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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Colunas

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 12/01/2018. Alterada em 11/01 às 18h56min

Elena Ferrante se abriu

Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana cuja verdadeira identidade é desconhecida do público. Autora de romances de sucesso internacional e de obras como A filha perdida e o infantil Uma noite na praia, publicados no Brasil pela Editora Intrínseca, Elena notabilizou-se, sobretudo, pela Série Napolitana composta de quatro grandes romances: A amiga genial; História do novo sobrenome; História de quem foge e de quem fica; e História da menina perdida.
Respeitada mundo afora como uma das grandes vozes da literatura mundial contemporânea, a autora nunca mostrou seu rosto, não deu pistas sobre sua verdadeira identidade e, nas raríssimas entrevistas, a maioria por e-mail, disse que "já fez tudo o que podia ter feito por seus livros escrevendo-os". Em meio a este mistério, há certezas profundas: a força gigantesca de sua prosa, a recusa do artificialismo da linguagem e a revelação da consciência profunda de seus personagens.
Frantumaglia (Intrínseca, 414 páginas, tradução de Marcello Lino) apresenta Elena Ferrante se abrindo em delicadas frestas que permitem vislumbrar detalhes dos bastidores da vida, da obra e do processo criativo de uma das maiores escritoras da atualidade. Frantumaglia é uma palavra usada pela mãe, em dialeto napolitano, para dizer como se sentia quando era puxada para um lado e outro por impressões contraditórias dilacerantes.
Elena conta a origem e a importância da Frantumaglia para seu processo criativo. Dividido em três partes, o livro apresenta cartas, bilhetes, entrevistas, ensaios e trechos escritos e não publicados. Mesmo sem revelar a identidade, Elena Ferrante aborda questões inconscientes e perturbadoras com a mesma intensidade que utiliza para suas extraordinárias ficções. Elena criou, como os ótimos escritores, um universo à parte, um mundo completo, constituído por linguagem, família, gestos, emoções, política e cultura e, neste livro, o leitor tem a possibilidade de contemplar a personalidade peculiar e espectral da autora no mundo literário.
Nas páginas de Frantumaglia, Elena explica porque prefere ficar longe da mídia, permitindo vida autônoma a seus livros, protegendo-se da lógica do mercado e evitando a espetacularização do autor em prol da literatura. A autora reflete sobre a relação com a psicanálise, as cidades onde morou, a maternidade, o feminismo e a infância, aspectos fundamentais para a produção de sua importante obra literária.

lançamentos

Petrolina (Grua, 174 páginas), do romancista e contista paulista Carlos Eduardo de Magalhães, retrata, no percurso de 2.178,6 quilômetros e 29 horas de viagem de São Paulo a Petrolina, nesta road novel, a vivência de Zeca, compositor de trilhas musicais, com seus filhos Carmem, Pedro e Oscar. A narrativa mostra bem a crise de vínculos afetivos e familiares, num mundo de relações virtuais. O espaço físico da aventura e do imprevisto, reconquistados, marcam a obra.
A menina do Circo Tibúrcio e outros causos desenhados (Libretos, 60 páginas), do premiadíssimo caricaturista, quadrinista, cartunista e chargista Santiago, apresenta histórias de infância no Interior, quadrinizadas, com prefácio de Fraga, que disse: "desenha a tua aldeia e serás universal". Santiago segue desenhando sua aldeia, seus habitantes, seus cuscos e outros bichos e, não por acaso, papou dezenas de prêmios nacionais e internacionais. Te mete!
O casamento de Luíza (Editora Charlote, 174 páginas), do professor, jornalista, advogado e editor Mildo Fenner, é seu terceiro romance. Com habilidade narrativa, o autor trata de imigrantes alemães, amor, ódio, ingratidão e amizade, em meio ao trabalhoso e difícil dia a dia dos imigrantes. Luíza, sensível e educada, engravida e conquista o soldado prussiano Frederico, que esqueceu das brutalidades das guerras e caiu em seus braços.
 

