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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de fevereiro de 2018.

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Magistratura

Notícia da edição impressa de 06/02/2018. Alterada em 05/02 às 18h07min

Vera Deboni assume a presidência da Ajuris

No discurso de posse, juíza criticou 'posturas corrosivas praticadas até por integrantes de tribunais superiores'

No discurso de posse, juíza criticou 'posturas corrosivas praticadas até por integrantes de tribunais superiores'


/MARIANA CARLESSO/JC
A posse da juíza Vera Deboni na presidência da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), na quinta-feira passada, coloca, pela segunda vez em 73 anos de existência, uma mulher no comando da instituição. O mandato, sucedendo Gilberto Schäfer, é para o biênio 2018/2019.
Em seu discurso de posse, a juíza criticou "posturas corrosivas praticadas até por integrantes de tribunais superiores" contra o próprio Judiciário. Também em tom de crítica, acrescentou, então aludindo ao mundo político, que quem não tem visão republicana tenta enfraquecer a Justiça.
"Não faltam tentativas de abalar a autonomia administrativa e financeira dos tribunais e de ferir os pilares das garantias da magistratura mediante propostas falaciosas", apontou. Entre essas propostas, citou a reforma da Previdência, "vendida como solução para todos os males do país que atingirá danosamente muitos brasileiros, independentemente da condição social". A magistrada defendeu uma Previdência pública "justa e respeitadora dos direitos constitucionais".
"Nunca o Judiciário foi tão provocado a decidir questões envolvendo administradores públicos e a moralidade pública. E nunca se viram tantos malfeitos. A corrupção se mostra uma praga que, podada aqui e ali, está sempre a recrudescer", acrescentou.
Juíza da Infância e Juventude nas duas últimas décadas, Vera chega ao cargo 12 anos depois da ascensão da primeira representante feminina, Denise Oliveira Cezar, que presidiu a associação no período 2006/2007 - 62 anos após a fundação da entidade, em 1944. Quando ingressou na magistratura, em 1987, a nova presidente da Ajuris integrava um contingente feminino de menos de um quarto do total de membros do Judiciário estadual. Agora, mais da metade (52%) do 1º grau da Justiça é ocupada por juízas. No 2º grau, os homens ainda são maioria: 99 desembargadores contra 40 desembargadoras. No cômputo geral do Judiciário, há 417 magistrados (51%) e 396 magistradas (49%).
A diretoria, tendo Vera à frente, também revela o equilíbrio de gênero. O colegiado é composto por Orlando Faccini Neto (vice-presidente administrativo), Cristiano Vilhalba Flores (vice-presidente de patrimônio e finanças), Madgéli Frantz Machado (vice-presidente cultural), Patrícia Antunes Laydner (vice-presidente social) e Felipe Rauen Filho (vice-presidente de aposentados). A última pasta foi criada para a gestão que se inicia.
A dirigente acredita que, de modo geral, as mulheres ainda têm muito por que lutar no mercado de trabalho, quantitativa e qualitativamente. "Acho que hoje há muito mais espaço a conquistar na esfera privada do que na pública. Se ainda há resistência às mulheres, e entendo que há, é muito mais na área privada, para os cargos de maior importância. Como a esfera pública é composta de carreiras, que são estruturadas a partir de concursos, há uma entrada democratizada do gênero", aponta.
Vera é natural de Chapecó (SC) e formou-se em Direito em 1984, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Foi pretora entre 1987 e 1990, quando assumiu como juíza de Direito. Jurisdicionou as comarcas de Tupanciretã (pretora), Santo Ângelo, Três de Maio, Santa Maria e Porto Alegre. Na Ajuris, além do cargo de vice-presidente administrativa, já foi vice-presidente cultural, diretora da Sede Campestre, presidente do Conselho Deliberativo e diretora do Departamento de Coordenação de Processos Judiciais. A magistrada também foi juíza auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tendo atuado no programa Justiça ao Jovem. Durante dez anos, foi professora universitária e atualmente integra o corpo docente da Escola da Ajuris.
 
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