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Porto Alegre, quarta-feira, 10 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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memória

Notícia da edição impressa de 11/01/2018. Alterada em 10/01 às 17h47min

Carlos Heitor Cony deixou livro sobre Operação Condor praticamente pronto

Obra de Carlos Heitor Cony é marcada por livros-reportagem sobre mortes relacionadas à política

Obra de Carlos Heitor Cony é marcada por livros-reportagem sobre mortes relacionadas à política


winton junior/AE
Carlos Heitor Cony, falecido semana passada, nunca acreditou que as mortes de João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, entre 1976 e 1977 (ou seja, durante a ditadura), tivessem causas acidentais e naturais, como informavam os militares. Em parceria com a jornalista Anna Lee, ele entrevistou mais de 50 pessoas e se debruçou em inúmeros arquivos atrás das verdadeiras circunstâncias dos óbitos.
Com a publicação de O beijo da morte, em 2003, livro-reportagem que trazia o resultado - inconclusivo - de suas investigações, o escritor parecia ter esgotado o assunto. Mas, com a exumação de João Goulart 10 anos depois e a abertura de registros importantes da ditadura, a obra precisou ser atualizada.
Com capítulos, notas suplementares e até um novo título - Operação Condor, em referência à aliança política entre os antigos governos militares da América do Sul - a versão ampliada deve sair ainda neste primeiro semestre pela Nova Fronteira.
Esta é, por assim dizer, a primeira obra "inédita" do autor a ser anunciada após sua morte, no último sábado, aos 91 anos. Foi Anna, coautora do livro original, que se encarregou do texto suplementar, revisado por Cony.
Um outro texto com mais detalhes da retirada dos restos mortais de Jango ainda está sendo produzido pela jornalista. "Em 2013, decidi acompanhar por conta própria a exumação de Jango (em São Borja). Avisei ao Cony, e percebemos que havia surgido mais material para ampliar o livro", relembra ela.
Premiada com o Jabuti de 2004, a obra original misturava fantasia e reportagem. A investigação é conduzida por um personagem fictício, nomeado apenas como O Repórter. Obcecado pelo mistério, ele passa 25 anos tentando provar que os políticos foram, na verdade, assassinados pelos militares. Ele morre sem conseguir o furo de sua vida, mas deixa uma série de pistas para novos investigadores.
Em Operação Condor, é Verônica, ex-companheira do Repórter, que assume o caso. A versão original será publicada sem alterações, mas com notas atualizadas, entre duas novas partes, ambas escritas por Anna. Na primeira, Verônica descobre o arquivo do Repórter; na segunda, ela acompanha a exumação de Jango e relata outras revelações surgidas desde 2003.
"Há muitas questões polêmicas envolvendo a exumação", explica Anna. "Entrevistamos fontes importantes que afirmaram que a exumação não poderia ser levada a sério porque fora feita a toque de caixa para ser completada antes do fim do governo Dilma", diz a escritora.
Além de Operação Condor, dois outros livros de Cony devem ser relançados este semestre - os juvenis O mistério da moto de cristal e O mistério final (ambos em coautoria com Anna). Mas muitos títulos estão fora de catálogo.
Toda a obra do escritor e jornalista foi adquirida pela Nova Fronteira em 2013 e vem sendo republicada aos poucos. É o caso de Quase memória. Publicado em 1995, marcou a volta de Cony à literatura, depois de um intervalo de 22 anos. Foi um sucesso imediato, que mereceu o Prêmio Jabuti de Literatura de melhor romance e de livro do ano. No enredo, Cony revive a relação com o próprio pai, já falecido à época da publicação. Continua em catálogo, agora pela editora Nova Fronteira.
O piano e a orquestra, publicado em 1996, venceu o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira em 1997 e, no entanto, está fora de catálogo. Narra a história de Olavo, um jornalista pacato, que resolve investigar seu primo, Francisco, ao saber que este vive a desafiar Deus enquanto trabalha num pequeno circo.
Também sem previsão de novo lançamento está Pilatos. Em 1973, Cony interrompe um jejum literário publicando a aventura de um tipógrafo que tem seu pênis decepado em um acidente. Depois de dois meses internado, ele vaga pelas ruas do Rio carregando seu membro dentro de um pote de vidro. Em seu caminho, encontrará personagens bizarros da cidade.
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