Auto ajuda-te a mim mesmo

Eu estava no lançamento de um livro e disse para o editor da obra que pensava em escrever um livro intitulado: Como escolher o seu manual de autoajuda? Não sei se acreditando no meu potencial ou na possibilidade de faturar um monte, ou nas duas coisas, o editor me disse que aguardava ansiosamente pelo original. Estou devendo a encomenda para o editor, mas ainda não desisti da empreitada.
Fiquei sabendo que o livro mais vendido na Amazon brasileira, somando impresso e digital, foi publicado em 1936. Nada de Paulo Coelho, Dan Brown ou John Grisham. O best-seller é um clássico da autoajuda: Como fazer amigos e influenciar pessoas, do norte-americano Dale Carnegie (1888-1955), que já passou da 50ª edição.
Li o texto de Carnegie quando eu tinha uns 20 anos. Ele preconiza otimismo, bons relacionamentos, não entrar em polêmicas inúteis (a gente ganha a discussão não entrando nela), respeitar a autoestima alheia, dizer bom dia, obrigado, com licença e elogiar com sinceridade. Mesmo sabendo que os humanos têm o comportamento que têm, que não são anjinhos, Carnegie estimula-nos a diminuir, ao menos, nossa vaidade gigante e nosso autointeresse, e a enfrentar as vaidades, os isolamentos e os interesses alheios, procurando viver melhor.
Livros de autoajuda sempre existiram, a começar com a Bíblia, passando por O poder do pensamento positivo, de Norman Vincent Peale; obras de Anthony Robbins, Lair Ribeiro, Mario Sergio Cortella, Augusto Cury e outros, que ajudam os leitores a se ajudarem e ajudarem, também, merecidamente, os autores. Daí o título brincalhão deste texto: Autoajuda-te a mim mesmo. Todo mundo se ajuda, fica feliz, e o mundo segue, com novos autores e novas obras, mais ou menos originais.
Uma grande pesquisa de Harvard, desenvolvida há mais de 75 anos, o mais longo estudo sobre adultos, com 724 meninos que tinham uns 20 anos em 1938, metade da elite e metade dos bairros pobres de Boston, mostrou, depois de acompanhamento minucioso da vida dos participantes, resultados interessantes, que tem a ver com livros de autoajuda.
Vidas mais longas e mais saudáveis, segundo a pesquisa, têm a ver com bons relacionamentos familiares, sociais e profissionais. Nos Estados Unidos, uma em cada cinco pessoas se queixa de solidão. Quem vive só vive menos e tem mais doenças. Bons relacionamentos nos deixam mais felizes e saudáveis. E não se trata do número de relacionamentos, mas sim da qualidade dos mesmos. Bons relacionamentos fazem bem para a memória.
Somos humanos, complicados, com nossas relações complicadas que não se encaixam tão bem, com tanta perfeição e com tantas cores quanto as peças de um Lego. Mas é o que temos para hoje e sempre. E, nesta passagem rápida pelo planeta, onde, por vezes, parece que não temos tempo para nada, fundamental o tempo para o amor e para os bons relacionamentos. "A vida é a arte do encontro", falou Vinicius de Moraes. "Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?", afirmou Carlos Drummond de Andrade.
 

a propósito...

Quem sabe escrevo o Como escolher seu manual de autoajuda? Seria interessantíssimo ajudar os leitores a escolherem a melhor maneira de serem ajudados, seria ótimo me ajudar, ajudar meu editor, o distribuidor e as livrarias, e ajudar os eternos autores de obras que nos auxiliam, com seus fantásticos e milenares ensinamentos, a viver melhor conosco, com os outros, com o planeta e com os demais seres vivos. Só não esqueça que o melhor livro de autoajuda ainda está por vir. Sempre estará. As pessoas e o mundo vivem mudando. Não se desespere, não se preocupe tanto, não desanime. Quem sabe, você não escreve seu próprio livro de autoajuda? Bons relacionamentos, boa sorte, boa vida e boa (auto)ajuda! (Jaime Cimenti)
 
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