Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 07 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

bancos

Alterada em 07/01 às 19h36min

Bancos já têm mandatos para R$ 15 bilhões em emissões de ações em 2018

Os bancos de investimento já têm mandato para cerca de R$ 15 bilhões em emissões de ações para os primeiros quatro meses de 2018, apesar da volatilidade que será gerada com a eleição presidencial. A expectativa é de mais expansão do fluxo de entrada de capital estrangeiro ao Brasil, o que poderá levar a um aumento dos volumes de ofertas de ações na bolsa brasileira, caso nenhuma surpresa política ao longo do processo eleitoral atravanque as emissões.
As ofertas previstas seguem na esteira do bom ano de 2017, quando as emissões de ações por aqui superaram os R$ 40 bilhões, o melhor desde 2009, desconsiderando a mega capitalização da Petrobras em 2010. Já com pedido de registro de ofertas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão: a Blau Farmacêutica, dona da Preserv, prevista para fevereiro, e o Grupo SBF, dona da varejista Centauro, com seu IPO programado para o mesmo mês. Ainda para o início de 2018 é esperada a oferta da Neoenergia, que cancelou sua estreia programada para dezembro passado. É aguardada também a oferta subsequente (follow on) do Banrisul. Estava na fila para abertura de capital a Algar Telecom, mas esta suspendeu os planos depois de ter uma fatia vendida ao fundo soberano de Cingapura, o GIC.
Para o diretor gerente do Bradesco BBI, Leandro Miranda, algumas notícias podem ainda impulsionar o mercado de ações no ano que vem. "A aprovação da reforma da Previdência não está na conta dos investidores e se ela sair em fevereiro haverá uma nova reprecificação para cima para Brasil e teremos um segundo trimestre muito forte, o que aumentará o volume de ofertas", destaca o executivo. Apesar da tendência clara do primeiro semestre ser mais forte do que o segundo, visto que as empresas preferem evitar a volatilidade trazida pelas eleições, uma definição das urnas com uma chapa alinhada à atual política econômica poderá manter a janela aberta para emissões.
O executivo afirma que o fluxo de capital estrangeiro ainda não veio, de fato ao Brasil e que essa entrada alterará o patamar da bolsa brasileira, hoje ao redor dos 79 mil pontos. Miranda destaca que o fluxo positivo em 2017 veio, em sua maior parte, de fundos passivos e que a participação do Brasil ainda está baixa em relação à vista no passado, mesmo só levando em consideração a alocação dos fundos direcionados a países emergentes e os da América Latina.
De qualquer forma, o chefe do banco de investimento do Bank of America Merrill Lynch (Bofa), Hans Lin, afirma que a orientação por conta da volatilidade esperada pelas eleições é de que as empresas já preparadas acelerem o passo para precificarem suas ofertas no primeiro semestre do ano, dada a falta de visibilidade para os meses seguintes.
O executivo aponta que nas últimas ofertas, que se desenrolaram no último mês do ano passado, a presença do investidor estrangeiro foi majoritária, revertendo um cenário observado no início de 2017. "Esse fato pode mudar com uma alteração mais rápida das taxas de juros americanas, o que pode mudar o apetite dos investidores", alerta Lin. Para este ano, a estimativa do banco americano é de que as ofertas de ações alcancem R$ 35 bilhões.
Fabio Nazari, sócio do BTG Pactual, aponta que a chegada do investidor estrangeiro poderá ser forte, a depender do cenário político, pois os fundos globais nem começaram a entrar no País. "O Brasil está competindo por recursos com outros mercados emergentes e um desdobramento político poderá fazer com que o Brasil ganhe market share nessa disputa", salienta o executivo.
Para o diretor do banco de investimento do Itaú BBA, Roderick Greenlees, nem mesmo um eventual rebaixamento do rating brasileiro pelas agências de classificação de riscos deve alterar o apetite dos investidores, visto que já é um movimento esperado pelo mercado. "Esse fator já está hoje no preço", comenta.
O histórico das aberturas de capital de 2017 também trará uma contribuição positiva. "Outro ponto importante que ajuda é o desempenho das ações, na média, dos IPOs lançados neste ano, que tiveram bom retorno, o que ajuda a posicionar outras empresas. Terminamos 2017 muito bem. Estamos entrando em 2018 conservadoramente otimistas, já existe um pipeline", afirma o executivo do Itaú BBA.
Já o responsável pelo banco de investimento do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema, diz que os bancos entram em 2018 com muito trabalho, com ofertas já encaminhadas e com outras empresas preparadas para pedirem registro no órgão regulador. "Os bancos trabalharam muito até o fim de ano. Vamos ter muita atividade no início do ano, a dúvida que temos neste momento é como serão as janelas no segundo semestre", comenta.
Miranda, do BBI, diz que no momento estão sendo trabalhadas 13 operações, com seus prospectos em fase de montagem. "Não vemos preponderância de nenhum setor. O investidor não está comprando um único segmento, mas a recuperação da economia brasileira", diz.
Outro fator que traz um olhar ainda de otimismo para o próximo ano, a despeito dos desafios, segundo Nazari, do BTG, será uma melhor avaliação das empresas, que irão apresentar desempenho mais positivo em 2018 e estarão mais desalavancadas. "Os fundamentos microeconômicos melhorarão os múltiplos e isso dará mais fôlego. Começamos a ver melhora nos balanços no terceiro trimestre, já tivemos balanços bons e vamos continuar a ver essa retomada da perfomance das companhias", afirma o executivo.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia