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Porto Alegre, terça-feira, 09 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Infraestrutura

Notícia da edição impressa de 10/01/2018. Alterada em 09/01 às 20h50min

MME planeja outro leilão de energia até junho

Representantes dos governos gaúcho, federal e entidades do setor discutiram os entraves às obras

Representantes dos governos gaúcho, federal e entidades do setor discutiram os entraves às obras


/SAULO CRUZ/MME/JC
Jefferson Klein
Enquanto empresários e integrantes do governo gaúcho tentam adiar a entrega da energia do leilão A-4 (quatro anos para fornecer a geração) previsto para ser realizado no dia 4 de abril, uma boa notícia para o empreendedores do setor elétrico foi dada ontem em reunião realizada no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília. Conforme o secretário estadual de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, o secretário executivo do ministério, Paulo Pedrosa, revelou que até junho será realizado um certame A-6 (seis anos para conclusão das iniciativas), o que garantirá a plena participação de projetos gaúchos nessa concorrência.
A dificuldade enfrentada hoje por muitos empreendimentos de geração elétrica que serão construídos no Rio Grande do Sul, principalmente os eólicos, é um gargalo na rede de transmissão do Estado devido a atrasos de obras que antes eram de responsabilidade da Eletrosul. Atualmente, essas obras de transmissão estão sob o controle da Shanghai Electric e do fundo chinês Clai Fund, com a estatal brasileira tendo apenas uma participação minoritária. Essas estruturas de transmissão, que compreendem linhas e subestações, somente ficarão prontas em abril de 2022.
Devido a esse cronograma, muitos projetos gaúchos de geração não poderão participar do próximo leilão A-4, pois teriam que se comprometer a entregar a energia em janeiro de 2022 e não teriam a possibilidade de escoar essa eletricidade. No entanto, no A-6 não haveria esse impedimento, porque o fornecimento só acontecerá em 2024, quando as obras de transmissão já estarão concluídas. Apesar do entusiasmo criado entorno do certame A-6, o governo gaúcho não desistiu de tentar convencer o governo federal a adiar a entrega da energia que será comercializada no leilão A-4 para que mais usinas no Rio Grande do Sul possam concorrer nessa disputa.
Esse foi um dos motivos do encontro de Lemos com Pedrosa, que contou ainda com a participação do vice-governador José Paulo Cairoli, do presidente do Sindicato das Empresas de Energia Eólica do Rio Grande do Sul (Sindieólica-RS), Guilherme Sari, do empresário e associado do Sindieólica-RS Ricardo Pigatto e do coordenador do grupo temático de energia da Fiergs, Edilson Deitos. Lemos reforça que não vê a necessidade do leilão ser feito de uma forma apressada. O secretário informa que Pedrosa comprometeu-se em discutir com as equipes técnicas do ministério, do Operador Nacional do Sistema (ONS) Elétrico e com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a viabilidade de aceitar a proposta. A expectativa é que uma resposta sobre o assunto seja dada ainda nesta semana.
O coordenador do grupo temático de energia da Fiergs considerou como positiva a reunião, essencialmente devido à garantia que um leilão A-6 será realizado no primeiro semestre deste ano. Deitos recorda que, além dos projetos eólicos, outras usinas, como as térmicas a carvão, poderão participar desse certame que dará mais tempo para a execução dos empreendimentos. O dirigente atribui esse interesse do governo federal de elaborar um leilão A-6 pouco depois de um A-4 à perspectiva do crescimento do PIB do País. O empresário acrescenta que foi sugerido ao ministério que fosse estabelecido um cronograma específico para as realizações de certames nos próximos anos, o que daria mais condições para os empreendedores prepararem-se para as disputas.
 

Empreendimentos de geração hidráulica do Rio Grande do Sul participarão da concorrência A-4

Se a maioria dos investidores gaúchos em produção eólica torce para que o leilão A-4 marcado para abril tenha a entrega de energia adiada, a questão não preocupa tanto os empreendimentos de geração hidráulica que serão implementados no Estado e que estão cadastrados na disputa. O presidente da Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul (Fecoergs) e da cooperativa Coprel, Jânio Vital Stefanello, explica que esses projetos encontram-se próximos à rede de transmissão já existente, o que permitirá a participação no leilão.
Dentro dos complexos com base na fonte hidráulica a serem instalados no Estado, inscreveram-se no certame 10 Pequenas Centrais Hidrelétricas - PCHs (103 MW), uma hidrelétrica (35 MW) e uma Central Geradora Hidráulica - CGH (5 MW), totalizando 143 MW de capacidade, cerca de 3,5% da demanda média de eletricidade do Rio Grande do Sul.
Segundo o presidente da Fecoergs, metade dessas iniciativas é de cooperativas. No total do País, foram cadastradas 67 PCHs (896 MW) três hidrelétricas (114 MW) e 23 centrais geradoras hidrelétricas (63 MW) no leilão. "Destes projetos cadastrados, eu não acredito que tenha mais que 20 que vão vencer, porque tem muita gente sentada nos projetos, porém sem capacidade de alavancagem", diz. Stefanello argumenta que como as cooperativas já estão trabalhando há muito tempo nos seus empreendimentos possuem certa vantagem. Contudo, o integrante da Fecoergs prevê uma disputa acirrada no próximo leilão. Uma evidência que aponta nessa direção foram os valores praticados nos certames mais recentes (no último, ocorrido no dia 20 de dezembro, o preço médio final para as PCHs foi de R$ 219,20 o MWh, deságio de 22%).
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