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Porto Alegre, quarta-feira, 10 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Meio Ambiente

Notícia da edição impressa de 10/01/2018. Alterada em 10/01 às 13h51min

Dilúvio não tem dragagem desde novembro de 2016

Em alguns trechos, os bancos de terra e lixo chegam quase a obstruir o canal

Em alguns trechos, os bancos de terra e lixo chegam quase a obstruir o canal


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
Quem olha para o arroio Dilúvio, canal que corta Porto Alegre de Leste a Sul para desaguar no Guaíba, percebe, há meses, o aumento acelerado de bancos de terra, muitos já recobertos de vegetação. Em alguns trechos, a areia recobre mais da metade do canal e quase obstrui a passagem da água. Além disso, lixo de todo tipo - de pneus a material plástico - brota na superfície. A paisagem, que, nos dias quentes de verão, fica ainda mais desolada devido ao baixo nível da água, é efeito de mais de um ano sem dragagem do canal. Com isso, o assoreamento foi tomando conta do veio, que não é dragado há mais de um ano.
> VÍDEOS JC: Imagens expõem a situação do Dilúvio 
Quando chove muito, o dilúvio ameaça transbordar. "Não há risco de extravasar, pois a obra de engenharia do Dilúvio foi muito bem feita, mas há pontos críticos, com excessiva obstrução", adverte o professor doutor em Recursos
Hídricos e Engenharia Ambiental da Ufrgs Gino Roberto Gehling. Há pontos onde estão pontes de travessia da avenida Ipiranga em que os resíduos já obstruem 50% do espaço da água. "Se vier algum arbusto maior, vai vedar a passagem, e, aí sim, há risco em transbordar com chuva forte", aponta.
Gehling preocupa-se com o impacto do assoreamento para a vida que existe mesmo no ambiente poluído. "Logo vai aparecer cardumes de tilápias", cita o professor. "Resíduos, mesmo que de vegetais, lixo, pioram a capacidade de sobrevivência dos peixes."  
> Galeria de imagens de como está o arroio (Marcelo G. Ribeiro):
A última operação de remoção de materiais ocorreu em novembro de 2016. Em nota, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos admite que, "em situação ideal, seria necessária a repetição anual do serviço". Parte da condição atual também pode ter relação com o ritmo dos procedimentos de dragagem desde 2013. O volume retirado foi a cada ano menor. Foram 93,4 mil metros cúbicos em 2013; 42,7 mil, em 2014; 37,4 mil, em 2015; e 21,8 mil, em 2016. 
A assessoria da pasta informa que o contrato com a Brasmac, terceirizada que fazia o serviço, venceu em fevereiro de 2017 e foi encerrado. A empresa, segundo a assessoria, estava sob investigação devido a apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre "supostas práticas de irregularidades". Em pregão eletrônico, a Maraskin Projetos venceu e foi contratada em setembro, começando a prestar serviços em outubro. O valor do contrato por ano caiu de R$ 4,8 milhões para R$ 3,475 milhões.
Como o serviço não abrange apenas o arroio, o Dilúvio ficou na fila. Antes do canal, a Maraskin começou a desassorear a bacia do parque Marinha do Brasil, exigência de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público, e depois atuará na limpeza das áreas das bombas 5 e 6, na Vila Farrapos e no bairro Anchieta, sob o viaduto da BR-290, na saída da Capital. A dragagem do Dilúvio, com isso, está prevista para o primeiro trimestre, mas sem data. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, onde fica a Divisão de Manutenção de Águas Pluviais, diz que toda a semana são recolhidas oito toneladas de lixo do entorno do canal. A Ecobarreira, instalada pela empresa Safeweb próxima do encontro com o Guaíba, ajuda a reter o volume de resíduos gerados no descarte irregular. 
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