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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de janeiro de 2018.

Jornal do Comércio

Colunas

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 05/01/2018. Alterada em 04/01 às 18h45min

Francisco de Araújo reconta

Detalhe da capa do livro

Detalhe da capa do livro


REPRODUÇÃO/JC
Recontagem - De Chico a Francisco (AGE Editora, 340 páginas), de Francisco de Araújo Santos, padre por muitos anos, professor universitário na Pucrs e na Ufrgs e executivo em várias empresas, apresenta relatos pessoais e profissionais de uma vida plena de curiosidade intelectual, viagens de estudo a Nova Iorque e Londres e experiências em empresas, assim como aspectos familiares e de convívio com muitos amigos, mundo afora.
Nascido em Porto Alegre em 17 de abril de 1935, numa chácara na avenida Carlos Gomes, depois Francisco morou numa casa na rua Padre Chagas; na 24 de Outubro, 847; em Paris, no Rio de Janeiro, Londres e Nova Iorque, tornando-se verdadeiro cidadão do mundo, estudando, lecionando, administrando empresas e escrevendo os livros A emergência da modernidade; O Liberalismo; Empresa aberta; Humanismo de Maritain no Brasil de hoje; e Lucro e ética, este último com Luiz Pilla Vares. Mas Francisco nunca esqueceu dos anos de infância, do umbigo porto-alegrense e do apelido Chico Labirinto, que se aplicava ao inquieto menino que foi.
No livro, em meio a ideias, fatos históricos e pessoas, Francisco fala com emoção dos muitos amigos que granjeou ao longo da vida social, empresarial e acadêmica, como Erico Verissimo, Irmão Otão e Lya Luft. Ao fim e ao cabo, o professor lembra das palavras que ouviu de um professor no Colégio Catarinense, em 1955, que citou um poeta italiano: "A gente se lembra triste das coisas que nos fizeram felizes, e se lembra sorrindo das coisas que nos doeram." Francisco escreveu: no fim da jornada, sinto-me livre e grato. Agora, sim, as lembranças agradáveis se vestem de melancolia e saudade. As lembranças amargas se desfazem em poeira.
O capítulo final trata das poderosas lembranças dos tempos do velho casarão do Colégio do Rosário, onde eram dadas as aulas do curso primário. O volume apresenta muitas fotografias, que auxiliam a compor quadros da memória.
Em várias cidades, em muitos ambientes acadêmicos e corporativos, sociais e familiares, Francisco de Araújo Santos viveu muitas vidas, em muitos tempos, em meio a muitas pessoas, livros e estudos. Viveu e vive, agora recontando todas as lembranças, oferecendo aos leitores o legado de uma existência intensa, movimentada e movida, sobretudo, por uma saudável curiosidade de professor, que segue ativa.

lançamentos

  • Volta ao mundo - 407 dias em 42 países (Editora Inverso, 260 páginas), do casal Thainá Cabral e Eduardo Glitz, partiu de uma ideia de conhecer quatro ou cinco países e acabou com uma verdadeira volta do mundo. Apenas com malinhas de mão e planos de viagens, o casal percorreu 42 países em todos os continentes. O volume tem textos rápidos, ágeis, e belas fotos em cores. A renda da venda do livro se destina ao Solar Meninos de Luz, do Rio de Janeiro.
  • Segredos e conselhos de um headhunter - Desvendando o mistério da seleção de executivos (Evecom Comunicação e Marketing, 188 páginas), do psicólogo, especialista em recursos humanos e executivo de empresas Rubem Souza - hoje, dono da consultoria RSA, apresenta ideias para quem quer ser feliz, bem-sucedido e vencedor no concorrido e enigmático mercado de trabalho.
  • Dois (Tordesilhas, 184 páginas), segundo romance do professor-doutor em Teoria Literária e Literatura Oscar Nakasato, resenhista do Ilustrada da Folha de S. Paulo, narrado, com escrita sensível, por duas vozes, traz as vidas de dois irmãos idosos, de identidades singulares. Personalidades quase opostas, dentro da mesma família, revelam dores, idiossincrasias e cegueiras, mas que impedem o leitor de um julgamento incisivo.

