todos nós amamos os animais, mas também devemos amar o emprego do próximo . Infelizmente o discurso do ódio faz com que tratemos o ser humano como bicho, usando como escudo a carência afetiva de tratar os bichos como humanos. Dessa forma todos perdem: seres humanos e animais!