Porto Alegre, quinta-feira, 18 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 17/01/2018. Alterada em 18/01 às 04h31min

Varejo moderno foca em experiências e uso digitais

Comitiva conferiu o espelho virtual no estande da Intel com aplicações para setor de beleza

Comitiva conferiu o espelho virtual no estande da Intel com aplicações para setor de beleza


PATRÍCIA COMUNELLO /ESPECIAL/JC
Patrícia Comunello, de Nova Iorque
Os empresários gaúchos voltam da NRF 2018, maior feira de varejo do mundo, que terminou ontem em Nova Iorque, hipnotizados pela tecnologia, mas com algumas tarefas na bagagem. Entre elas, a integração de multicanais - do off-line ao on-line, reduzir as barreiras no fluxo do cliente que está fazendo compras e calibrar o uso de ferramentas em redes sociais. Também passa a ser item prioritário, segundo empreendedores e dirigentes de entidades que foram a Nova Iorque, ter funcionários que saibam usar soluções digitais e se motivem a trabalhar. 
> Confira o vídeo com o balanço dos gaúchos na NRF 2018:
 
A NRF 2018, mesmo reforçando a dose de aplicações com ênfase em análise de dados, leitura facial, inteligência artificial e realidade virtual apresentadas pelas gigantes e outras empresas pequenas, mas inovadoras do mundo ponto com, bateu pesado na necessidade de colocar o fator humano no centro da operação. Jamila Fantuzzi, da Energy, primeira vez no evento, diz que a feira mostrou que seu negócio precisa acelerar o uso de tecnologia e melhorar muito a sistematização da loja. "A primeira coisa que vou fazer ao voltar será reunir os funcionários para ver mais ações em experiência de compra", adianta Jamila.
No último dia da feira, a comitiva gaúcha conferiu aplicações de gigantes como IBM, Intel e SAP. Foram desde o uso da inteligência artificial, com o Watson da IBM, a um espelho virtual que permite que num salão de beleza se possa simular e verificar o resultado de um make-up na tela.
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Gabriela (esquerda) destaca mundo digital, e Janete quer agir na experiência dos clientes
Janete Gregio, dona de um centro de  estética e barbearia em Bento Gonçalves, experimentou o equipamento. "Levo daqui a necessidade de ampliar a experiência do cliente e reduzir o atrito na hora de prestar serviço, como descomplicar o agendamento e cobranças", exemplifica. "Simplicidade é não conseguir mais fugir do mundo digital", completa a dona de uma loja de aquecedores e de uma gráfica também em Bento Gonçalves, Gabriela Jorge.  
Fábio Krieger, gerente de indústria e comércio do Sebrae-RS, aponta a importância de formar parcerias estratégicas. "Há muita complexidade por trás da operação, e a empresa não vai conseguir acompanhar isso sozinha", previne Krieger, citando que o caminho é buscar quem pode ajudar a fazer a conexão com o consumidor.
O diretor do grupo Gouvêa de Souza, Marcos Gouvêa de Souza, um veterano de feira em Nova Iorque, diz que fez "a essência do extrato da síntese destilada" da NRF. Parece complicado, e é mesmo. O foco do consultor é listar para levar ao Brasil o que foi mais relevante na edição deste ano. "É inegável que se criou por muito tempo a ideia de que a tecnologia salva tudo, ela tem relevância, mas não podemos esquecer que existem as pessoas, o consumidor e uma realidade em transformação volátil", resume o especialista. "Isso pauta a organização, que tem de ter uma nova estrutura para se adaptar", adverte Souza. 
Paulo Kruse, presidente do Sindilojas, volta otimista ao Brasil, mesmo admitindo que há muitas barreiras a transpor. Kruse, que veio à NRF também para captar tendências para a Feira Brasileira do Varejo (FBV), que será em maio, aposta que muitas inovações serão acrescentadas a operações no Estado. "Acho que teremos muitos ganhos, principalmente para quem veio para o evento", aposta o presidente do Sindilojas, que levou, junto com Sebrae-RS, cerca de 20 empresas à feira.
Já Alcides Debus, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), ressalta as dificuldades que muitas empresas terão para conseguir seguir o ritmo da tecnologia e das melhorias. Para o pequeno e médio lojista, diz Debus, pode complicar um pouco mais, pois não há incentivos e linhas de financiamento para custear o que precisa sem tecnologia. "Vamos ter muito desemprego em pequenos negócios nos próximos anos, com concentração em grandes grupos, que estão mais preparados", afirma o presidente da CDL-POA.

Visitas técnicas ampliam conhecimento de empresas participantes do evento nos EUA

Depois da feira de três dias, o grupo de empresários gaúchos em Nova Iorque se prepara para dois dias intensos de visitas técnicas a lojas e serviços que são ícones. O Sebrae-RS organizou agenda com 16 locais, como Victoria's Secret, Whole Foods, Urban Outfitters, Nataly, Rebecca Minkoff, Nike, B&H Photo e Amazon Books 
O coordenador estadual de projetos do Sebrae-RS, Fabiano Bassani Zortéa, diz que o foco é poder materializar o que os empresários viram de conceito na feira. "São três focos de conteúdo -  visual merchandizing, integração de on-line e ponto físico e experiência do cliente no ponto de venda", descreve o coordenador. Entre as marcas, a Lulu Lemon Flagship criou eventos dentro da loja para atrair consumidor.
Os exemplos são bem variados para ampliar o portfólio de anotações dos empreendedores. "Presto atenção em tudo, anoto tudo, desde o que ouvimos nas palestras até as visitas, e depois vejo como aplicar no meu negócio", exemplifica Adriane de Vlieger, com lojas em Santa Rosa e que veio pela primeira vez ao circuito da NRF.  
Zortéa confirma a finalidade das visitas, que é ampliar o leque de referências. Na Lowe's, será observada a integração on-line e off-line e o que cresce cada vez mais que é comprar no e-commerce e buscar o produto na loja física.
"Há painéis que mostram como foi a experiência", diz o coordenador. Zortéa destaca que o roteiro gera impactos positivos. O Sebrae-RS tem metodologia para medir os efeitos das experiências combinadas com ações práticas após a NRF. Em maio, são apresentadas as informações sobre as medidas implementadas.
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