Perspectivas 2018

Sim, a gente está careca de saber que, no Brasil, até o passado é imprevisível, que não dá para fazer profecias e perspectivas nem em relação ao tempo que foi. Semana passada falei do imprevisível 2017, com suas extremidades e intensidades marcantes. O ano já foi, com suas temeridades, seus debates, controvérsias, escândalos e delações do fim do mundo, que, felizmente, não acabaram com o planeta. Ninguém acabou o planeta, em 2017, e o Internacional, como se sabe, retornou para a série de onde não deveria ter saído.
O tempo e o mundo não terminaram. O último dia do ano não foi o último dia do tempo e a terra segue rodando em volta do sol. Grande novidade. Depois das farras gastronômicas e das esbórnias etílicas, quem pode vai para a praia ou para a serra descansar, enquanto outros seguem tocando os barcos. A vida continua nas ruas, enquanto uma bala perdida não a acabe. As pessoas estão procurando ter esperança em 2018. Esperança do verbo esperançar, e não apenas ficar esperando o Godot e algum maná que caia do céu, em forma de chuva, mandado por Deus.
Na economia, os economistas, empresários e jornalistas do ramo apostam em continuidade do crescimento para 2018 e muitos falam que a economia se descolou da política, o que é bom, do jeito que nossa política anda. Espera-se que os governos não fiquem atrapalhando a vida dos contribuintes, pessoas físicas e jurídicas. Os políticos, os governantes e as autoridades de toga têm alguns meses antes das eleições de 2018 para tentar mudar a imagem que está aí. As urnas, com voto impresso, podem mandar muitos para casa. Eles que pensem bem, como disse o outro, na porta da casa de político sem mandato só o vento bate.
Na área cultural, seguiremos com muitos shows - Andrea Bocelli é uma das celebridades que vão pintar por aí. Música, artes plásticas, cinema, literatura, teatro e outras atividades culturais ainda constituem o que temos de melhor. Ah, tem o futebol, claro, e aí tomara que os cartolas não pisem, literalmente, na "bola", que, como se viu, os homens da toga e a cana dura podem pegar forte. Tomara que os censores de plantão fiquem quietinhos, paradinhos. Você conhece algum censor que tenha entrado para a História?
Tomara que os vários segmentos da sociedade e as dezenas de países do mundo consigam se entender, ao menos um pouco, em 2018, com suas muitas e diversas demandas. Tomara que a gente consiga pensar mais no bem comum do que nos interesses individuais. Tomara que a gente tenha mais Brasil e menos Brasília em 2018. Tomara que, neste ano, o tráfico e o consumo de drogas diminua e, aí, caiam os índices de criminalidade, que nos deixam atarantados.
Tomara que as fake news em 2018 sejam só do bem e que nas redes sociais haja menos ódio e ofensas. Tomara que o Inter coloque muitas faixas no peito e troféus na sala em 2018. Espera-se que no ano novo no Oriente e no Ocidente haja mais entendimento e solidariedade.

a propósito...

O título deste texto é Perspectivas 2018, mas vocês certamente notaram que, depois de algumas linhas, ao invés de falar em perspectivas, comecei a falar em desejos e esperanças. Pensando bem, acho que é melhor assim. Melhor falar em bons desejos, sonhos e esperanças do que meramente arriscar profecias e perspectivas para o ano novo. Perspectiva é melhor na óptica, no desenho e na pintura, por exemplo. O futuro a Deus e a nós pertence. Com grandes ou pequenos atos no cotidiano, na pequena ou na grande História, podemos pensar em sermos melhores, dentro um planeta mais limpo, pacífico e aceitável. De qualquer jeito, melhor prever bom, ótimo 2018 e é isso que desejo a menos oito ou nove fiéis e queridos leitores.
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