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Porto Alegre, terça-feira, 09 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 10/01/2018. Alterada em 09/01 às 17h50min

Filme sobre Winston Churchill entra em cartaz nesta quarta

Irreconhecível, Gary Oldman vive Churchill em O destino de uma nação

Irreconhecível, Gary Oldman vive Churchill em O destino de uma nação


/UNIVERSAL PICTURES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Munido de próteses e maquiagens, Gary Oldman é o trunfo maior de O destino de uma nação, longa-metragem que entra em circuito nacional nesta quinta-feira. Quase irreconhecível em uma das grandes atuações de sua carreira, o ator inglês interpreta Winston Churchill em um drama de bastidores de guerra. Trata-se de um filme de valor histórico, mas dedicado principalmente à força e à pressão vivida pelo estadista que já foi eleito o "maior britânico de todos os tempos". Por seu desempenho, Oldman recebeu o Globo de Ouro de melhor ator de drama no domingo passado - e muito possivelmente estará na lista de indicados ao Oscar.
O roteiro do filme tem como foco exclusivo as primeiras semanas do político como primeiro-ministro. Após a renúncia de Neville Chamberlain, ele assume o cargo em meio a um cenário de crise. A Segunda Guerra Mundial já começou, e as nações aliadas estão sofrendo consecutivas derrotas pelas tropas nazistas: os britânicos, por exemplo, têm 300.000 soldados encurralados em Dunquerque, na França, e devem ser o próximo alvo. Cabe a Churchill tomar as decisões que definirão o andamento do conflito.
O destino de uma nação, entretanto, não é uma ode ao seu protagonista. Joe Wright, diretor de títulos como Orgulho e preconceito, Anna Karenina e de um aclamado episódio da série Black Mirror, se interessa pelo ser humano, e não só pelo político. Em certo momento, a esposa do personagem (papel de Kristin Scott Thomas) diz querer que o povo goste do marido e lista alguns de seus defeitos.
O Churchill de Gary Oldman é bem-humorado e reconhecido por sua oratória, mas com uma personalidade difícil. Entre suas convicções e a pressão para assinar um tratado de paz, começa a surgir a fragilidade do ícone. Durante cerca de duas horas, todos esses elementos se misturam em meio ao drama pessoal de um homem que, do dia para a noite, passa a carregar o peso de toda a Grã-Bretanha em seus ombros.
Não é por acaso que a interpretação do ator se baseia tanto no uso da voz. Churchill confiava no poder das palavras - tendo ganhado um Nobel de Literatura e escrito e entoado discursos que são citados até hoje. Na hora de maior hesitação do personagem, no entanto, seu intérprete balbucia ideias desconexas. O ator rouba o filme para si justamente por se transformar de acordo com o impacto que o mundo exterior proporciona no âmago do protagonista. Apesar da maquiagem, a expressividade do artista aparece através de maneirismos com a boca ou com um olhar que vai do resoluto ao desesperançoso.
Já em um ponto de vista mais amplo, o filme de Joe Wright compara-se com Dunkirk, longa-metragem de Christopher Nolan exibido no começo do segundo semestre. O resgate de Dunquerque é retratado de maneiras narrativas totalmente diferentes nos dois títulos, que funcionam como complementos históricos um ao outro.
Nolan destaca a ação e promove uma experiência de imersão em que o público acompanha o desespero, a violência e a solidariedade no campo de batalha. Já Wright destaca os bastidores políticos de dias determinantes para o andamento da guerra, enfatiza as incertezas além do front e apresenta os episódios de forma didática - mas sem esquecer da dramaturgia. E ainda mostra como a comunicação tem um poder combustível.
Assinado por Anthony McCarten (A teoria de tudo), o roteiro também inclui a participação do Rei George VI (Ben Mendelsohn) e do Visconde Halifax (Stephen Dillane) no desenrolar dos acontecimentos. Kristin Scott Thomas interpreta Clemmie, a esposa de Churchill, mas é de Lilly James a personagem feminina mais importante do filme.
A atriz interpreta Elizabeth Layton, secretária do primeiro-ministro, que escreveu um livro sobre os anos que conviveu com a autoridade. Se suas contribuições não são de suma importância na trama, é porque o enredo tem o estadista como prioridade - são colocadas expectativas sobre como Churchill vai reagir aos que estão em seu redor. Elizabeth Layton ganha destaque porque o relacionamento do político com a secretária pode ser vista como uma representação da ligação dele com o povo.
Por enquanto o filme também recebeu uma indicação ao prêmio do Sindicato dos Atores Norte-Americanos, o SAG Awards. Gary Oldman concorre à distinção principal.
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